Os empregos com carteira assinada no Estado do Pará superaram o nível anterior ao da pandemia do novo coronavírus, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia. Puxado pelo setor de serviços, o estoque de vagas formais (pessoas com carteira assinada) em fevereiro foi de 778.540, ou seja, 8,9 mil a mais do que em igual período de 2020.
Em fevereiro de 2020, o Pará tinha 769.610 postos em estoque. Na prática, a comparação mostra que os paraenses ultrapassaram a marca de pessoas com carteira considerando o nível pré-pandemia já neste ano.
No início da pandemia, o Pará amargou queda na geração de empregos em março, abril e maio, mas voltou a ter números positivos de junho em diante, exceto em dezembro, quando amargou a perda de 5.383 postos no comparativo ao mesmo mês de 2019. O Estado fechou o ano com saldo positivo de 32.789 novos empregos com carteira assinada, liderando o ranking de empregos no Norte e sendo o terceiro Estado do País na criação de vagas.
No Pará, dos 5 grandes setores contemplados pelo Caged, todos superaram o nível de empregos verificado na pré-pandemia. Pelo lado positivo, o setor de serviços é o segmento que mais chama atenção: em fevereiro de 2021, o estoque de vagas chegou a 318.670. Em igual mês do ano passado, eram 315.662 mil. No intervalo de um ano, o setor criou mais de 3 mil oportunidades.
Vitais para o desenvolvimento da economia paraense, os setores do comércio, indústria e do agronegócio, começaram o ano com grandes expectativas na geração e empregos para 2021. Em entrevista recente, Lúcia Cristina Lisboa, assessora econômica da Federação do Comércio do Estado do Pará (Fecomércio PA), ressaltou que o comércio contribui significativamente para a geração e empregos no Estado
Ela ressaltou que no setor estão concentrados 48,33% do estoque total de empregados com carteira assinada do Estado, com grande influência para o saldo do emprego formal no Pará. “Apesar das dificuldades impostas à economia pela pandemia de Covid-19, o setor vem se esforçando para manter os empregos e tem fechado acordos dentro do que a nova legislação trabalhista permite, como flexibilização da carga horária e trabalho intermitente, entre outros”, disse. Em 2020 o comércio criou 10.335 novos postos de trabalho segundo a federação.
A economista destaca que em janeiro, após um ano marcado por grandes dificuldades, e mesmo com certo receio, havia expectativa no setor de que seria um ano melhor e que as atividades econômicas estariam liberadas para funcionamento sem restrições. “A expectativa era de que o ano fosse seguir com alguma retomada da economia com novas medidas de apoio aos setores econômicos para dinamizar a economia”.
Ocorre que a pandemia não arrefeceu e o setor já teme por prejuízos futuros, que podem ter reflexos sobre o mercado de trabalho. “Tudo dependerá da capacidade de geração de receita e do equilíbrio financeiro das empresas que possibilitem a ampliação da geração de novos empregos”, diz, afirmando acreditar em novas medidas econômicas e tributárias que amenizem esses impactos.
José Conrado Santos, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa) também avaliou que os resultados alcançados nos primeiros meses deste ano são encarados com otimismo no setor e seguem a trajetória obtida no ano passado. “Mesmo com a pandemia, o setor da indústria conseguiu manter um saldo positivo em 2020, com cerca de 10 mil admissões. A expectativa é que o setor produtivo siga avançando, ainda que de maneira gradual, especialmente considerando o avanço da vacinação”, afirmou o empresário ao DIÁRIO há algumas semanas
SETORES
Eliana Zacca, economista e assessora técnica da Federação da Agricultura do Estado do Pará (Faepa) deixa claro que o reaquecimento do mercado local está muito condicionado à resolução da crise sanitária, com vacinação em massa da população; ao controle do déficit fiscal; e aos avanços das reformas e ajustes necessários na economia brasileira, “que já acumulava sérios problemas decorrente de uma recessão profunda, da qual estava emergindo, quando iniciou a pandemia”, avalia.
Para Zacca, o agronegócio paraense deve manter uma trajetória de crescimento, em 2021, puxado sobretudo pelos segmentos da soja e da pecuária, “favorecidos pelos preços em alta, influenciados pela elevação da demanda externa e a taxa de câmbio favorável”.
Em contrapartida, diz, os preços de produtos alimentares no mercado interno deverão sofrer elevação, pressionados pelo aumento do custo de produção e pela demanda externa. “Por outro lado, a recuperação da atividade econômica deverá ocorrer de forma lenta, condicionando, também, a redução das taxas de desemprego, que se encontram em patamares elevados”, avalia.
SALDO DE EMPREGOS
FEVEREIRO DE 2020 - 769.610
FEVEREIRO DE 2021- 778.540

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