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ECONOMIA

Pesquisa revela que 60% dos paraenses estão endividados

O percentual é inferior a dezembro e a janeiro do ano passado, aponta o estudo. Especialista argumenta que a população ficou mais cautelosa

sábado, 20/02/2021, 08:00 - Atualizado em 20/02/2021, 08:58 - Autor: Suênia Cardoso


Do total de pessoas que estão com dívidas a pagar, mais de 75% são referentes a cartão de crédito
Do total de pessoas que estão com dívidas a pagar, mais de 75% são referentes a cartão de crédito | Divulgação

O ano de 2021 começou com mais famílias endividadas no Brasil, segundo a pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O percentual de brasileiros com dívidas atingiu o patamar de 66,5% em janeiro deste ano, um aumento de 0,2% em relação a dezembro de 2020 e de 1,2% em comparação com janeiro do ano passado.

No Pará, em janeiro deste ano o percentual de endividados alcançou os 60,5% contra 62,7% no mesmo período de 2020 e 62% em dezembro passado, segundo pesquisa da Síntese de Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Pará (Fecomércio/PA). Contudo, o número de contas ou dívidas em atraso chegou a alto nível, com 29,6% em janeiro deste ano contra 23,5% comparado ao mesmo período do ano passado. O maior vilão de endividamentos continua sendo o cartão de crédito, atingindo a marca de 75,5%.

Segundo a assessora econômica da Fecomércio/PA, Lúcia Cristina Lisboa, em função da pandemia, da insegurança, da instabilidade econômica e da manutenção de renda e emprego, muitos consumidores se comportaram de forma mais cautelosa em relação a janeiro de 2020. “Ademais, o auxílio emergencial, recursos extras como 13º no fim do ano e as linhas de crédito de apoio e estímulo à economia também influenciaram, embora menos, para que as pessoas quitassem algumas dívidas ou realizassem mais compras à vista. Isso também reflete no ano seguinte, ou seja, em janeiro, quando o cliente controla um pouco mais o consumo porque sabe que tem mais compromissos financeiros como IPTU, IPVA, renovação de matrícula, entre ouros”, detalhou.

Quanto às contas em atraso apontada na pesquisa, Lúcia esclarece, no entanto, que a taxa ainda é elevada pois 13,4% do total de 29,6% dos consumidores não terão condições de pagá-las nos próximos meses de 2021. “Vale ressaltar que existe uma diferença entre a pessoa que realiza algum tipo de compra parcelada ou opta por financiamentos e empréstimos, o que não quer dizer que sejam as mesmas que estejam em inadimplência”. Outro indicativo relevante do PEIC é quanto ao tempo médio do comprometimento com dívidas – que é de 7,5 meses – e da parcela da renda comprometida (29,7%). “Ou seja, as compras, empréstimos ou financiamentos estão comprometendo o orçamento mensal de quase 30% com as parcelas futuras a vencer, e por pelo menos sete meses”, explica a assessora.

CARTÃO DE CRÉDITO

A frequência maior de endividamento registrado no mês anterior continua sendo o cartão de crédito (75,5%), seguido por carnês/boletos (15,9%), financiamento de carro (9,9%), crédito consignado (8,7%) e financiamento de casa (3,3%). “Por faixa salarial, o cartão de crédito é o maior peso das dívidas, sobretudo, para quem recebe abaixo de dez salários mínimos. Já as pessoas que têm renda acima de dez salários, o peso maior é com financiamento de carro e de casa”, enfatiza Lúcia.

Embora o crédito seja importante para movimentar a economia, de acordo com a assessora, é mais sensato que o comprador não ultrapasse um percentual no qual não tenha condições de pagar ou que comprometa muitos meses do seu salário. “É fundamental ter planejamento e equilíbrio cada vez em que se faça um novo financiamento ou compras e ter clareza de quanto isso vai gerar de dívida para ser pago todo mês, quanto irá subtrair da renda mensal. Há itens em que as pessoas não têm recursos para comprar à vista, como eletrodomésticos, por exemplo, por isso é bom se planejar, pois é importante tanto para o empresário quanto para o consumidor que se mantenha a adimplência”, orienta a assessora econômica.

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