Se tivesse sido executado, o Projeto Marina Belém, da Prefeitura da capital paraense, daria uma cara nova à área onde se localizava a antiga sede do Iate Clube, na Avenida Bernardo Sayão, no bairro da Condor. Mas não foi o que aconteceu. Do que estava previsto, como academia ao ar livre, espaço pet, piscinas, calçadão, playground, centro comercial com lojas e praça de alimentação, apenas as quadras poliesportivas foram construídas e, ainda assim, bem diferentes do que consta na maquete original na página do projeto.
No local onde ficava a sede do clube, nem sinal de obra. O mato toma conta do lugar assim como o lixo, para o desgosto dos moradores que, com o final da gestão municipal atual, já não têm esperanças de ver pelo menos uma parte do projeto concluída.
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Da área total prevista de 71.840m², apenas uma pequena parte do que seria o calçadão está sendo feita, exatamente em frente da Unidade Coordenadora do Programa de Saneamento da Bacia da Estrada Nova. No início da semana, apenas dois funcionários da empreiteira trabalhavam no local da calçada, embora exista uma placa genérica próximo informando sobre a reforma de logradouro no valor de R$ 780.000 com início em outubro de 2020 e prazo final para entrega em dezembro de 2020, sem mencionar, no entanto, o Projeto Marina Belém.
Dono de um pequeno comércio na Avenida Bernardo Sayão, bem em frente a área prevista para a execução do projeto, Miguel Carvalho reside no local há mais de quatro décadas. Viveu os tempos áureos do Iate Clube e ainda hoje guarda com carinho a carteirinha de sócio. “Era muito bonito, tinha muitos shows, uma coisa grandiosa mesmo”, recorda.

Ele conta que apesar de morar lá há muitos anos, nunca soube nada sobre o Projeto Marina Belém e que também nunca viu placas informando sobre a obra. “Tudo o que fizeram até agora foram essas quadras e uma parte da calçada só com areia, agora que estão colocando uns blocos”, reclamou.
O projeto prevê ainda que na área fosse mantida a função de abrigar marinas públicas, píeres e garagem náutica, mas o que existe no lugar é um espaço sendo usado pela iniciativa privada como garagem náutica também batizada de Marina Belém, murada e fechada. “Quem comanda é uma empresa de Barcarena, eu mesmo tenho uma lancha que pago para ficar aí, calculo que esses aluguéis rendam pelo menos uns R$ 180 mil por mês para a empresa”, contou.
Apesar de morar em uma casa de madeira de dois andares também localizada bem em frente ao antigo clube, Antônio Souza disse nunca ter ouvido falar no projeto. “Olha não me recordo de ter visto nada desse projeto. O que tem é um estacionamento de barco com esse nome aí, mas é só isso”, contou.
Ele reclama que a área – referente ao que seria o projeto – está totalmente abandonada. “Agora está tudo tomado pelo mato, há despejo de lixo irregular e a piscina está suja”, ressaltou.
PROJETO
De acordo com a página do projeto, a Prefeitura Municipal de Belém, através da Companhia de Desenvolvimento e Administração da Área Metropolitana de Belém (Codem) desenvolveu estudos básicos evidenciando o potencial de aproveitamento do espaço, que serviriam de parâmetro e referência a possíveis parcerias. “A ideia é criar na área a Marina Belém, composta por diversos espaços para atividades de uso público, que serão construídas e administradas pela iniciativa privada e divididas em setores: marina e garagem náutica, centro comercial, espaços de esporte, alimentação e lazer e diversos tipos de atividades ao ar livre, podendo ser analisadas outras proposições compatíveis com a vocação do espaço”, descreve.
O objeto do projeto seria “reincorporar à cidade uma área que se encontra subutilizada, visando prioritariamente o bem-estar social, através de parceria com o setor privado. A Prefeitura lançou como diretrizes e/ou premissas, uma requalificação de uma área de 71.840m², a qual atenderá a uma carência de espaços de lazer na orla de Belém”, cita.
O projeto é assinado pelas arquitetas Marilena Mácola Marques e Amanda Moura Pinheiro, ambas da Codem.
SEM RESPOSTA
A reportagem do DIÁRIO entrou em contato com a assessoria de comunicação da Prefeitura de Belém para saber sobre o andamento da obra, mas, até o fechamento desta edição, não obteve retorno.
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