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CANDIDATOS

“Sonho com uma Belém que foi perdida no tempo”, diz Gustavo Sefer

O deputado estadual Gustavo Sefer, na Prefeitura, quer congelar impostos municipais, zerar filas de hospitais e até projetar um metrô para a capital. Ele diz que recursos para esses projetos virão da economia com a redução de secretarias

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Imagem ilustrativa da notícia “Sonho com uma Belém que foi perdida no tempo”, diz Gustavo Sefer camera Sefer diz que faz parte da renovação na política | Celso Rodrigues

Com a promessa de ‘virar a página e construir uma nova Belém’, o deputado estadual Gustavo Sefer, 30 anos, disputa pela primeira vez o cargo de Prefeito de Belém pelo Partido Social Democrático (PSD). Gustavo Sefer já foi candidato a vereador por duas vezes, sendo eleito no ano de 2016. Antes de concluir o mandato, concorreu pela segunda vez ao cargo de deputado estadual, sendo eleito em 2018. Agora, concorre ao cargo máximo do poder executivo municipal com a proposta de, no prazo de um ano, zerar todas as filas de espera em hospitais e postos de saúde da capital paraense.

O candidato é o oitavo, de acordo com a ordem de sorteio, a conceder entrevista ao Grupo RBA e ao DIÁRIO para apresentar suas propostas para a gestão de Belém. Durante a entrevista, Gustavo Sefer falou que, se eleito, pretende reduzir o número de secretarias através da extinção ou da fusão de órgãos, congelar todos os impostos municipais e atuar a partir de um enfoque administrativo, trabalhando para o agora, mas também pensando no longo prazo. Confira a entrevista.

O seu programa de governo fala na necessidade de se ‘construir uma nova Belém’. Que Belém seria essa?

R: As últimas três prefeituras que passaram por Belém tiveram um prefeito com perfil unicamente político e o resultado foi que a nossa Prefeitura, a máquina pública inchou muito com a criação de muitos cargos desnecessários, mas importantes para atender a parceiros políticos. Hoje, praticamente toda a arrecadação da nossa cidade vai para a manutenção da máquina pública, para manter as secretarias e os funcionários, então Belém precisa virar a página e eu acredito que com um prefeito que, obviamente, entenda o lado político, mas que tenha um lado administrativo primordial ela vai conseguir isso. É essa experiência administrativa que nós pretendemos levar para dentro da Prefeitura e, já de início, nós iremos reduzir de 34 para 25 o número de secretarias. Isso acarretaria em uma economia de cerca de 30%, valor esse que precisa ser investido no que é urgente e necessário.

O sr. fala também em zerar as filas de espera nos hospitais e em postos de saúde. Como o sr. acredita que é possível fazer isso e em quanto tempo?

R: Belém, hoje, tem milhares de pessoas aguardando consultas, exames e cirurgias. São pessoas que estão no seu momento mais debilitado, precisando urgentemente de atenção do poder público. Nossa proposta vai conseguir, em um ano, zerar todas as filas de Belém através de parcerias entre a Prefeitura e os hospitais particulares que já existem. Eu tenho visto alguns candidatos prometendo que vão construir novos hospitais, hospitais que, na verdade, só ficariam prontos daqui a 4 a 5 anos, levariam milhões de reais e não resolveriam o problema de hoje em Belém. Nós vamos fazer uma parceria para que esses hospitais que já existem, que já têm as suas estruturas prontas, com médicos e equipamentos, que estão prontos para atender à população, possam atender não só os pacientes particulares e dos planos privados, mas que possam atender também ao paciente do SUS. Isso é possível, isso já foi feito em outros lugares, até porque esses hospitais têm os seus horários em que ficam ociosos, então, dessa forma, a gente tem condições de maneira rápida e por um custo muito mais barato - porque não vai precisar de investimento para construir um novo hospital – resolver o problema das filas em Belém.

No caso das UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) a administração seria através de Organizações Sociais sem fins lucrativos (OS)?

R: Nós já temos OS aqui em Belém. Vamos ter que analisar esses contratos, ver se as OS que estão à frente dessas unidades de saúde estão cumprindo as metas e nós vamos fazer uma reavaliação do quanto a Prefeitura tem condições de administrar essas UPAs, mas uma opção, sim, é pela terceirização do serviço, desde que garantindo um custo mais barato para a Prefeitura do que o que é trabalhado hoje e desde que a terceirização tenha metas a serem cumpridas.

Na área da mobilidade urbana, uma de suas propostas é a realização de estudo para a instalação de um metrô de superfície em Belém. Como o sr. acredita que uma obra dessa magnitude pode ser encampada pela Prefeitura de Belém?

R: O BRT surgiu como a grande solução para o nosso problema e, hoje, 12 anos depois, nós percebemos que todos nós fomos enganados porque a parte que está entregue não funciona e não resolveu o problema da mobilidade urbana em Belém. Eu vou terminar o BRT, esse é um compromisso até em respeito aos milhões que já foram gastos da população, e nós vamos repensar a estratégia de funcionamento desse BRT para que ele possa ser útil para a nossa sociedade. Em paralelo a isso, acredito que a única solução definitiva para o problema da mobilidade aqui em Belém seria a alternativa de um metrô, que pode ser pelo subsolo ou por superfície. Obviamente que essa é uma obra demorada, necessita de um investimento gigantesco e Belém não tem condições para realizar, por isso que no meu plano de governo está o compromisso de iniciar o estudo, ver se é possível, qual seria a rota ideal, qual seria o custo, por onde a gente iria para conseguir esse investimento. Seria uma herança positiva para o próximo gestor e, principalmente, para as próximas gerações da nossa cidade. Também não é compromisso meu, não estou dizendo que eu vou construir um metrô em quatro anos aqui em Belém, mas alguém precisa iniciar esse estudo. Cidades aqui do Brasil menores que Belém já possuem metrô e a nossa cidade, que é rodeada por rio, não tem mais condição de ter mais veículos dentro das nossas ruas, nós precisamos de meios alternativos.

Um dos desafios da gestão municipal de Belém está nas políticas de saneamento básico. Como o seu governo pretende atuar nessa área, caso o sr. seja eleito?

R: O saneamento básico envolve uma série de outros fatores. Gostaria de começar falando da educação ambiental. Hoje a Secretaria de Meio Ambiente do município tem uma única função que é fazer poda nas árvores de Belém e liberar licença ambiental para empreendimentos, quando, na verdade, ela poderia estar fazendo educação não só nas escolas, mas também nos bairros. Educação para as pessoas sobre a importância que cada um tem na preservação de uma cidade limpa, orientando sobre coleta seletiva, destinação correta do lixo, para evitar que os nossos canais e bueiros continuem como estão, com esse lixo amontoado em todos os lugares de Belém. Eu acredito que a população educada ambientalmente, a prefeitura conseguindo fazer uma coleta regular do lixo, com horário marcado, dia certo, e chegando a todas as ruas de Belém, nós vamos diminuir o número de lixo que ainda entope os nossos canais. Em paralelo a isso, a Prefeitura vai ter que terminar de uma vez por todas essas obras de macrodrenagem que já duram anos e fazer um marco de saneamento, drenagem e pavimentação aqui em Belém para que a partir daqui a gente possa, naturalmente, vendo o que é mais urgente e o que é prioridade, trazer dignidade para essas pessoas que pagam o seu IPTU, pagam os seus impostos e veem muito pouco de retorno por parte da Prefeitura.

Em relação ao IPTU, inclusive, uma de suas propostas é o congelamento desse imposto. Esse congelamento será irrestrito para todas as faixas de renda? Ele não pode comprometer o orçamento do município?

R: Não só o IPTU. Nós vamos congelar todos os impostos municipais. A população não aceita mais aumento de imposto. Essa é uma prática que foi comum pelos últimos prefeitos. Quando veem a necessidade de arrecadar mais, pensam em só um caminho, o de aumentar o imposto, quando, na verdade, você tem vários outros caminhos. Um deles é o exemplo que eu dei de reduzir em 30% o gasto hoje com a máquina pública de uma Prefeitura que vai funcionar muito mais. Nós temos, também, outras alternativas, estratégias de arrecadação que não envolvem o aumento de imposto, como, por exemplo, incentivo a empresas que querem vir para cá gerar emprego e renda para a nossa cidade. Nós vamos buscar sempre alternativas possíveis para aumentar a arrecadação, diminuir o custo da Prefeitura, mas sem aumentar nenhum imposto em Belém.

Para finalizar, o que o sr. acredita que a sua gestão pode trazer de diferente do que já foi feito até hoje por Belém?

R: Belém tem uma oportunidade muito boa agora de, realmente, escolher um prefeito novo, que não tem vínculo político com ninguém, que não é uma cara nova atrás de uma velha raposa, e sim uma renovação jovem de verdade. Já passei a experiência de ser vereador de Belém, deputado estadual, sempre morei em Belém, conheço a realidade de todos os bairros de nossa cidade e sonho com uma Belém que foi perdida no tempo, que foi mal cuidada e que precisa trazer de volta o brilho no olhar das pessoas porque o que nós temos de melhor aqui em Belém são as pessoas e as pessoas precisam de um Prefeito que se coloque no lugar de cada um, que sinta as dores e os sofrimentos e se comprometa a resolver para agora porque o que dá para resolver agora, tem que ser para agora; o que não dá para agora tem que ter um planejamento de médio ou longo prazo, mas que todas as gerações que moram em Belém saibam que vão ter um Prefeito com noção administrativa e que vai trabalhar na cidade para agora e também pensando no longo prazo.

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