No Pará, elas são a maioria aptas para votar. Totalizam 50,5% do universo de eleitores que podem ir às urnas para decidir quem vai representar a população no parlamento e na Administração pública. São 2,9 milhões de eleitoras. Por outro lado, ainda estão longe de ter a representatividade que merecem. Na Câmara Municipal de Belém, por exemplo, elas são apenas quatro do total de 35 vereadores. Apenas uma delas integra a mesa diretora que tem na sua formação seis homens.
Dados da Justiça Eleitoral indicam que em 2018, quando tivemos eleições para escolher deputados (estaduais e federais), governadores, senadores e presidente, as mulheres representavam 52,5% do total de eleitores em todo o Brasil – índice um pouco maior que em 2016, quando elas eram 52,21% dos brasileiros aptos para votar. Neste ano, dos 17.032 pedidos de candidaturas já aprovados pela Justiça Eleitoral, 15.571 foram feitas por homens à Justiça Eleitoral ou 66,1% do total, restando 33,9% para as mulheres, ou 7.982 candidatas.
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A primeira eleitora brasileira reconhecida pela Justiça Eleitoral foi a professora Celina Guimarães, do Rio Grande do Norte, em 1927, e no ano seguinte (1928), Lajes (RN) teve a primeira mulher a ser eleita prefeita no Brasil. Mesmo tendo se passado um século desde então, a liderança feminina ainda caminha a passos lentos. Do total de políticos eleitos em 2018, que foi a eleição mais recente, as mulheres são apenas 12,09% conseguiram ser eleitas em cargos políticos. Em 2016, foram 13,43%.
Nas ruas, em casa, nas organizações, a luta pela ascensão feminina ainda envolve muitas temáticas. Todas elas esbarram principalmente no machismo enraizado no país, segundo os estudiosos. A cientista política Simone Silva, por exemplo, observa que a própria sociedade, de maneira geral, ainda não vê a mulher como uma liderança. “Já se vê a mulher como chefe de família, mas pensar além disso depende de uma pressão externa muito forte”, destaca. “Existem barreiras impostas desde a infância, algumas delas colocadas como forma de Educação”, contextualiza.
No campo político, onde as mulheres não alcançam sequer a marca de 45% das filiações partidárias, o próprio sistema é uma barreira para elas. “Para uma mulher se candidatar, o primeiro desafio que ela enfrenta é consigo mesma. Ela tem que aceitar abrir mão de uma vida doméstica e ser submetida a um julgamento moram por causa da tomada de decisões”, pontua a cientista política, que levanta a questão de que os recursos de campanha são calculados por homens e estes ainda destinam os menores valores para elas poderem disputar o pleito.
“A mulher que assume uma liderança passa a ser perseguida moralmente. A legislação ainda é frágil, não garante amparo para a mulher, que precisa estar dentro de espaços de decisões para que haja mudança na política”, reitera Simone Silva. Ela lembra ainda que somente em 2007 foi que Justiça Eleitoral determinou que 30% das pessoas disputando as eleições fossem mulheres. A partir de 2009 passou a ser obrigatório que os partidos tivessem pelo menos 30% das filiações sejam de mulheres.
FORMAÇÃO
A curadora independente de artes cênicas, Heldilene Reale, 36 anos, costuma conversar com as amigas sobre a temática feminista. Reconhece as conquistas que a mulher tem alcançado ao mesmo tempo que ainda luta para ter concretizada a igualdade de direitos. “As mulheres ainda têm muito a vencer. Estamos com expectativas de cargos dentro do mercado que antes não nos davam. É um esforço para estarmos nesse mercado e mais ainda para termos salários iguais”, comenta.
A advogada Natasha Vasconcelos fundou o projeto Política para Mulheres que tem entre os objetivos trabalhar a formação das mulheres na política a partir das perspectivas feministas e de gênero. “São duas frentes de trabalho. Uma de capacitação e a outra focada nas políticas sociais”, ressalta. “A gente trabalha com abordagens sobre políticas e desigualdade de gêneros”, acrescenta ao lembrar da sub-representação da mulher. “No Congresso, o total de mulher ocupando os cargos é de 12% a 15% - um percentual bem abaixo da média na América Latina. Precisamos lutar para que a mulher tenha visibilidade”, conclui.
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