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TRASTORNOS

Chuva deixa Belém debaixo d’água

Canais transbordaram, ruas ficaram alagadas, casas foram invadidas pela água e a população viveu mais uma vez os problemas que já são antigos em várias áreas da cidade, depois de mais um dia de toró

sábado, 27/02/2021, 08:04 - Atualizado em 27/02/2021, 08:04 - Autor: Denilson D’Almeida/ Diário do Pará


Bairros como Marco e Cremação são os que mais sofrem historicamente, sobretudo na atual época
Bairros como Marco e Cremação são os que mais sofrem historicamente, sobretudo na atual época | Wagner Santana

“Não adianta apenas limpar o canal. Tem de desobstruir os bueiros e limpar as tubulações que são velhas e também estão entupidas, do contrário o problema sempre vai existir e a gente é que sai no prejuízo”, disse Enéias Marinho, morador da rua Fernando Guilhon, no bairro da Cremação, em Belém.

A crítica foi dita enquanto ele escorria a água que invadiu o seu estabelecimento comercial – e olha que o comerciante já mandou suspender o piso várias vezes para evitar o transtorno. Próximo da calçada fica um bueiro que ficou entupido com sacolas e resíduos que foram arrastados pela água da chuva.

“É assim sempre, toda vez que chove. Bastam cinco minutos de chuva forte e a rua vira um rio”, prosseguiu.

Enéias é um dos muitos moradores da capital paraense que têm vivido dias difíceis, desde que o tempo chuvoso começou. Desde a semana passada que os alagamentos no trecho onde mora tem gerado transtornos e exposto a saúde dele em risco, já que a água que toma conta do lugar é suja, e contaminada.

Ele mora no perímetro entre a passagem União e a travessa 14 de Março. Perto dali, já no perímetro que compreende o Canal da Quintino, a situação estava mais crítica. O aguaceiro se estendia por mais de 100 metros da pista. O canal ficou prestes a transbordar e para quem teve de enfrentar o aguaceiro andou com o nível da água acima do joelho.

O comerciante Ribamar Costa, 54, ressaltou que mora há 45 anos na Fernando Guilhon e afirmou que sempre teve de lidar com os alagamentos. “Em março será pior, porque é chuva somada à maré alta”, frisou.

Mesmo com um carro grande e alto, o motorista Márcio Corrêa, 30, esperou o volume de água baixar para poder seguir viagem. “Moro aqui perto, por aqui é sempre assim: Chove, logo alaga. Nos últimos anos a situação só piorou.”

VELHO PROBLEMA

Na baixada do Marco também houve registros de alagamentos. Na travessa Mauriti, próximo ao canal da José Leal Martins, o volume de água cobria mais da metade dos pneus de ônibus que passavam pelo local. Um morador que se identificou apenas por Horácio caminhava pelo aguaceiro para juntar as placas dos carros que se soltam devido a velocidade com a qual os motoristas atravessam o alagado. “Já juntei três placas”, disse.

Na avenida Pedro Miranda, a principal via do bairro da Pedreira, uma sucuri de aproximadamente três metros foi encontrada no aguaceiro. O animal foi capturado por populares e resgatado por uma guarnição do batalhão de Policiamento Ambiental. Já no bairro Curió-Utinga, algumas ruas ficaram submersas. No bairro de Fátima, o canal da 3 de Maio transbordou e alagou parte da rua Antônio Barreto.

A reportagem solicitou um posicionamento da Prefeitura de Belém sobre os alagamentos citados nesta matéria, mas não houve resposta até o fechamento desta edição.

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