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Cesta básica tem aumento pelo 4º mês seguido em Belém

O valor chega a R$ 486,50 na média na capital em novembro, segundo o Dieese. Óleo de soja e tomate puxam alta, com até 16% de reajuste

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Imagem ilustrativa da notícia Cesta básica tem aumento pelo 4º mês seguido em Belém camera Samuel e Davia têm pesquisado marcas diferentes para poder economizar no supermercado | Antônio Melo

O carrinho de compras nos supermercados da aposentada Lídia Freire, 55 anos, vem com menos itens há pelo menos quatro meses. O motivo se deve ao reajuste do preço da cesta básica em 4% em novembro, que equivale hoje ao valor de R$ 486,50. Já é o quarto mês seguido de reajustes nos produtos, segundo a pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos do Pará (Dieese-PA), nos supermercados da Região Metropolitana de Belém (RMB).

A preocupação da aposentada seria que o valor da cesta básica, durante o mês de novembro, compromete 50,33% do valor do salário mínimo de R$ 1.045,00. “Coitado de quem ganha apenas um salário mínimo para comprar esses produtos básicos de alimentação, ainda mais se a família dele for composta por várias pessoas”, lamentou.

Para os consumidores, entre os produtos da cesta básica que mais apresentaram aumento e, consequentemente, fizeram com que eles diminuíssem estão o arroz, óleo de cozinha e a carne. “Não tem como não notar o aumento de preço desses produtos, tanto que faz a gente comprar eles em menor quantidade, senão vai prejudicar a compra de outros básicos”, declarou Arlindo Lopes, 44, empresário.

Os produtos citados pelos consumidores estão na lista do Dieese-PA que resultaram no aumento da cesta básica na RMB, no mês de novembro. Segundo a pesquisa, o óleo de soja sofreu o reajuste de 16,64%, seguido do tomate com alta de 9,11%, o arroz com aumento de 6,28%, carne bovina reajustou 6,01%, café com alta de 4,95%, manteiga com acréscimo de 2,16% e o açúcar, que está 1,45% mais caro.

ACÚMULO

Ainda de acordo com o Dieese-PA, a alta nos produtos ocorre tanto de janeiro a novembro de 2020, com acúmulo de 17,48%, como no apanhado dos últimos doze meses, que aumentou 27,60%. Esse período foi puxado, principalmente pela alta do preço do óleo de cozinha, que teve aumento de 104,41%, seguido do arroz, em 85,28% e feijão (55,95%).

Nesse sentido, resta aos consumidores pesquisar. “A gente tem pesquisado mais, comparado as marcas dos produtos, para saber qual a mais em conta para não deixar de comprar outros itens. E, olha que somos apenas nós dois em casa”, concluiu o casal Samuel Kyei e Davia Peart.

Carne vermelha pode ser substituída por outros alimentos

Em 12 meses, a carne vermelha sofreu um reajuste de quase de 33% no preço comercializado em açougues e supermercados da Região Metropolitana de Belém, segundo o Dieese/PA. Os dados indicam ainda que uma pessoa gasta, em média, R$ 124,29 por mês comprando carne – este valor corresponde a R$ 12,86% de um salário mínimo. Na tentativa de economizar na hora de fazer compras o repositor Raul Martins, 38, diz que tem comprado mais frango. “A gente pesquisa, pechincha, procura, mas não dá. A carne vermelha está cara e o jeito é optar pela carne branca (frango e peixe)”, disse, enquanto listava o preço dos alimentos para a próxima compra. “Esta lista que estou fazendo é para comparar com o preço dos produtos de outro supermercado que vou passar depois”, prosseguiu.

A nutricionista Carolina Sales ressalta que é possível, sim, substituir a carne vermelha por outros alimentos e que essa mudança pode ser benéfica à saúde dos indivíduos. “A carne vermelha é da família das proteínas e ela pode ser substituída por outra proteína animal. Nesse caso, a pessoa pode trocá-la por frango, por peixe e até camarão”, sugeriu.

A substituição também pode ser feita por proteína vegetal, segundo a nutricionista. Neste caso, a pessoa passa a aderir a soja, por exemplo, na dieta. “Soja, grãos de bico, lentilhas são alimentos ricos em proteínas e até fibras”, atentou. “Sem esquecer que os legumes também são alimentos importantes e podem substituir a carne”, acrescentou a nutricionista. “O ideal é que a pessoa coma carne vermelha duas vezes por semana, e a substituição do alimento tem que ser equilibrada”, reiterou a especialista.

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