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FAMÍLIA

Conflitos entre irmãos devem ser analisados pelos pais

Briga entre irmãs que viralizou nas redes sociais traz ao debate até que ponto essas situações são normais ou precisam de acompanhamento. Diálogo, atenção e carinho são fundamentais

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Imagem ilustrativa da notícia Conflitos entre irmãos devem ser analisados pelos pais camera Brigas entre irmãos é comum, mas é importante ficar alerta. | Reprodução

A semana que passou foi marcada por um vídeo viral em que duas irmãs brigam na hora dos parabéns do aniversário da mais nova. A irmã mais velha sopra a vela do bolo e, em troca, recebe um puxão de cabelo da aniversariante que, revoltada, em seguida, chora com a situação. A cena foi postada pela tia das meninas nas redes sociais, gerou risos de muitos, críticas de outros e, claro, levanta o debate sobre até que ponto uma situação de rivalidade entre irmãos é algo natural?

A situação ocorrida em Pato Branco (PR) faz parte do dia a dia de muitas famílias. Briga entre irmãos sempre existiu, mas, segundo a psicóloga Joelma Martins, os conflitos devem ser observados e, se for o caso, alvo de intervenção pedagógica dos pais ou responsáveis para que a situação não seja nociva à formação das crianças. “Na dinâmica familiar cada um tem seu papel, seu propósito, e essa rivalidade pode ser gerada de conflitos de emoções no âmbito familiar”, afirma. “A orientação dos pais é importantíssima. A rivalidade é importante, faz parte da vida, mas precisa ser saudável, não pode ser algo doentio. Raiva, ciúme, inveja são sentimentos que todos nós temos. Mas as pessoas acham que você não pode ter. A criança precisa ser ensinada, orientada, e ela consegue entender isso”.

CAUSAS

Entre os motivos para que os conflitos entre irmãos em geral surjam, está a não preparação do filho mais velho para receber a chegada do mais novo no seio familiar. “Antigamente as famílias eram muito maiores, era comum os papéis serem definidos, o mais velho cuidando do menor. Quanto menor a família, mais conflito entre irmãos”, diz.

“Muitas vezes a criança até passa a sofrer preconceito pelos próprios familiares. ‘Você vai ficar no canto!’. Aí essas emoções podem vir em forma de hostilidade, agressão aos pais, se bater na parede”, exemplifica a psicóloga. “A orientação é que os pais precisam entender que cada filho é único. Não comparar os filhos. Pode expressar os sentimentos, mas de uma maneira aceitável. Se perceber que tem ciúme, precisa conversar”, reitera. “A criança precisa se sentir pertencente à família”.

Outro fato condenável, de acordo com a especialista, é a exposição da cena nas redes sociais para o “julgamento” das crianças por parte dos internautas. “Hoje a gente vive em uma eterna exposição. Eu fico imaginando, assim que eu vi as fotos delas juntas, como uma justificativa”, cita Joelma sobre o fato de que, posteriormente, a família das crianças publicou imagens das meninas em harmonia para garantir que estava tudo bem e que elas se dão bem no dia a dia. Além disso, no perfil do influenciador digital Hugo Gloss, no Twitter, foi publicado um vídeo das irmãs em que Maria Antônia manda beijos para quem gostou delas.

“Essa nossa mania de estar nos expondo, às vezes, é algo não recomendável. Imagina o trauma que vai ficar futuramente para essas crianças se elas não tiverem o acompanhamento adequado?”, questiona. “Você expõe um sentimento que é inerente a todo mundo. Você não consegue filtrar o julgamento que vem das redes sociais”, analisa. “Foi um erro. As pessoas tentam banalizar o sentimento das outras. Foi um momento de demonstração de sentimento que as pessoas não pensaram. Que isso venha a servir como alerta para percebermos nossas crianças, nossos filhos, como os tratamos. Será que a gente escuta as crianças, ensina? Fica como alerta”.

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Quem também assistiu o vídeo e se identificou em parte com a “treta” foi a pedagoga Nadja Costa. Mãe de Giovana e Ana Rosa Costa, 11 e 8 anos, respectivamente, a educadora conta que a relação das filhas é de harmonia, mas, de vez em quando, o tempo também fecha.

“É do cotidiano delas brigarem demais, por qualquer coisinha. Agora a Giovana, por ter personalidade mais forte, gosta de chamar mais atenção, de querer ser a primeira, fazer as coisas na frente”, descreve. “Mas a pequena (Ana Rosa) está crescendo, é geniosa e agora já não deixa mais isso acontecer tanto, já se impõe mais. Às vezes ela quer bater e eu tenho que estar o tempo todo ali, segurando a barra”, diz.

Nadja conta que faz o que pode para que a convivência entre as meninas seja harmoniosa. “Logo a briga passa e elas estão de bem. Elas mesmas se resolvem. Eu sempre digo ‘olha, pede desculpa! Você não pode bater nela. Me chamem, que eu que sou a mãe e não quero briga’”, relata, aos risos.

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