Diante de crises, os empréstimos financeiros tem sido uma solução buscada por muitos para arcar com outras dívidas. Entre as muitas opções existentes, o empréstimo consignado, comumente usado por aposentados e pensionistas, tem sido um dos mais procurados.
Segundo o Banco Central, somente em dezembro do ano passado os valores negociados aos clientes alcançaram o montante de R$ 138,7 bilhões. Apesar da aparente solução aos problemas financeiros, o recurso pode fazer com que a pessoa se afunde ainda mais em dívidas.
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O consignado possui taxas de juros mais baixas em relação a outras transações financeiras, já que a instituição financeira não encara a negociação como risco pois vai descontar as prestações em até 30% do salário ou do benefício do cliente de maneira automática. “Esse valor é deduzido da renda mensal de quem faz esse empréstimo. Ou seja, a instituição vai receber de forma garantida o pagamento desse empréstimo por parte do cliente”, explica Ana Ferrari, educadora financeira.
Mas, se o recebimento é certo pelas instituições financeiras, o mesmo não pode ser dito a quem fez a contratação do empréstimo financeiro, sobretudo se ele não tiver a consciência de que não irá receber o salário ou benefício de maneira integral. “Essa pessoa já vai ter as parcelas para serem pagas, que vai comprometer 30% do salário e vai usar outras linhas de crédito, então, vai aumentar ainda mais as dívidas”, completa Ana Ferrari.
Ainda de acordo com educadora financeira, outro risco de se envolver em mais dívidas é fazer a contratação para terceiros, uma vez que, para todos os efeitos, a dívida será cobrada pela instituição ao titular da solicitação. “A instituição financeira não precisa saber que a pessoa que solicitou o empréstimo vai repassar o valor adiante. Portanto, se o solicitante não receber da pessoa que ele emprestou seu nome, ele vai herdar essa dívida”, detalhou a economista.
DEMISSÃO
Outro risco existente em relação ao empréstimo consignado atinge clientes empregados em empresas privadas. O motivo se explica pelo fato desse trabalhador não ter estabilidade no emprego e herdar uma dívida sem ter renda para quitar. “A instituição financeira será notificada do desligamento e vai descontar do valor da rescisão contratual deste trabalhador. Se não for suficiente para quitar todo o valor do empréstimo, ele vai ter que negociar diretamente com a instituição sobre o restante da dívida”, lembra.
Ela aconselha que a pessoa precisa fazer um planejamento financeiro. “A primeira coisa que a pessoa deve ter em mente é lembrar que ela vai ter o salário comprometido e qualquer outra utilização de linhas de crédito que ele venha a fazer vai complicar ainda mais seu orçamento, sabendo que ele ainda tem as obrigações mensais e rotineiras”, concluiu Ferrari.

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