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SOLIDARIEDADE

Dia do voluntário: uma vida dedicada para ajudar os outros

No dia do voluntariado, comemorado hoje, o DIÁRIO mostra exemplos de pessoas que cedem parte do seu dia a dia para levar alimentos, brinquedos e sonhos para quem precisa, nem que seja de uma mão amiga

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Imagem ilustrativa da notícia Dia do voluntário: uma vida dedicada para ajudar os outros camera Evely Moura aproveita o horário de almoço no trabalho para ajudar as pessoas que vivem em situação de rua | Fernando Araújo

O 5 de dezembro é considerado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Dia Internacional do Voluntário, que se dedica a trabalhar para transformar realidades sociais, sem receber nenhuma remuneração em troca. Não existe nenhum dado estatístico sobre quantos benfeitores aplicam uma parte do próprio tempo para ajudar ao próximo de forma gratuita – movidos apenas pelo gesto de fazer o bem. No entanto, os voluntários estão por toda parte, atuando na doação de alimentos para pessoas carentes ou executando projetos de cultura, esporte e lazer na comunidade.

Em Belém, a delegada aposentada da Polícia Civil Silvia Cruz está há 15 anos como presidente voluntária do Abrigo São Vicente de Paulo que acolhe cerca de 30 idosas, no bairro da Pedreira. “É como se fossem minhas filhas”, comenta, ao descrever a relação delas com as “vovós”. Para ela, ser voluntária é atuar na certeza de que está fazendo a diferença na vida de outra pessoa. A história dela é de superação.

Silvinha, como é chamada entre os amigos e demais voluntários da instituição, acredita que a missão de presidir uma instituição do porte do asilo foi uma dádiva dada por Nossa Senhora, a quem não esconde a devoção. “Minha família sempre esteve predisposta a ajudar as pessoas. Meus pais, religiosos, tinham uma rotina baseada em ajudar o próximo”, atentou a dirigente do abrigo.

Na década de 1990, quando casou, a voluntária descobriu que não poderia ter filhos. Silvia iniciou o tratamento para ser mãe e durante esta fase foi diagnosticada com uma doença grave, cuja a cura dependia do transplante de fígado. Tentou tratamento em São Paulo (SP), mas foi em Porto Alegre (RS) que conseguiu fazer o procedimento que lhe garantiu uma nova oportunidade de viver. “Passada a etapa do pós-cirurgia de transplante, me perguntava como eu poderia retribuir o transplante, a essa nova vida que Deus me concedeu”, perguntava-se.

“Certo dia passei em frente ao abrigo vi a capela e entrei. Estava sendo realizado o Cenáculo de Maria e uma senhora me pediu para ler um texto. Era, na verdade, uma mensagem de Nossa Senhora sobre servir ao próximo, sobre ser voluntário. Eu entendi aquilo como um sinal de Maria (Mãe de Jesus) para mim”, prosseguiu Silvia. “As pessoas dizem que voluntário não ganha nada, mas o maior retorno que a gente ganha é um abraço, um carinho. Quando a gente se doa a gente ganha a gratidão de uma pessoa por termos feito a diferença na vida dela”, encerrou.

QUENTINHAS

É comum andar pelo centro comercial de Belém e se deparar com homens e mulheres vivendo em situação de rua. E, enquanto algumas pessoas desviam o caminho para não passar próximo dos sem-teto, outros fazem questão de tentar conquistar a confiança deles. A estudante de Fisioterapia Evely Moura é uma das que faz questão de se aproximar dos moradores de rua.

Desde 2016 ela é voluntária do projeto Missão Belém que presta assistência aos excluídos. “A gente doa sopa, cobertores, agasalhos e roupas para ajudar. Quando comecei a participar destas ações, sempre dava vontade de fazer mais”, ressaltou a voluntária. “Sempre que a gente doava, dávamos a bênção e uma vez um senhor me disse que ‘Deus só lembrava dele aos sábados e domingos que eram os dias em que a gente dava alimentos para eles e agasalhos’. Essa fala dele me tocou profundamente”, prosseguiu.

Hoje, Evely aproveita o intervalo do trabalho para levar almoço para uma pessoa em especial. Trata-se de um homem que aparenta ter aproximadamente 55 anos de idade e que vive numa calçada próxima ao Espaço Palmeira. “Os relatos são de que ele vive por aqui há uns 40 anos e ninguém sabe nada sobre ele, tampouco sobre a família. Nós, voluntários, é que somos uma família para ele”, disse. “Acho que isso é que faz a diferença nas nossas ações. Somos a família de quem não tem mais família”, concluiu.

Aline Martyres já organiza os brinquedos que serão doados para crianças do bairro do Aurá
📷 Aline Martyres já organiza os brinquedos que serão doados para crianças do bairro do Aurá |Fernando Araújo

Aos poucos, o espaço na sala da casa da pedagoga Aline Martyres está sendo ocupado por brinquedos. São presentes, na verdade, que, em poucos dias, serão entregues para 138 crianças que moram no bairro do Aurá, em Ananindeua. Aline é vice-presidente voluntária do grupo Pará Solidário que presta apoio a famílias carentes e moradores de rua na Região Metropolitana de Belém. “Sempre trabalhei com ações voluntárias no período natalino. Nos últimos dois anos, ver o aumento do número de venezuelanos em Belém, com suas crianças nos semáforos, me sensibilizou e eu passei a fazer parte de um grupo que prestava apoio a eles”, relata. “Com o passar do tempo e a chegada de mais pessoas dispostas a ajudar (também voluntárias) o nosso trabalho teve um alcance maior e tudo o que gente faz traz mudanças para a vida das pessoas”, prossegue Aline.

Por causa da pandemia, o grupo dela deixou de distribuir a sopa pronta em comunidades carentes, mas passou a entregar pequenos kits de alimentação, uma mini cesta básica para ajudar as famílias. “O nosso grupo também busca padrinhos solidários para ajudar crianças. Com isso a gente consegue ajuda para que crianças em situação de vulnerabilidade recebam atendimento médico, tenham acesso a aulas de reforço. O mundo se abre para a gente e a gente abre o mundo para outras pessoas, que precisam do apoio de todos”, define, sobre ser voluntária.

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