Ao andar pelas ruas de Belém é comum se deparar com calçadas quase que totalmente ocupadas por barracas de lanches, camelôs e até mesmo carros ou motos obstruindo o espaço. Quanto mais larga for a calçada, mais estas obstruções são encontradas. Isto, certamente, prejudica o direito de ir e vir dos pedestres, e se torna uma dificuldade maior para idosos e pessoas com mobilidade reduzida.
No bairro da Pedreira, na avenida Pedro Miranda com a travessa Mauriti, por exemplo, foi instalada uma cabine de lona para o cadastro de clientes de uma nova rede de lojas que chegará à capital, as Casas Bahia, e, ao lado, um banheiro químico. A instalação fica quase em frente uma Delegacia de Polícia e ocupa praticamente toda a calçada, impedindo a movimentação de pedestres.

Além disso, barracas de lanches, de frutas e de acessórios como sandálias, máscaras e roupas também disputam o espaço com o cidadão. “As calçadas daqui são todas ocupadas pelos vendedores. Temos de andar desviando das pessoas, de bicicletas e também de barracas e ambulantes. É uma disputa ferrenha, ainda mais no horário de pico, quando a maioria precisa sair para comprar alimentos”, ressaltou a doméstica Maria do Carmo Correa, 66.
NECESSIDADE
Por outro lado, há quem justifique o fato de utilizar esses espaços. É o caso da vendedora Ednea Santos, 58. Ela diz que trabalha no bairro há mais de 20 anos e todos os dias fica apreensiva com possíveis fiscalizações. “Eu trabalho aqui assustada. Se tivesse de escolher teria meu ponto físico, próximo de casa e não usaria a beira de uma calçada de feira. Mas é uma necessidade. Se não fizer isso não tenho como me manter”.
No Centro Histórico de Belém e na avenida Presidente Vargas o cenário não é diferente. Na rua Riachuelo, por exemplo, motos ficam estacionadas nas calçadas, atrapalhando o fluxo de pedestres, assim como na rua 28 de Setembro, que teve um espaço da via ocupada por ambulantes ao acomodarem uma pequena mesa para a venda de relógios, dificultando ainda mais o trânsito.
O enfermeiro Francisco Ferreira, 41, diz que “seria importante uma reavaliação do poder público acerca dessas obstruções, no entanto, acredito que em decorrência do cenário pandêmico e da crise econômica pela qual estamos passando, seria um momento mais complicado para agir”, argumentou.
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Há 52 anos trabalhando como flanelinha, próximo aos Correios, Benedito Neres, 62, também acredita que muitas pessoas que instalam barracas ou outros carros de venda nas calçadas acabam sendo levados a isso por conta da situação financeira. “Eu entendo que atrapalha o fluxo quando montam mais de três ou quatro barracas, por exemplo, pois tomam conta de um espaço maior. Mas acredito que muitos não têm como se manter e acabam usando as calçadas para realizar seu trabalho. Estamos em crise, com muitos desempregos. Tirá-los daqui não seria justo, por isso seria interessante que tudo fosse regularizado”, opinou.
Por meio de nota, a Prefeitura de Belém informou que a Ordem Pública Municipal, responsável pela fiscalização de espaços públicos da capital, está aumentando o quantitativo de equipes para retomar as fiscalizações e ordenamento. Em relação à ação da loja citada, situada na avenida Pedro Miranda, a Ordem Pública fará uma notificação.
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