Pela primeira vez na disputa pela Prefeitura Municipal de Belém, o médico ginecologista José Jeronimo de Sousa, 60 anos, é o candidato do Partido da Mulher Brasileira (PMB). Identificado nas urnas como Dr. Jeronimo, o candidato é o quarto, de acordo com a ordem de sorteio, a apresentar suas propostas ao Grupo RBA e que serão publicadas no DIÁRIO DO PARÁ. Jair Lopes (PCO) e Mário Couto (PRTB) não deram entrevistas.
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Afirmando que não está na disputa pelo cargo máximo do poder executivo municipal para fazer carreira na política, o candidato defende uma gestão descentralizada, com a definição de representantes da prefeitura por cada bairro e com a vice-prefeitura instalada no distrito de Mosqueiro. Com a promessa de, até o final do primeiro ano de mandato, executar todos os projetos sociais e de saúde previstos para a sua proposta de governo, Dr. Jeronimo aponta que, como médico, pretende dar o retorno que a população menos assistida de Belém não tem recebido nos últimos anos. Confira a entrevista.
Por qual razão o senhor decidiu seguir a carreira política agora?
R: Muita gente me pergunta se eu estou entrando apenas para fazer o meu nome para carreira política, para ser deputado estadual ou federal e não é isso. Eu apenas assumi uma missão que eu já venho fazendo dentro da política de bastidores há muito tempo, como médico. Eu tenho uma base de lideranças e essas lideranças chegaram comigo e disseram que o povo elege as pessoas e eles os abandonam e que, então, queriam contar comigo para Prefeito. Não estou financiado por nenhum empresário, nenhum político de nome e nem ninguém, só Deus está me ajudando. Eu sou médico, estou saindo da minha zona de conforto porque eu quero cumprir uma missão. Já que os políticos não resolvem, vamos ver se um médico resolve dar um feedback para a população que está sofrida há muito tempo. Belém, em 24 anos, praticamente não evoluiu nada porque, hoje, todos os candidatos têm solução para tudo e, no entanto, quando ganham a eleição essa solução se dissolve. Como nós não temos essa pretensão de fazer carreira, pretendemos pegar a Prefeitura de Belém, colocar nos trilhos, e entregar para a nova geração. Um dos meus projetos é fazer o saneamento básico não como sempre fizeram, do centro para a periferia, mas da periferia para o centro. Inclusive, na periferia eu pretendo fazer creches para que os pais tenham oportunidade de trabalhar, pretendo montar restaurantes alternativos, com preços simbólicos, porque as pessoas estão passando fome e eu quero erradicar a fome e a miséria de Belém. Então no mínimo uns dois restaurantes, dependendo do bairro, para que essas pessoas não passem mais essa necessidade. Também pretendo fazer o Prefeito do Bairro. Esse representante vai ser escolhido pela comunidade, com o meu aval, e vai me representar com a prerrogativa de Prefeito porque ele vai ter acesso direto aos secretários para atender à solicitude da comunidade. Fora isso, quero dizer que todas as famílias que tiverem renda de até um salário mínimo e meio serão perdoados de toda a dívida do seu IPTU e, a partir de primeiro de janeiro, estarão isentas de IPTU. Também temos um projeto chamado IPTU Verde, onde nós faremos, o desenvolvimento de projetos de energia alternativa, que no caso será a energia solar, fazendo com que haja uma redução na taxa de energia elétrica do cidadão de Belém de até 80%.
O sr. acredita que há recursos suficientes para fazer todas essas medidas?
R: Nós temos, além dos recursos que não são muitos, os programas de incentivo federal, internacional, ONGs, Bancos de Desenvolvimento Mundial e investimento estrangeiro através da ação social.
E na área da saúde? Como médico, que frentes o sr. acredita que precisam ser priorizadas para melhorar a saúde em Belém?
R: Coloquei como pauta principal o credenciamento das Clínicas Populares, onde você vai desafogar os postos de saúde, deixando os postos especificamente para os programas já existentes, programa de vacinação, preventivos, programas infantis, programas básicos. Quero incrementar ao PSF (Programa Saúde da Família) o atendimento multidisciplinar, acrescentando o jurídico e o psicólogo, porque a doença, às vezes, é jurídica. A pessoa está com um problema que ela não pode resolver porque precisa de uma medicação que só indo ao Ministério Público para conseguir. Eu quero, também, em Icoaraci, abrir um hospital - que hoje já existe e está desativado, um hospital privado, mas nós traremos para o serviço público - com urgência e emergência 24 horas, espaço para cirurgia eletiva e ambulatório de pequenos procedimentos. Vamos ativar, também, essa mesma plataforma para o Hospital Dom Zico, onde nós poderemos fazer as cirurgias eletivas, pequenos procedimentos e maternidade. Temos espaço e estrutura para isso, eu conheço o hospital. E nós pretendemos montar, por distrito, o Centro de Diagnóstico, que é um complexo somente de diagnóstico de exames especializados, incluindo exames de sangue, onde vai ter ultrassonografia, raio x, tomografia, ressonância, eletrocardiograma, densitometria óssea, todos os exames de diagnóstico por distrito. Esse programa pode ser feito através de incentivos dos Governos Municipal, Estadual e Federal. Ou nós poderemos solicitar aos nossos 17 Deputados Federais verbas para nós fazermos todos esses Centros de Diagnóstico. Então, eu acredito que Belém pode ter uma saúde digna, uma saúde mais confortável. Hoje nós temos uma saúde muito desconfortável.
O sr. acredita que é possível fazer isso em quanto tempo? Logo no início da gestão ou até o final dos quatro anos?
R: Nós teremos condições de fazer isso no máximo com uma projeção de após os 90 dias. Porque nós vamos pegar uma Prefeitura na qual nós precisamos ter entendimento do que está acontecendo, como está o Plano Plurianual, o dinheiro que foi destinado para esse setor. Além disso, nós temos, legalmente, três meses que não podemos fazer determinados contratos, então nós precisamos pelo menos de 90 dias para tomar conta da situação e já começar a fazer esse desenvolvimento. Até o final do primeiro ano nós faremos todos esses projetos que eu estou programando, todos, os sociais, os de saúde. Quanto aos de saneamento e macrodrenagem, que já são mais complexos - sabemos que vamos entrar janeiro, fevereiro e março, mas que em Belém chove até abril e, às vezes, até em maio e sabemos a dificuldade que nós vamos ter para fazer esses programas de drenagem, macrodrenagem, desobstruir canais nesse período que é chuvoso, difícil. Mas após esse período de inverno, nós começaremos a fazer esse tipo de serviço que é mais complexo, com saneamento, desenvolvimento para que a população mais carente possa ter acesso à água e esgoto. Eu não prometo que a gente vá fazer no mesmo ano, mas nós temos quatro anos para fazer. Belém tem 13% de saneamento. Espero que até o final do quarto ano de governo, nós consigamos fazer, pelo menos, 60% a 70% de todo esse trabalho de saneamento e macrodrenagem. Para isso, nós vamos contar com parcerias com o Governo Estadual, com o Governo Federal, independente de palanque. Acabou a eleição, não vai ter palanque. Não tem mais ‘A’ e nem ‘B’. Nesse momento acho que não existe mais uma visão partidária ou filosófica, tem uma visão humana. Nós fomos eleitos para fazer o que a sociedade está necessitando.
O sr. acredita que nesses quatro anos será possível enfrentar esses problemas?
R: Acredito que vamos enfrentar, sim, na medida do possível, mas pelo menos com algumas medidas paliativas e imediatas. Por exemplo, nos momentos de chuvas, nós temos previsão. Então, se tem uma previsão de que vai ter um temporal, nós temos que mobilizar a Guarda Municipal e a Semob para que vão para os pontos que são de alagamentos para não termos o transtorno que temos no trânsito. Antes da chuva, o profissional que está lá para orientar vai dizer ‘não entre naquela rua agora porque daqui a pouco vai chover e em 15 minutos você vai estar com o seu carro dentro d’água’ e, então, dar vias alternativas, permitir que as pessoas tomem uma precaução.
Para finalizar, por que o Partido da Mulher Brasileira traz como candidato à prefeitura um homem?
R: Primeiro, o Partido da Mulher Brasileira é uma sigla partidária, não é um partido feminino, onde esse partido prioriza a igualdade entre os sexos, dando ênfase à mulher. Então, além do consultório da mulher nós pretendemos criar a Patrulha da Mulher, que é um programa que já existe e onde dá uma prioridade, principalmente em relação à violência contra a mulher. Essa Patrulha da Mulher vai ser um bloco dentro da própria Guarda Municipal, especializado, onde vai ter um patrulhamento 24h, com jurídico, para o atendimento à mulher especialmente na agressividade. Esse é mais um programa que nós temos para a mulher. Muitas vezes se fala que o homem é provedor, mas a mulher na maioria das casas, a gente sabe que acaba sendo a provedora, acaba sendo dona de tudo, e ela vai precisar desse apoio.
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