Um estudo feito pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com professores e universidades de países da América Latina e Europa aponta que manter a prática de exercícios físicos se tornou ainda mais importante neste período de pandemia do novo coronavírus. Isso porque, além de ajudar na questão física e mental, a prática também auxilia no fortalecimento do sistema imunológico.
O médico do exercício e do esporte, Cláudio Fontel, diretor da Sociedade Paraense da Medicina do Exercício do Esporte, afirma que existem vários estudos comprovando esse benefício. “A melhora existe porque há uma substância chamada interleucina 6 existente no organismo e que é inflamatória e diminui a imunidade. Mas quando ela é produzida pelo músculo durante o exercício, torna-se anti-inflamatória, porque bloqueia outra substância, a TNF que dificulta a maturação do linfócito, que é uma célula de proteção do nosso organismo”, explica. Esse benefício, no entanto, não ocorre de forma imediata. “Ele é a longo prazo, a partir de quatro a cinco meses”, completa.
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A melhora na imunidade, destaca Fontel, não diz respeito apenas ao combate à infecção, como muitos acreditam. “Ela também está relacionada à prevenção de doenças como o câncer”, destaca.
O profissional explica que todos os exercícios físicos, desde uma simples caminhada ao ar livre até aqueles praticados em uma academia, são capazes de fortalecer a imunidade do organismo, desde que mantida uma frequência. “É importante explicar que a atividade física é qualquer movimento que tire o músculo esquelético do repouso, ou seja, acordar e se levantar da cama já é uma atividade física. Já o exercício físico é uma atividade física programada com intensidade e progressão. O benefício do fortalecimento da imunidade do organismo só vai acontecer na prática do exercício físico, quando se tira o organismo da zona de conforto”, esclarece.
O melhor exercício, segundo o médico, vai depender de cada organismo. “Nem sempre o que será bom para uma pessoa será bom para a outra, por isso é importante consultar o profissional da área para melhor orientar essa atividade antes de iniciá-la”, diz.
A frequência e a intensidade são outros fatores importantes para quem pretende incluir a prática de exercícios físicos como parte do processo de fortalecimento do sistema imunológico. “O indicado é a prática de três a cinco vezes por semana, pelo menos por 30 minutos, porque o objetivo também é atuar na prevenção diminuindo o risco vascular, que é o que mais mata as pessoas todos anos”.
O médico alerta que é preciso estar atento aos sinais do corpo e, a qualquer indicação de problema de saúde, suspender a atividade. “Isso ocorre porque no momento que estamos praticando um exercício físico a imunidade cai, porque o corpo entende que toda a energia deve ser direcionada para aquela prática, então se a pessoa está doente, cansada ou com alguma dor é importante que ela primeiro se recupere e que o organismo possa se voltar para essa melhora”.
PRÁTICA

A prática de exercícios físicos, de acordo com o médico, também precisa estar associada a outras práticas saudáveis para que seus objetivos sejam alcançados plenamente. “Ela produz saúde, ajuda a diminuir a fadiga e mantém a aptidão cardiorrespiratória, entre outras coisas, mas é preciso também estar associado a uma alimentação saudável e a uma vida com menos estresse”.
A educadora física Ágata Carvalho trabalha há dois anos com crossfit e possui cerca de 200 alunos na modalidade. De acordo com ela, os praticantes se dividem em dois grupos: aqueles que estão em busca de benefícios estéticos para o corpo e os que querem mesmo ter uma vida mais saudável. “Tanto para um como para outro, os benefícios são os mesmos e vão desde o equilíbrio, coordenação, força, elasticidade, perda de peso e melhor resistência respiratória, entre outras coisas”.
IDADE
Ela ressalta que não há um limite de idade específico para a prática e para se obter os benefícios, principalmente aqueles relacionados à imunidade e aos ganhos físicos, no entanto, é preciso seguir orientações. “A partir dos cincos anos já é possível praticar crossfit, embora aqui em Belém ainda existam poucas academias direcionadas para esse público. É claro que para cada caso os treinos devem ser direcionados, as cargas e a intensidade devem ser adaptadas, sempre intercalando os mais intensos com os mais leves”.
Mas para se obter todos os benefícios esperados, principalmente aqueles relacionados à imunidade, é preciso que ela seja associada a outros fatores. “Além do treino, a alimentação e o descanso são fundamentais em qualquer atividade física. É preciso manter uma alimentação saudável e respeitar o descanso até para evitar lesões”. Por isso, a profissional acredita que, apesar da prática ser conhecida por levar os alunos para além de seus limites, é preciso ter cautela. “O importante é sempre ir de forma gradual, não em busca do seu limite, mas em busca de se superar um pouco mais a cada dia”, avalia.
Aos 24 anos, a estudante Natália Do Mar pratica crossfit há um ano e meio. Ela conta que procurou a atividade para tentar aliviar a ansiedade, mas acabou tendo outros ganhos. “Melhorei muito a questão do condicionamento físico. Além disso sentia muitas dores na coluna, que melhoraram bastante. No ano passado acabei pegando a covid e como sequela tive problemas respiratórios que estou conseguindo superar também com a ajuda do crossfit. Sem dúvida essa prática ajuda bastante na imunidade do organismo”, acredita.
A atividade, diz ela, tem servido ainda para se superar a cada dia um pouco mais. “Ainda existe um preconceito muito grande com o crossfit por conta das lesões, mas quando essa prática é bem orientada não existe esse risco. Eu mesma queria muito participar de uma competição da modalidade que ocorre todo fim de ano, mas na primeira vez vi que não conseguiria. Mas ano passado, me senti mais preparada e deu tudo certo. Foi muito bom para mim”, conta.
ALGUMAS DICAS DO MÉDICO DO EXERCÍCIO E DO ESPORTE, CLÁUDIO FONTEL PARA A PRÁTICA DE EXERCÍCIOS FÍSICOS DE FORMA SEGURA
- Antes de iniciar qualquer prática de exercício físico procurar um profissional habilitado para receber as orientações necessárias
- Procurar praticar um exercício que melhor se adéque a pessoa, sempre pensando de forma individual, porque nem sempre o que é melhor para um indivíduo será melhor para o outro
- O exercício deve ser praticado de três a cinco vezes por semana, pelo menos por 30 minutos
- Em caso de cansaço ou doença é melhor suspender o exercício físico até que o organismo se recupere
- É importante associar a prática de exercícios físicos a uma alimentação saudável e a uma vida com menos estresse.
Mais saúde e disposição

A fisioterapeuta Ana Beatriz Vizeu, de 27 anos, pratica crossfit desde setembro do ano passado e garante já sentir muitos benefícios, principalmente aqueles relacionados ao aumento da imunidade e a disposição física. “Tenho problema de rinite alérgica e melhorei bastante depois que iniciei essa atividade. Tenho ficado muito menos doente do que antes. Para mim, ela foi essencial, principalmente nesse período de pandemia, porque no início do isolamento eu só queria saber de deitar e dormir, mas desde que entrei no crossfit me sinto com mais disposição”, afirma.
Ana ainda lembra das dificuldades que sentia quando iniciou e dos progressos obtidos aos poucos com a prática diária. “Sou meio preguiçosa, mas com o tempo fui me adaptando aos exercícios. Logo no início corria um quarteirão e ficava muito cansada, hoje em dia consigo ir muito além sem me sentir esgotada”, garante.
Caminhadas

Em alguns pontos de Belém, a prática de atividades físicas, seja de corridas, caminhadas, entre outras, já faz parte da paisagem da cidade, especialmente em praças, parques e algumas avenidas como a Viscondede Souza Franco.
A socióloga Gisele Silveira, de 56 anos, é adepta da caminhada na avenida e mais recentemente também no Porto Futuro. Para ela, os benefícios obtidos com a prática foram vários. “Sou hipertensa e antes de começar as minhas caminhadas tomava um medicamento para controlar a pressão de 25 miligramas, depois de começar essa atividade consegui controlar bastante esse problema e agora minha medicação já é de apenas 5 miligramas”.
Mas não é só. “O meu sono melhorou bastante e fico mais disposta durante o dia depois que comecei a caminhar”.
A administradora Catarina Bohadana, 44, pratica musculação em uma academia, mas não abandonou as caminhadas. “Para mim é essencial, caminho e só depois vou para a academia, com isso me sinto mais disposta e percebo também que adoeço menos”.
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