Em 18 de março de 2020, ainda vinham principalmente de fora do Brasil as principais notícias sobre o avanço de uma “pneumonia misteriosa” que matara a primeira pessoa na China, em 11 de janeiro de 2020 e, cerca de três meses depois, já tinha vitimado 3 mil pacientes na Itália. Mas, nesse dia 18, a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa) confirmou que um paraense estava com o vírus Sars-Cov-2.
Não demorou para que outros casos surgissem na rapidez que se saberia ser característica da Covid-19. E demorou pouco mais de um mês, em 26 de abril, para que um papel colado em frente ao PSM da 14 de Março - “Sem médicos, sem atendimento” - simbolizasse o colapso do sistema de saúde de Belém pela “explosão” de números de casos do novo coronavírus.

Um ano depois, com mais de 388 mil casos registrados da Covid-19 e quase 9.500 mortes pela doença no Pará, em 18 de março de 2021, acaba de decolar do Aeroporto internacional de Belém um avião da Latam que entregou mais 117 mil doses de vacina contra o novo coronavírus para o Estado, em um momento que mistura a esperança para o fim da pandemia, com o avanço da imunização, o peso das milhares de vidas perdidas e a precaução para evitar o maior número possível de mortes pela doença.

PRIMEIRO CASO
O primeiro caso confirmado pela Sespa, em território paraense, foi o do advogado Paulo Bentes, de 38 anos. Em entrevista do DOL, Paulo contou que, logo que teve a suspeita, ficou isolado na própria residência e acredita que não transmitiu o vírus a mais ninguém. Os sintomas dele foram leves,
“Mantive medidas protetivas e não peguei [Covid-19] de novo, inclusive, tenho feito acompanhamento e ainda possuo anticorpos mesmo após um ano da primeira coleta”, comentou o advogado paraense.

Na época da divulgação do caso de Paulo, o pânico e o temor pela doença, até então muito desconhecida, geraram reações raivosas contra o advogado. “A divulgação do meu nome por blogs sensacionalistas ocasionou um desgaste muito grande, inclusive, com fotos pessoais de familiares e amigos. Muita especulação e até pânico”, comentou Paulo.
Após um ano do susto, o paraense acredita que somente o investimento massivo na imunização da população pode encerrar o ciclo da pandemia. “Só a vacina pra acabar com a pandemia, mas infelizmente o governo federal deixou pra última hora. Mandou menos vacinas para o nosso estado, e agora ainda estamos sofrendo, já passado um ano”, pondera Paulo Bentes.

HOSPITAIS DE CAMPANHA
Em pouco mais de 20 dias após o primeiro caso registrado, o Governo inaugurou o hospital de Campanha do Hangar, no dia 10 de abril, disponibilizando 420 leitos para o atendimento de pacientes da Covid-19 da Região Metropolitana de Belém e de outras cidades.

Foram instalados, ainda, hospitais de campanha nas cidades de Marabá (sudeste paraense), Santarém (oeste paraense) e Breves (no arquipélago do Marajó)
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