plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 27°
cotação atual R$


home
EDUCAÇÃO FINANCEIRA

Falar sobre grana com crianças é fundamental 

A partir de qual idade se deve dar um cartão de crédito a um adolescente? E as mesadas? Qual a importância dos cofrinhos na educação financeira? Veja o que dizem especialista e mães de crianças

twitter Google News
Imagem ilustrativa da notícia Falar sobre grana com crianças é fundamental  camera O exemplo dos pais pode refletir diretamente na educação dos filhos. | Ricardo Amanajás/Diário do Pará

A possibilidade de emissão de cartão de crédito adicional para jovens a partir de 12 anos é oferecida pelas propagandas de bancos e instituições financeiras em geral. Apesar do recurso estar disponível, a proposta pode fazer refletir sobre qual é o momento ideal de dar um cartão de crédito para o filho. Ou a partir de que idade se deve conversar com as crianças sobre dinheiro.

Apesar de estar presente em diversas relações ao longo do dia, o dinheiro ainda é um assunto tabu em muitas famílias, aponta o coordenador da Clínica de Combate de Superendividamento do Cesupa, Felipe Guimarães. Porém, para que uma boa relação com o dinheiro possa ser estabelecida na vida adulta, o professor reforça que é fundamental começar a refletir sobre as questões que o envolvem ainda na infância, respeitando os níveis de desenvolvimento em cada faixa etária.

“Dinheiro ainda é um tabu entre as famílias, ainda se oculta muito essa discussão no seio familiar, mas é necessário conversar sempre, sobretudo com a criança e com o adolescente, sobre o dinheiro”, considera. “Estimular hábitos de poupança também nas fases iniciais e de formação da criança e adolescente contribui para que ele chegue na fase adulta compreendendo ou lidando com o dinheiro de uma forma mais tranquila, o que é o grande desafio hoje”.

Felipe considera que muitas pessoas chegam à fase adulta superendividadas por não saberem lidar com as questões relacionadas ao orçamento, daí a importância de se refletir acerca do tema desde cedo. O professor reforça que a estratégia da educação financeira na infância e na adolescência ocorre de forma graduada.

“Quando a criança recebe o primeiro cofrinho lá na infância, já se tem um instrumento que, aos poucos, durante a sua formação, vai dando condições a ela de entender que a poupança é algo interessante”, considera. “O cofrinho é uma dica importante para introduzir a educação financeira para as crianças logo no início, a partir dos 5 a 6 anos”.

À medida em que a criança vai se desenvolvendo e, naturalmente, os pedidos começam a surgir, pode despontar outro instrumento apontado pelo professor como educativo no aprendizado financeiro, a mesada. “É o momento em que, normalmente, as crianças com 10 ou 12 anos começam a receber alguma quantia. Nesse período é muito importante que o pai e a mãe tenham uma capacidade de diálogo permanente com a criança. Não é recomendado facilitar demais a entrega do dinheiro para que a criança utilize de forma indiscriminada, até porque pode ser até perigoso”.

A partir da mesada - que pode ser ainda semanada ou quinzenada – é possível trabalhar no jovem a ideia de orçamento, na medida em que a estratégia possibilita que ele possa quantificar quanto ele vai ganhar naquele mês e o quanto poderá gastar.

“Isso já estimula a criança e o adolescente a ter uma compreensão, ainda que superficial, da ideia de orçamento, além de também combater os desperdícios”, aponta Felipe. “É preciso mostrar para a criança, também, que o consumo não pode ser desenfreado. Às vezes a criança tem um brinquedo e já quer um outro e aí entra o papel do pai e da mãe nessa educação também para o consumo nessa fase. Dizer não ao desperdício também é um instrumento de educação financeira nesse momento de formação da criança e do adolescente”.

Ainda na fase da adolescência, o mercado já oferece a possibilidade de emissão de cartão de crédito adicional. Também nessa estratégia, o que prevalece é a necessidade do diálogo e da orientação. “Não vejo problema nenhum do adolescente ter um cartão de crédito. O problema todo é forma como as pessoas utilizam o cartão de crédito no Brasil e, aí sim, você tem um grande problema porque se tem a segunda maior taxa de juros do mercado. A questão maior nesse caso do cartão de crédito é a atenção dos pais que precisa ser redobrada”.

Leia mais:

Pará vai inserir educação financeira no currículo das escolas públicas

Educação financeira começa a ser implementada nas escolas do Pará

CARTÕES

Por regra, os cartões disponibilizados aos adolescentes são adicionais, ou seja, estão ligados à conta de um adulto. A estrutura possibilita que os pais ou responsáveis possam fiscalizar o que está sendo consumindo pelo adolescente, além de servir como um instrumento de segurança para que ele não circule com quantias em dinheiro.

“Se bem utilizado, o cartão de crédito pode ser um instrumento interessante também para que o adolescente possa contabilizar no final do mês o seu orçamento. Verificar a fatura, os gastos mensais, a mesada ou o valor do estágio e articular esse orçamento para que ele feche”, aponta o professor. “Mas é interessante também que haja uma limitação. É claro que os padrões de consumo vão variar até pelos hábitos de consumo do núcleo familiar, mas é importante, sim, estabelecer um limite, até para que o adolescente tenha uma educação financeira de todos os meses estar cumprindo aquela limitação de orçamento”.

PARA UMA VIDA FINANCEIRA MAIS SAUDÁVEL NA FASE ADULTA

As conversas acerca de temas como dinheiro e economia começaram a fazer parte da vida de Artur Vidal Medrado Damasceno desde muito cedo, quando ele tinha ainda três anos de idade. Hoje, aos 9 anos, ele já está bastante habituado à prática de poupar.

Mãe de Artur, a servidora pública Carol Marques Medrado Damasceno, 38 anos, aponta que a família acredita na importância da educação financeira a partir do momento em que a criança começa a conhecer os números. “Desde bebê o Artur Vidal já tinha um ‘patinho cofrinho’, onde depositávamos as moedas que os avós e tios davam para ele”, lembra. “Em casa, nosso dia a dia envolve economias, por exemplo, lembramos sempre que devemos apagar a luz do ambiente que não tem ninguém, pois a economia na energia elétrica pode ajudar na próxima viagem. No supermercado, o Artur adora nos acompanhar e faz questão de comparar os preços e analisar o custo/benefício”.

Carol conta que já chegou a conversar com o filho sobre cartão de crédito e o seu uso, mas lembra que o próprio Artur considera que ‘cartão de crédito não é para criança, só a partir dos 18 anos’. Apesar de algumas instituições financeiras já oferecerem a opção, Carol acha que aos 12 anos ainda é muito cedo para uma criança ter acesso a um cartão de crédito.

O uso de jogos e brincadeiras lúdicas torna a educação financeira uma prática prazerosa para as crianças.
📷 O uso de jogos e brincadeiras lúdicas torna a educação financeira uma prática prazerosa para as crianças. |Mauro Ângelo/Diário do Pará

“Acredito que a partir dos 15 anos o adolescente já possa ter um cartão, desde que seja previamente definido com os pais para que finalidades será utilizado (lanches, materiais escolares, lazer, etc) e com um limite estabelecido”, considera. “Ainda não conversamos especificamente sobre mesada com o Artur Vidal porque ele ainda é muito novo. Sou a favor da mesada, pois é um instrumento que auxilia na educação financeira, ajuda a criança/adolescente a lidar diretamente com o dinheiro, como exemplo: quero comprar um jogo, vou economizar uma parte da minha mesada durante tantos meses para comprá-lo”.

Como a necessidade de lidar com a economia faz parte da rotina de qualquer pessoa, Carol conta que as orientações sobre educação financeira são repassadas ao filho de forma muito natural, em casa, durante os diálogos, momentos em família e até mesmo através de jogos de tabuleiro que auxiliam no aprendizado e na lida com o dinheiro, como Jogo Mesada, Banco Imobiliário, Jogo da Vida.

EXEMPLOS

“Adoramos jogar em família. A escola ajuda também. Ele gosta muito desses assuntos, compreende e sempre se interessa, sabe que é preciso guardar dinheiro mensalmente para eventuais emergências e para aquela sonhada viagem”, conta Carol. “O mais importante são os exemplos que os pais são para os filhos, pois de nada adianta falar, se na prática todos os meses é uma dificuldade fechar o orçamento. As crianças aprendem com os exemplos dos pais, da família”.

Os diálogos e os exemplos também são apresentados para Eva, de 5 anos, desde muito cedo e também de forma espontânea. Durante as idas ao shopping center ou ao supermercado, as primeiras conversas sobre planejamento e compras são iniciadas. “A abordagem vai da necessidade do momento de acordo com a idade dela. Primeiro nós fomos mostrando as coisas para ela. Nas idas ao shopping, apontávamos que não podemos comprar só o que a gente quer, que não podemos comprar por comprar, sem necessidade, que é preciso planejar”, conta a mãe de Eva, a pedagoga Elaine Quintela, 37 anos. “Também nas idas ao supermercado, antes da pandemia, nós costumávamos levar ela e explicar que não pode sair gastando desnecessariamente”.

Também no caso de Eva, a estratégia do cofrinho foi muito bem aceita. Elaine conta que a filha já tem o hábito de poupar e guardar as moedas no cofre. “Chegou a um certo limite o cofre dela e conversamos com ela que iríamos fazer as moedas circularem. Abrimos o cofre, contamos as moedas e a ideia é trocá-las por cédulas”, conta a pedagoga. “A ideia é irmos ao banco com ela e abrirmos uma poupança para guardar o dinheiro. Com isso ela já vai compreendendo como funciona uma conta eletrônica. Antes ela não entendia muito bem, achava que qualquer pessoa poderia ir ao banco e tirar o dinheiro, então fomos explicando que a pessoa precisa primeiro trabalhar e a partir dessas conversas ela vai começando a fazer a ligação”.

Falar sobre grana com crianças é fundamental 
📷 |Reprodução
VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

tags

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em Notícias Pará

    Leia mais notícias de Notícias Pará. Clique aqui!