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MEDIDA NECESSÁRIA

Cidades paraenses têm situação crítica e decretam lockdown

Além da Região Metropolitana, outros três municípios já decidiram "fechar tudo". Todas as regiões estão com rede de saúde pressionada

sexta-feira, 19/03/2021, 09:23 - Atualizado em 19/03/2021, 09:21 - Autor: Denilson D’Almeida


Enquanto ocupações de leitos aumentam no interior, Estado tem feito transferências de pacientes
Enquanto ocupações de leitos aumentam no interior, Estado tem feito transferências de pacientes | Pedro Guerreiro/Ag Pará

A nova onda de aumento de casos de Covid-19 deixou prefeituras paraenses em situação de alerta máximo para conter o avanço do coronavírus. Além da Região Metropolitana de Belém, outros municípios também decretaram lockdown. É o caso de Salvaterra, no Marajó; Abaetetuba e Cametá, na região nordeste paraense; que fecharam todas as atividades econômicas não essenciais para minimizar os riscos de contágio pelo coronavírus.

Salvaterra, por enquanto, é o único município do arquipélago do Marajó a ter decretado o lockdown. A normativa vale até o dia 23, podendo ser prorrogado. O boletim epidemiológico divulgado, ontem (18), pela Secretaria Municipal de Saúde lista 709 casos confirmados e 19 mortes em decorrência da Covid-19. No hospital municipal cinco leitos destinados a pacientes com Covid-19 estão ocupados – dois a mais que no dia anterior (17).

Abaetetuba, nordeste paraense, está fechada desde a última quarta-feira (17). De acordo com a prefeitura, a medida foi adotada com base em dados técnicos e para evitar o colapso do sistema de Saúde no município. A cidade tem 6.127 casos confirmados de Covid-19 e por lá o coronavírus já foi a causa da morte de 134 pessoas.

Em Cametá, cidade vizinha a Abaetetuba, a prefeitura mudou o bandeiramento para a cor preta. Desde ontem (18), a cidade fechou atividades essenciais. São 6.278 pessoas contaminadas e 147 mortos pela doença.

ESGOTAMENTO

Em Maracanã, na região Nordeste do Estado, a oferta de leitos clínicos para pacientes com Covid-19 já se esgotou e o município não possui leitos de UTI para atender a demanda que tem crescido consideravelmente. O Hospital Municipal dispõe de apenas doze leitos clínicos para atender exclusivamente os casos de Covid-19, mas ontem (18) já eram 18 pacientes internados. Os seis excedentes estão ocupando leitos improvisados, que seriam usados por pessoas com outras enfermidades. Diante deste cenário, a prefeitura anunciou que vai decretar situação de calamidade pública.

A cidade registra 203 casos confirmados desde 1 de janeiro de 2021, sendo que 63 foram registrados em um único dia – que foi na última quarta-feira (17). De acordo com a prefeitura, o Município não tem recebido ajuda e nem recursos do Governo Federal porque a gestão passada não prestou contas dos recursos repassados ano passado (cerca de R$ 500 mil) para o enfrentamento da pandemia, o que resultou no bloqueio de novos repasses.

Em Parauapebas, no sudeste paraense, a situação também é alarmante. Não há mais vagas na rede pública municipal e nem na rede particular de Saúde. Num vídeo publicado nas redes sociais da prefeitura, o secretário municipal de Saúde, Gilberto Laranjeiras, pediu o compromisso de toda a população para reduzir os índices de contaminação. O município tinha flexibilizado as medidas de enfrentamento da Covid-19, contrariando, inclusive, o decreto estadual nº 800/2020.

Quem também baixou um decreto próprio, contrariando algumas recomendações estabelecidas no decreto estadual nº 800/2020, foi a prefeitura de Castanhal. A cidade, distante 67 quilômetros de Belém, estava com 94,23% dos leitos de UTI ocupados por pacientes de Covid-19, segundo os dados publicados no último dia 17. O número de casos confirmados da doença soma um total de 6.137 e o número de mortes 246.

Apesar do cenário, a prefeitura estabeleceu um decreto próprio (nº 54/2021) com as medidas de enfrentamento da pandemia. Por lá, o toque de recolher é de 22h às 5h; a venda de bebidas alcoólicas está permitida até às 18h; e o comércio e as academias podem funcionar de 8h às 21h.

Colares tem um cenário “estável” da pandemia de Covid-19 e o município baixou um decreto próprio com medidas restritivas que devem vigorar até o dia 22 de março, podendo ser prorrogadas. Entre as determinações, semelhantes aos do decreto estadual nº 800/2020, está o toque de recolher no horário de 21h às 5h. A cidade tem 269 casos confirmados de Covid-19. As praias e balneários estão fechadas.

Em Vigia, o número de infectados é de 1.129 casos confirmados e 32 óbitos. Como a cidade está na zona de bandeira vermelha, a prefeitura reforçou que vai seguir com o decreto estadual nº 800/2020

Na região sudeste paraense, Marabá está com 88% dos leitos de UTI para Covid-19 ocupados. Os leitos clínicos estão com uma taxa de ocupação de 96%. A cidade soma 15.706 casos confirmados de Covid-19 e 294 mortes pela doença.

A prefeitura de Barcarena, Região Metropolitana de Belém, montou uma barreira sanitária na entrada da cidade. O município tem pelo menos 8.646 casos confirmados de Covid-19 e 140 mortes em decorrência da doença. Em Tucuruí, o boletim epidemiológico divulgado na quarta-feira (17) aponta 4.360 casos confirmados de Covid-19 e 165 mortes em decorrência da doença.

SOURE

Soure não decretou lockdown, mas, em vídeo publicado nas redes sociais, o prefeito Guto Gouvêa confirmou que a segunda onda de Covid-19 chegou a cidade e pediu para que os moradores redobrem os cuidados para se prevenir contra o coronavírus. As páginas da administração municipal não têm divulgação recente sobre o funcionamento das atividades econômicas e os boletins epidemiológicos não informam as taxas de ocupação de leitos. Soure já tem 380 casos confirmados por Covid-19 e 15 óbitos.

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