Diante de um ano de grandes desafios impostos pela situação de pandemia, o sistema educacional no mundo todo enfrentou adaptações para garantir a oferta das atividades da maneira possível, com o auxílio dos recursos tecnológicos. Para o ano de 2021 e com adaptações já implantadas, algumas escolas de Belém chegam a oferecer até 50% de desconto para as mensalidades de 2021.
As demarcações de distanciamento instaladas no chão, o álcool em gel disponibilizado logo na entrada, o aviso para o uso de máscara e as pias instaladas na área externa para a higienização das mãos são parte da série de mudanças adotadas, ao longo do ano letivo de 2020, na escola voltada para a oferta de creche, educação infantil e ensino fundamental, o Centro Educacional Minha Infância (CEMI),no bairro do Marco.
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Mesmo com todos os cuidados, a situação atípica imposta pela pandemia inevitavelmente levou à diminuição do número de alunos matriculados, cenário repetido em toda a rede de ensino. Para amenizar os efeitos, além das adequações necessárias, a escola acredita na oferta de descontos como medida para atrair os alunos para o ano de 2021.
“O ano de 2020 foi muito complicado, como foi para todo mundo. Tivemos uma perda de cerca de 70% no número de alunos matriculados. Somente na creche nós tínhamos 70 crianças, hoje estamos com 20”, estima a proprietária e diretora da escola, Josiane Fadel. “Para recuperar esses alunos a solução que vimos foi a oferta de 10% a 50% de desconto nas matrículas e não teremos reajuste da mensalidade em 2021”.

Josiane aponta que, até o momento, as promoções nas matrículas têm chamado a atenção dos pais de uma forma positiva. A expectativa é que, com os descontos e a perspectiva de início da vacinação no Brasil para 2021, o próximo ano letivo possibilite o início de uma recuperação, ainda que se tenha em mente a necessidade de mais adequações ao longo do próximo ano.
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“Em muitas coisas nós tivemos que nos readequar. Por enquanto ainda não estamos usando o parquinho, não estamos usando a piscina e nem a quadra que tanto gostam porque o momento exige isso. Tivemos que demarcar tudo, promover o distanciamento, algumas crianças criaram o hábito de trazer os próprios copinhos de casa, o uso do álcool em gel”, enumera.
“Mas ainda teremos que nos reorganizar, algumas atividades serão diferenciadas. Sabemos que vamos ter que trabalhar com reforço para as crianças para recuperar esse período mais complicado de 2020. O que a gente mais espera é que a vacina chegue o quanto antes”.
Na esperança de um 2021 melhor, outra instituição de ensino que oferece da educação infantil até o 5º ano do ensino fundamental 1 também recorreu aos descontos para tentar recuperar parte da perda no número de alunos matriculados. Coordenadora pedagógica do Centro Educacional Mundo do Aprendiz, Rosirene Pereira aponta que a escola localizada no bairro do Marco iniciou o ano de 2020 com 120 alunos.
Em decorrência de toda a situação da pandemia, porém, o número de estudantes reduziu bastante, chegando a 62 alunos matriculados atualmente. “Foi uma queda muito considerável, foi um período muito difícil porque a educação infantil é o nosso ‘carro-chefe’. Tínhamos uma sala do maternal com 22 crianças e ficaram apenas três. Em uma sala do jardim 1 tínhamos 17 crianças e ficaram cinco. Perdemos muito, mas conseguimos nos manter”.
Para atender aos alunos que continuaram matriculados, a escola precisou se adaptar ao ensino remoto e à maior presença da tecnologia como mediadora dos processos educacionais. Ainda na primeira semana de suspensão das atividades presenciais, no primeiro semestre do ano, Rosirene conta que a escola iniciou as medidas para se adaptar à realidadedo ensino remoto.
“A educação on-line para a gente da educação infantil foi uma coisa nova, mas conseguimos nos organizar. Para os alunos do ensino fundamental o conteúdo foi garantido pelas aulas remotas e para a educação infantil também tivemos as aulas on-line, mas com o desafio a mais porque tinha que ter a disponibilidade deum adulto para auxiliar”.
Com a experiência adquirida ao longo de 2020 e com a oferta de descontos de 15% nas matrículas, a escola espera que o ano de 2021 também seja de recuperação, ainda que parcial, das atividades. “Para 2021 já temos essa experiência das atividades on-line. Estamos com o pensamento positivo para que os alunos possam retornar e para que a vacina chegue logo”, aponta a coordenadora pedagógica.
Expectativa positiva com o ensino híbrido
Toda a adaptação à modalidade de ensino híbrido também é considerada pela professora Rosana Bastos como motivo para uma perspectiva mais positiva para a educação no ano de 2021. A professora lembra que ainda antes da chegada da pandemia, o Grupo Rosana Bastos – que inclui um curso de redação, pré-vestibular e o colégio com turmas do 9º ano do ensino fundamental e todas as séries do ensino médio -, já vinha passando pela elaboração de uma plataforma própria de ensino à distância, o que acabou por tornar o processo de adoção do ensino remoto um pouco mais tranquilo a partir das mudanças provocadas pela pandemia.
“Foram dois anos de preparação para que pudéssemos oferecer uma plataforma que fosse adequada ao sistema híbrido, então acabou sendo um pouco mais tranquilo para a gente”, considera. “O ano de 2020 foi muito difícil para todos, mas conseguimos acompanhar essa revolução tecnológica e a maior exigência por parte do aluno”.
Ainda que as escolas tenham se mantido antenadas às tecnologias disponíveis para oferecer ferramentas suficientes para os alunos, todas as mudanças que envolveram a chegada da pandemia não deixaram de gerar diminuição no número de matrículas.
Normalmente, as três plataformas do Grupo contavam com um total de cerca de 2 mil alunos. Diante da pandemia, a perspectiva apontada pela professora Rosana Bastos é de que o ano letivo de 2021 inicie com cerca de 1.000 alunos matriculados. “Tivemos uma evasão que foi inevitável, mas a perspectiva é que no momento pós-pandemia esses alunos retornem”, considera.
A professora destaca, ainda, que tem percebido que a demanda por matrículas para o ano letivo de 2021 está relacionada não apenas ao desconto oferecido, mas também à adesão aos recursos tecnológicos que possibilitam maior flexibilidade.
“Nós já temos um histórico em relação aos descontos desde que eu trabalhava em outras escolas, com oferta de bolsas. Neste ano estamos oferecendo descontos de até 50% nas mensalidades para 2021”, conta. “Os descontos acabam fazendo com que o aluno seja atraído, mas acredito que o grande atrativo mesmo é a tecnologia. Hoje vivemos uma flexibilidade que nunca existiu antes no ensino e que foi possibilitada pela evolução tecnológica”.
ANO LETIVO 2021
- Em nota, o Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Estado do Pará (Sinepe-PA) esclareceu que no que se refere aos descontos oferecidos pelas instituições de ensino particulares, “essa é uma política bastante variada, portanto, cada escola tem formas de negociação epercentuais diferentes”.
- Em relação à evasão escolar percebida no ano de 2020 em decorrência da pandemia, o Sinepe informou que “ainda não tem dados referentes à evasão escolar, já que essas informações só serão consolidadas durante o processo de rematrícula”.
- Sobre as expectativas para o ano letivo de 2021, o sindicato informou que “aguarda um parecer final do Conselho Nacional de Educação, mas do ponto de vista do que as escolas pretendem, está um início normal, com atividades presenciais e ajuda de recursos tecnológicos para incrementar, fazer reposições e complemento de carga horária, além de programas individualizados de ensino”. Ainda segundo o sindicato, “tudo isso está programado e previsto para as escolas para o primeiro semestre de 2021, aguardando-se apenas uma definição mais clara do Ministério da Educação”.
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