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Candidaturas coletivas ganham força para as eleições deste ano

Novidade no pleito eleitoral paraense, esse tipo de atuação formada por vários integrantes pretende democratizar as propostas e aumentar as pautas, principalmente voltadas para a juventude e periferia

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Imagem ilustrativa da notícia Candidaturas coletivas ganham força para as eleições deste ano camera A proposta da "Bancada Delas", formada também só por mulheres, envolve a busca por mais representatividade e força na disputa institucional. | Reprodução

Pela primeira vez, as Eleições Municipais no Estado do Pará contam com candidaturas coletivas para os cargos de vereador(a). Nesse esquema, uma única pessoa faz o registro de candidatura junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas pode exercer em grupo, em acordo informal, praticamente todas as atividades políticas - desde a campanha, exibindo inclusive fotos e nomes dos componentes nos materiais de divulgação, e até mesmo às decisões ligadas ao mandato, se eleito (a). Só a Região Metropolitana de Belém conta com pelo menos cinco propostas nesses moldes em 2020, estando a maioria concentradas na capital paraense.

Feminista e mestre em Serviço Social, Gizelle Soares de Freitas (PSOL) representa nas urnas a “Bancada Mulheres Amazônidas”. Assim como ela, as demais integrantes do coletivo, a professora e afroreligiosa, Mãe Jane; a líder comunitária, Fafá Guilherme; e a educadora popular Kamilla Sastre, fundadora da primeira Associação dos Estudantes com Deficiência da Universidade Federal do Pará (UFPA), militam em causas feministas, antirracistas e em outras questões que tratam dos direitos das mulheres, da inclusão, do respeito à diversidade e etc.

“Cada uma de nós tem uma militância bastante antiga aqui na capital. Queríamos uma ideia coletiva, e queríamos uma chapa de mulheres, de preferência negras. Elas três aceitaram, e foi muita conversa para chegarmos em sínteses, porque de fato é uma construção democrática, dialogada, e isso não é algo fácil”, admite Gizelle.

O corpo a corpo nas ruas não é a parte mais fácil da campanha, porém o fato de ser um grupo de pessoas chama a atenção daqueles que cruzam com a movimentação da bancada pelas ruas da Terra Firme, reduto de Mãe Jane. “Estamos enfrentando de tudo: tem quem nos xinga, briga, que diz estar desesperançado com políticos. Mas quando a gente fala em chapa coletiva de mulheres mesmo que as pessoas não entendam no primeiro momento elas param, ouvem, e a gente explica, de forma bastante didática, que oficialmente só uma de nós está inscrita, mas que uma não tem hierarquia sobre a outra, temos mesmo peso de decisão e fala”, detalha.

VOZES

O Coletivo Muda Belém tem Adriana Lopes (PSOL) como candidata oficial, e o reforço de Robson Luís Caxias, Alessandra Venturinny e Millena Wanzeller. Saúde, Educação, a causa animal e a atenção aos LGBTQIA+, crianças, idosos e mulheres estão nas propostas do quarteto. “A construção da nossa campanha se deu de forma muito bonita. Estamos conversando desde o ano passado sobre a candidatura e acabou que essas três pessoas toparam. A primeira reação que sentimos dos eleitores foi a dúvida e a surpresa. A verdade é que muita gente não sabia dessa possibilidade de uma candidatura coletiva, veem como algo novo, embora já seja uma realidade em outros estados”, confirma. De acordo com a Rede de Ação Política pela Sustentabilidade (Raps), as candidaturas desse modelo existem desde 1995. Há poucos mandatos coletivos no Brasil, atualmente são 20 no país todo.

Saúde, Educação, a causa animal e a atenção aos LGBTQIA+, crianças, idosos e mulheres estão nas propostas do Movimento Coletivo Belém
📷 Saúde, Educação, a causa animal e a atenção aos LGBTQIA+, crianças, idosos e mulheres estão nas propostas do Movimento Coletivo Belém |Reprodução

A ideia de que várias cabeças pensam melhor do que uma move a vontade de Adriana de chegar à CMB. “Quando nós temos quatro pessoas que são diferentes, então cada uma vai dar sua ideia, e todos vão atuar junto comigo. É ouvir um número maior de pessoas e dar vazão a mais vozes, mais necessidades”, avalia a candidata

Ellana Silva (PC do B) é cientista social, ativista pela educação, e representa a Bancada Delas, que conta ainda com a artista e ativista LGBTQIA+ Leona; com a estudante de Pedagogia, Victoria Santos; e com a estudante de Serviço Social, Rozeleide Mafra. A proposta de um grupo formado também só por mulheres envolve a busca por mais representatividade e força na disputa institucional. “A política é um espaço desigual e como somos pobres, a disputa é muito desleal, logo, nossa força está na coletividade. Estamos lutando para que nosso projeto chegue a mais pessoas e tenhamos uma política mais humana para nossa cidade”, reforça o coletivo.

A "Bancada Mulheres Amazônicas" milita em causas femininas, antirracistas e em outras questões que tratam dos direitos das mulheres, da inclusão, do respeito à diversidade e etc.
📷 A "Bancada Mulheres Amazônicas" milita em causas femininas, antirracistas e em outras questões que tratam dos direitos das mulheres, da inclusão, do respeito à diversidade e etc. |Reprodução

JUVENTUDE

Richard Callefa (PC do B), Alessandra Fernandes, Lucas Paixão e Gessica Ferreira se apresentam integrantes do Movimento Coletivo Belém, uma proposta de representação da juventude para o parlamento municipal. Com ideias para melhoria da Educação, da Saúde, sobre o direito à cidade e sustentabilidade, eles acumulam uma trajetória iniciada dentro do movimento estudantil e no movimento LGBT.

“Fizemos uma reflexão e acho que para o formato que a gente estava construindo, a melhor saída seria uma candidatura coletiva, porque éramos muitos mais do que pessoas - estávamos aglutinando causas, várias bandeiras de luta, várias demandas de pessoas comuns. Era o que poderia representar essa desconstrução do personalismo na política, do dirigismo, do mandonismo e dialogar com o sentimento de renovação efetiva da política em Belém”, explica Richard, que representa a candidatura na urna eletrônica.

Os quatro moram na periferia de Belém, sendo que três são da militância LGBT e unidos. A vontade era uma só: defesa das lutas, pelo direito de sair, pelo direito de amar e de trabalhar de forma coletiva. “Quando a gente tem dialogado que é uma candidatura coletiva de juventude, pautando os problemas da cidade, tem recebido devolutiva de apoio muito importante e significativo”, admite o candidato.

Candidaturas coletivas ganham força para as eleições deste ano
📷 |Reprodução
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