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RELIGIÃO

O significado da Páscoa em meio a uma pandemia

Representantes de diferentes entidades religiosas falam do significado da Páscoa levando em consideração também este momento difícil vivido pela humanidade

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Imagem ilustrativa da notícia O significado da Páscoa em meio a uma pandemia camera Celebrações da Semana Santa foram feitas com os cuidados de prevenção contra o coronavírus | Antonio Melo

No calendário cristão, a Páscoa marca a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. É o momento em que os fiéis celebram uma vida nova e de esperança. Contudo, em meio à pandemia do novo coronavírus, para muitos religiosos, este significado pode trazer novos olhares e aprendizados. Para o diácono da Igreja Católica Emanuel Duarte, este é também um momento de provações. Além disso, ele relembra a passagem bíblica que relata o dilúvio, no livro de Gênesis, como algo semelhante a este cenário pandêmico que estamos vivendo.

“Tenho comparado desde o começo da pandemia que Deus nos coloca à prova. Assim como o dilúvio, que nos levou a questionar se nunca mais o povo seria castigado, como seriam os recomeços e a refletir por quanto tempo a humanidade esperou a água baixar para seguir adiante”, afirma. Ainda segundo ele, com a pandemia somos convidados a reflexões e transformações de forma geral. “É um vírus que mata rico e pobre. Mas Deus nos dá a chance de recomeçar. Podemos repensar ainda sobre o calvário, afinal, não existe ressurreição sem calvário. E devemos ter um olhar de que as perdas não são um castigo. É o momento de enxergar o amor e a solidariedade. Nesta época de pandemia devemos ser a reconstrução no mundo”, ressalta.

De acordo com o pastor da Igreja Assembleia de Deus, Marcelo Campelo, teologicamente, a Páscoa adentra no Novo Testamento tendo Jesus como cordeiro, sacrificado na cruz pelos pecados do mundo, biblicamente destacado no livro do Êxodo. “Esse cordeiro aponta para Jesus e seu sangue trouxe livramento e salvação para toda a humanidade. Pelo preço do calvário houve o livramento”. Trazendo para os dias atuais, Marcelo destaca uma Páscoa atípica, já que a pandemia tirou das pessoas a proximidade. “Ela também nivelou a todos, ricos, pobres, brancos, altos, e trouxe uma mensagem de renovação, de não perder a fé e acreditar que isso vai passar, que esse mal que machucou tantas pessoas vai acabar e que vamos sair mais fortes. Existem lutas que servem para aprendermos como seres humanos, para voltarmos a confiar em Deus e para que possamos recomeçar em qualquer área da nossa vida”, declarou.

Na doutrina espírita, o vice-presidente da União Espírita Paraense (UEP), Paulo Rebelo, ressalta que a Páscoa traz a proposta de conexão, visto que o espiritismo tem a concepção de religião, mas não no sentido tradicional, com rituais. Ou seja, é mais uma ideia de religiosidade promovendo a religação entre criador e criatura. “Existe o sentido de libertação da matéria. Jesus trouxe para a humanidade que a morte não existe. Isto é, estou saindo da matéria e me sacrificando por vocês, mas cuidando de todos no plano espiritual”, explica. A doutrina leva à reflexão de que Cristo veio para libertar o povo da escravidão da matéria. “A vida é em espírito, portanto, devemos refletir nesse período o quanto o materialismo e as estruturas sociais nos aprisionam e impedem que o espírito se desenvolva”, destaca Paulo.

Embora em um momento complexo, tudo tem o seu propósito e evolui, acredita o vice-presidente. Para ele, todo processo é antecedido por crises, as quais demonstram que há uma transformação. “Estamos passando por uma transição planetária, vivemos em um plano de provas e expiações, e devemos transitar para um mundo de regeneração, com menos dor. É algo que demanda de nós o exercício de amor e solidariedade como nunca antes”. Ele ainda destaca a imortalidade e o ato de enfrentar este momento como algo temporário. “Estamos em um cenário de guerra, mas podemos ser solidários uns com os outros e todos precisam se ajudar. É preciso confiar na presença de Jesus no plano espiritual nos amparando”.

Papel na conscientização contra o novo coronavírus

Mesmo em um contexto pandêmico, ainda há uma parcela da sociedade que insiste em descumprir ou negligenciar algumas regras higiênico-sanitárias

obrigatórias como o distanciamento social, o uso de máscaras ou de álcool. Neste sentido, qual seria o papel da religião em meio a uma pandemia como esta? No olhar do diácono Emanuel, a Igreja Católica se mantém pelo magistério, ou seja, pela obediência e sem questionar as medidas impostas. “Sabemos que há especialistas na área informando sobre os riscos de aglomeração e não cabe à igreja questionar e sim seguir e obedecer. A vacina chegou, mas atingiu uma pequena quantidade de pessoas, portanto, as celebrações devem ser evitadas e as pessoas devem agir com mais prudência”, relatou.

Como igreja e no papel de líder, Marcelo diz que é seu dever se preocupar com suas ovelhas, por isso, tem obrigação de alertar os fiéis quanto aos cuidados diante da pandemia. “Antes de a vacina chegar, pedimos aos idosos para não irem aos cultos e acompanharem via on-line. É dever da igreja trazer consciência social e médica, e orientar os irmãos a se cuidarem. Um líder é um formador de opinião e não pode suavizar isso”, pontuou, acrescentando a importância de também cuidar do lado emocional. “Antes de o vírus chegar no corpo ele chega na mente. Há muitas pessoas com depressão, ansiedade e enfrentando uma batalha mental. Por isso é tão importante alimentar a mente com coisas boas, com livros, com música. A fé vem pelo ouvir e nunca foi tão importante se alimentar da palavra de Deus”. Paulo diz que a UEP realiza campanhas para o uso de máscaras, da vacina e do estímulo à ciência. “Este é o nosso movimento. Onde há um terreno fértil para o diálogo devemos oferecer essa conscientização”, conclui.

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