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COSPE-FOGO

Artista dos semáforos chama a atenção e encanta nas ruas de Belém 

Artista dos semáforos da capital se destaca entre carros e motos por praticar a arte de “soprar” chamas para garantir um trocado diariamente. Conheça Edvaldo Freitas, mas que prefere ser chamado de “Cospe-Fogo”

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Imagem ilustrativa da notícia Artista dos semáforos chama a atenção e encanta nas ruas de Belém  camera Edvaldo, 34 anos, trabalha com pirofagia na avenida Almirante Tamandaré | Fernando Araújo/Diário do Pará

A apresentação começa quando a luz vermelha acende. A cena é rápida. Dura segundos até que a luz volte a ser verde e o público siga em velocidade considerável. O palco não tem uma acústica favorável, por isso o show dispensa efeitos sonoros. Por ser a céu aberto, a iluminação fica por conta do sol escaldante de Belém – que muitas das vezes parece ser até ingrato com o artista anônimo. Ninguém sabe como se chama, nem a trajetória dele. Tampouco onde aprendeu a fazer arte.

Edvaldo Freitas Oliveira, 34 anos, é um dos artistas de rua que muitas pessoas já viram nos semáforos da capital, mas poucas o conhecem. Ele adota como nome artístico “cospe-fogo” e faz a suas apresentações no cruzamento da avenida Almirante Tamandaré com a 16 de Novembro, no bairro da Campina.

Alega que aprendeu o que sabe com o irmão, quando ainda era criança e morava em Castanhal, no nordeste paraense. “Eu era espancado pelo meu padrasto. Na última surra que ele me deu, prometia me matar e eu consegui escapar, fugindo de casa porque ele ia me matar se eu continuasse lá”, conta sobre a sua vinda para a capital. Ele não fala se ainda mantém contato com a família.

A conversa ocorre durante os intervalos em que o sinal está aberto para o trânsito de carros. “Eu não gosto muito que filmem. Nem que batam fotos. Todo mundo que faz isso conta mentira sobre mim”, disse quando a equipe de reportagem se aproximava. Ficou desconfiado nos primeiros minutos, mas aceitou contar a história dele.

Edvaldo é um artista de rua que não tem paradeiro. Na verdade, é um excluído que tem fé. Tanto que antes de cada apresentação faz o sinal da cruz e pede proteção. “Trabalho com fogo, posso sofrer um acidente e Deus me protege. Antes de começar preciso molhar o meu cabelo e a minha roupa. Isto me dá mais segurança”, ressaltou enquanto subia na mureta do canal da Tamandaré para dar início ao seu show.

Perto dele, pequenas garrafas de cerveja contendo querosene. É o material que usa em seus espetáculos. As acrobacias de Edvaldo não são ousadas. O trabalho dele é mais voltado para a manipulação do fogo. Diz que conhece outras artes circenses, mas prefere ser o “cospe-fogo”.

TROCADOS

Nem todos os motoristas apreciam a apresentação. Estão mais ansiosos para que semáforo acenda a luz verde. Alguns, mais receosos, fecham as janelas do carro, enquanto outros abrem para dar uns trocados para o artista. “Só saio daqui se tiver conseguido fazer no mínimo 100 reais”, responde ao ser questionado sobre quanto ganha, em média, por dia.

Ele não disse para onde vai depois que encerra as apresentações. Na verdade, não quis dizer que mora na rua e na rua sobrevive. “Eu, à noite, vigio carros. Fico por aqui”, apontou para um galpão que está fechado. “O dono não gosta que eu fique por aqui, já ameaçou chamar a imprensa. Já teve gente que bagunçou o prédio”, apontou para as pichações na vidraça. “Mas eu não fiz isso”, prosseguiu.

Quando chove, Edvaldo não se apresenta nas ruas e para compensar o dia sem espetáculo sai para juntar latinhas e vender. “Assim que eu vou levando”, encerrou pedindo licença para a equipe porque tinha que continuar se apresentando. “O show não pode parar”, resumiu.

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