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SANEAMENTO

Belém tem 600 pontos clandestinos de lixo

Segundo a Sesan, são recolhidos diariamente 1.000 toneladas de resíduos, que correspondem a 70% do lixo que vai para o aterro de Marituba. Carroceiros e até mesmo moradores contribuem com a sujeira

quinta-feira, 14/01/2021, 08:22 - Atualizado em 14/01/2021, 08:21 - Autor: Suênia Cardoso


Equipe do DIÁRIO percorreu os bairros da Pedreira e do Marco e encontrou um cenário de lixo e entulhos de todos os tipos espalhados
Equipe do DIÁRIO percorreu os bairros da Pedreira e do Marco e encontrou um cenário de lixo e entulhos de todos os tipos espalhados | Celso Rodrigues

Um cenário repleto de lixo e entulho pelas ruas e calçadas tem tomado conta da capital paraense, sobretudo nos bairros da Pedreira e do Marco. Entre os resíduos estão pedaços de madeira, colchão, cadeira plástica, partes de móveis como guarda-roupa e cama, bebedouro, isopor, telha, tampas de garrafa plástica, tênis e pneus.

A cena se repete ainda em outros bairros da cidade. Segundo informações da Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan), órgão da Prefeitura de Belém, na capital são cerca de 600 pontos de lixo e entulho clandestinos e 1.000 toneladas por dia de resíduos, que correspondem a 70% do lixo que vai para o aterro de Marituba, na região metropolitana.

A equipe do DIÁRIO percorreu alguns locais por duas vezes em menos de uma semana e a situação permanecia a mesma. Segundo relato de moradores, não há hora exata para o despejo irregular, e como não há fiscalização efetiva a ação é facilitada pelos próprios habitantes e carroceiros. Na esquina da rua Antônio Everdosa com a travessa Mariz e Barros, na Pedreira, a via e a lateral de uma casa foram tomadas pelo entulho despejado. Além disso, no meio da rua foi colocada uma poltrona para cobrir um bueiro.

“Isso já virou um costume para a população. Às vezes a Prefeitura até limpa, mas no dia seguinte já tem lixo de novo. A cidade está cada dia mais suja, pois não há fiscalização nem multa para este tipo de ação”, reclamou a doméstica Luzia Souza, 74 anos

 

| Ricardo Amanajás
 

 

| Ricardo Amanajás
 

 

| Ricardo Amanajás
 


.Próximo dali, na rua Nova com a travessa Mauriti, moradores contam que há quase três semanas sacos de lixo doméstico, cama e colchão estão amontoados ocupando metade da via. “Algumas pessoas viram um rapaz despejando os entulhos durante a noite, reclamaram, mas a situação ficou tensa e preferiram se calar”, contou o comerciante Rodrigo Rodrigues, 33 anos.

Ainda no bairro, na avenida Marquês de Herval com a Dr. Freitas a equipe registrou no canteiro central restos de madeira e de móveis. O estoquista Sales Ferreira, 46 anos, disse que sacos de cimento foram jogados no local, levantando poeira, o que incentivou outras pessoas a despejar materiais como gavetas, bacias, papelão e isopor. “A situação se repete constantemente. Além do lixo acumulado nos canteiros, ainda há sujeira nos bueiros. O que era para ser um espaço saudável com as árvores plantadas, está coberto de entulho. Mas as pessoas não ajudam”.

MARCO

No bairro do Marco, no canteiro da avenida Duque de Caxias o cenário é o mesmo. No perímetro das travessas Timbó e Curuzu, sujeira e entulho acumulado disputam espaço com os carros estacionados. A culpa deste ato, segundo o motorista Cleidson Costa, 42, é dividida entre a população e o poder público. “Os carroceiros despejam todo tipo de material e a Prefeitura não faz a coleta adequada. Aqui é uma área crítica de descarte de entulhos”, contou.

LIMPEZA EMERGENCIAL

A Secretaria Municipal de Saneamento iniciou ontem a Operação Limpeza Emergencial, que irá realizar a dragagem dos canais, retirada de entulhos, capinação, raspagem, varrição de vias e logradouros, limpeza de bueiros, dentre outras ações. A operação visa diminuir os problemas das enchentes durante o período do inverno amazônico, tendo em vista o elevado índice de assoreamento do sistema de macrodrenagem de Belém.

A operação, que durará aproximadamente 100 dias, identificou 200 pontos críticos e 100 pontos de possíveis alagamentos e vai atingir inicialmente o sistema de macrodrenagem de Belém como Tucunduba, Una, São Joaquim e Mata Fome, Canal da Visconde e Canal do Galo. Cerca de dois mil agentes de limpeza urbana estão envolvidos na ação.

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