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Carne continua cara; confira os preços cobrados em Belém

O DIÁRIO percorreu supermercados, açougue e feira da capital paraense para verificar quanto está sendo cobrado por diferentes cortes de carne bovina. Veja os preços!

terça-feira, 27/04/2021, 08:24 - Atualizado em 27/04/2021, 08:46 - Autor: SUENIA CARDOSO DE SA MORAES


Gerente de um açougue, Adriano Drago também tem sentido os impactos expressivos no valor da carne
Gerente de um açougue, Adriano Drago também tem sentido os impactos expressivos no valor da carne | Ricardo Amanajás

Um dos itens até pouco tempo mais presentes na mesa dos brasileiros neste momento passou a ser, para muitos, apenas lembrança. Comer carne continua difícil.

O quilo da carne bovina de primeira, como coxão mole (chã), cabeça de lombo e paulista, fechou o primeiro trimestre deste ano (janeiro a março) com alta acumulada de quase 5% com a nova elevação verificada no mês passado. O produto apresentou acréscimo de preço de 1,60% em março deste ano em relação a fevereiro. Em janeiro a carne foi comercializada, em média, a R$ 33,62; em fevereiro, a R$ 34,29; e em março, a R$ 34,84, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA). Nos três primeiros meses de 2020, o produto havia sido comercializado em janeiro, em média, a R$ 26,46; em fevereiro, a R$ 25,35; e em março, a R$ 25,08. A diferença entre os preços chega a ser de quase dez reais quando comparados os primeiros trimestres de 2020 e 2021.

A elevação pesa no bolso do consumidor paraense e impacta as vendas dos açougueiros em Belém, já que a trajetória do produto não vem sendo uniforme. Nos últimos doze meses de 2020, o alimento registrou uma elevação de quase 40%. Além disso, para se ter uma ideia, a carne era vendida em dezembro de 2019 a R$ 28,22, e em dezembro do ano passado alcançou a média de R$ 33,23.

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Há doze anos trabalhando com carnes na feira da Pedreira, o açougueiro Ângelo Batista, 42 anos, conta que o faturamento caiu cerca de 30% este ano e que, em uma das épocas mais críticas da pandemia, no ano passado, as vendas reduziram em quase 70%. “Sei que muitos clientes têm optado atualmente pelo frango, mas é um alimento que também teve alta. Em relação à carne, as pessoas têm comprado em menor quantidade. Quem comprava cinco quilos, passou a comprar apenas dois. Mas neste último fim de semana já senti que as vendas melhoraram”. Ainda segundo ele, nos últimos vinte dias o preço cobrado pelos fornecedores variou entre R$ 0,20 centavos a R$ 1,00. “Depende muito do fornecedor, por isso vai oscilando e precisamos reajustar para o cliente”.

 

Carne exposta em um estabelecimento comercial
Carne exposta em um estabelecimento comercial | Ricardo Amanajás
 

Quem também tem sentido os impactos expressivos no valor da carne é o gerente de um açougue próximo à Feira da 25, no bairro do Marco, Adriano Drago, 40 anos. Há mais de um ano, junto com a pandemia, ele relata que sentiu os efeitos no faturamento. “É uma situação complicada para todos os açougues. São muitas dificuldades, a receita cai e não se ouve falar em estabilizar o preço da carne. Desde dezembro do ano passado observamos esse aumento. Recentemente deu uma estabilizada, mas, de duas semanas até o momento, já percebemos que aumentou de novo”.

O cenário na alta dos preços também fez com que o gerente percebesse uma demanda menor pelo alimento. “Vendemos muita carne de primeira e notei que os clientes continuam comprando o produto, porém, em menor quantidade. Acredito que as vendas caíram em torno de 30%”, destacou. Além da trajetória no preço da carne, Adriano contou que, em decorrência também da pandemia, tiveram que desligar três funcionários do quadro do açougue. “Dos doze, conseguimos manter apenas nove no estabelecimento”.

Consumidor

 

 Oscar Alcântara
Oscar Alcântara | Ricardo Amanajás
 


Morador do bairro da Pedreira, o oficial das Forças Armadas Oscar Alcântara, 60 anos, sentiu no bolso o acréscimo significativo no preço da carne bovina. “Parece que todo dia tem um aumento e o consumidor sofre as consequências. É preciso ter jogo de cintura, pesquisar em feiras e em supermercados o que sai mais em conta”. Com a alta do alimento, a família do Oscar passou a mudar as opções de cardápio alguns dias da semana. “Nos finais de semana geralmente priorizamos frango ou peixe, e durante a semana, carne, mas geralmente fazemos picadinho ou algo do tipo”.

 

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