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PREÇOS E PANDEMIA

Vendas de comidas de rua são afetadas em Belém

Crise agravada pela pandemia do novo coronavírus, com a disparada nos preços dos alimentos e por conta do distanciamento social, fez cair a procura pelos produtos prontos, vendidos nas ruas

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Imagem ilustrativa da notícia Vendas de comidas de rua são afetadas em Belém camera Trabalhador demonstra mercadoria que está com vendas limitadas | Wagner Almeida

De acordo com um dos últimos levantamentos feitos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), mais de meio milhão de pessoas trabalham nas ruas do país vendendo algum tipo de alimento. Belém é uma das cidades cujo consumo de comida de rua é uma tradição. Apesar disso, o setor tem sido diretamente afetado pela crise econômica agravada pela pandemia, com a disparada nos preços dos alimentos e por conta do distanciamento social que fez cair a procura pelos produtos prontos vendidos nas ruas.

O resultado da combinação entre esses dois fatores: alta dos alimentos e a necessidade de ficar mais em casa, acabou tendo um impacto na renda de quem trabalha vendendo comida nas ruas da cidade. Esse é o caso do vendedor de lanches Abdias Lobato, de 48 anos. Há cerca de 12 anos, ele mantém um carrinho onde vende chopp e suco de frutas, coxinha, salgado de camarão e unha de caranguejo, na esquina da avenida Almirante Barroso com a travessa Lomas Valentina, no bairro do Marco. Apesar de ser um ponto movimentado, próximo de comércios e de parada de ônibus, os clientes deram uma sumida.

Vendedor de coxinhas no bairro do Marco em Belém
📷 Vendedor de coxinhas no bairro do Marco em Belém |Wagner Almeida

Antes da crise, saiam em média 200 salgados por dia, quentinhos e fritos na hora. Mas, com a pandemia, houve uma queda enorme nesse número. “Quando vende bem sai de 50 a 60 salgados, mas tem dia que é menos”, diz ele, que fica no ponto das 13h às 21h, de segunda a sexta-feira. Com isso, para não perder os clientes repassando custos para os produtos, ele amarga uma queda da renda obtida, que se tornou insuficiente para manter a família formada pela esposa e filha. “Por isso, como tenho carteira (de motorista) passei a fazer bicos como motorista para completar a renda. Mas como não posso parar de vender, deixo um primo meu tomando conta aqui do ponto, mas tem sido muito difícil mesmo”.

Essa é também a realidade vivida por Nilson Cardoso. Aos 66 anos, 27 deles dedicados à culinária de rua, ofício aprendido com a mãe, vendedora de tacacá, ele viu as vendas de comidas típicas e outras da cozinha tradicional despencarem com a pandemia. “Perdi cerca de 40% da minha freguesia”, calcula ele, que há oito anos mantém sua venda na esquina da Roso Danin, com a Francisco Monteiro, no bairro de Canudos, funcionando de quinta a segunda, das 16h às 21h30. Para ele, a principal razão da queda nas vendas é mesmo o isolamento social. “Como o próprio nome diz as pessoas se habituaram a comer comida de rua, na rua, por isso, muita gente prefere não pedir por delivery, por mais que a gente ofereça esse serviço”.

A subida de preços dos ingredientes e outros produtos também tem prejudicado o trabalho. “Tudo aumentou, arroz, açúcar, óleo, luz, gás de cozinha, que no total uso 10 por semana, porque faço maniçoba sempre e cozinho por mais de 24 horas. Então os meus gastos são muito elevados”. Mesmo assim, ele diz ter optado por não repassar todos os aumentos aos clientes. “O meu tacacá, por exemplo, em 2017, custava R$ 12 a cuia. Hoje, quase quatro anos depois, estou vendendo a mesma cuia por R$ 14, ou seja, um aumento de apenas R$ 2. Em alguns casos, fiz algumas adaptações. Criei um prato menor para conseguir manter os clientes que não podem pagar o valor maior. Tudo para não perder”, explica ele, que mesmo com a crise não dispensou nenhum de seus 10 ajudantes.

ADAPTAÇÃO

A pandemia também contribuiu para diminuir a clientela que consumia o mingau vendido por Augusto Luz, 33. Antes a venda feita em uma bicicleta adaptada para carregar dois panelões ocorria nas ruas do centro, no comércio. Mas, o fechamento de lojas e de pontos comerciais após o início da pandemia, foi deixando a clientela cada vez mais rara. “Não sou o dono (do carrinho), apenas faço a venda, mas sei que muitas vezes, ela só dava mesmo para cobrir os custos, ainda mais com o aumento de preço do material usado, como creme de leite e leite condensado”.

Para conseguir recuperar os clientes, Augusto conta que o dono da venda resolveu mudar o foco. “Ele passou a nos direcionar mais para os bairros, porque as pessoas agora estão dentro de suas casas”. Além disso, foi criada uma outra estratégia. ”Foi colocado um som adaptado à bicicleta que anuncia para os nossos clientes que estamos chegando. Com isso, conseguimos não só recuperar o número de clientes perdidos como conquistar novos”.

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