O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), conhecido como autismo, é um transtorno do neurodesenvolvimento, caracterizado por padrões de comportamentos repetitivos e dificuldade na interação social. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) existem cerca de 70 milhões de pessoas com autismo em todo o mundo, 2 milhões deles somente no Brasil.
A partir de 2008, foi instituído pela ONU o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, criado para levar informação à população, a fim de reduzir a discriminação e o preconceito. No Brasil a data é comemorada nesta sexta-feira, 2 de abril.
É o caso do jovem Richard Pires, 14 anos, que possui o TEA e por conta disso já precisou enfrentar algumas batalhas para ter acesso à educação e inclusão social. A condição especial fez com que a mãe, a professora de educação especial Rosemary Pires, fizesse uma especialização na área, para ajudar crianças autistas a conseguirem o direito de estudar. Hoje ela é monitora de turmas no qual orienta servidores do estado sobre como oferecer atendimento digno.
Foi através da luta pela inclusão social do filho, que surgiu o interesse pela educação especial. “Quando estava me formando em matemática, pela Uepa, saiu o laudo que atestava o autismo do meu filho. A partir daí começaram as batalhas. Até então ele foi para uma creche, onde foi muito acolhido, mesmo sem o laudo. Quando ele saiu de lá, foi para uma escola regular, em Cachoeira do Arari, no Marajó, onde morávamos”, lembra.
“Quando fui matricular meu filho e disse que ele tinha autismo, não ficou nada bem. Na primeira semana, a escola me chamou e disse que não tinha como ficar com ele, pois ele não tinha comportamento para ficar em sala de aula e não havia equipe de apoio. Ou eu pagava alguém ou retirava da escola”, conta. Os momentos de dificuldades estavam só começando. Rosemary se viu diante de uma luta e, assim, resolveu correr atrás das condições de educação para o filho.
“Eu fiquei muito triste, indignada. Nessa época ele fazia as terapias em Belém, tinha uma psicóloga especialista na área. Eu tentei conversar com a escola e ela não queria muito acordo. Disse que acionaria o MP, mas o meu filho ia ficar na escola. Não tirei meu filho de lá. Nós somos a ferramenta transformadora. Eu sempre pensei assim e quis ele lá nessa escola”.
Assim, Richard pôde continuar os estudos e o sonho de ser jornalista. “Vou estudar para passar na UFPA e me formar em jornalismo. Quero trabalhar nas TVs ou rádios, que eu gosto muito e ouço todos os dias. Gosto das vinhetas, gosto de ler. Tenho mais livros do que brinquedos”, revela o adolescente, que diz ter muito orgulho da mãe. “Acho muito bom (ser educadora especial), porque quando você faz a conscientização, mais pessoas conhecem o autismo. É bom, porque assim eu não sofro bullyng. Você é a melhor mãe do mundo”, elogia.
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