A necessidade de deslocar-se de um ponto a outro na Região Metropolitana de Belém (RMB) sempre foi um grande desafio, sobretudo para os que precisam de transporte coletivo. Engarrafamentos, ônibus lotados e sucateados, pontos de espera sem abrigo para proteção de sol e chuva são reclamações constantes dos usuários.
Na manhã desta quinta-feira (27), a situação dos passageiros ficou ainda mais difícil. A greve dos trabalhadores do setor rodoviário de Belém, Ananindeua e Marituba, iniciada hoje pela madrugada, deixou nas garagens praticamente toda a frota de ônibus desses três municípios.
A solução mais "viável" foi o transporte alternativo, por meio de vans. Imagens enviadas por leitores do DOL e pelo repórter Toni Gonçalves, da Rádio Clube, mostram uma van completamente lotada, circulando com a porta aberta e com um passageiro "pendurado", com o corpo fora do veículo.
Em entrevista à Rádio Clube do Pará, o vice-presidente do Sindicato dos Rodoviários de Belém, Everton Paixão, afirmou que o sindicato ainda não foi notificado oficialmente sobre a determinação do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região, que estabelece que os rodoviários garantam a circulação de 80% da frota de ônibus nessas três cidades.
Em decisão liminar em ação de Tutela Cautelar Antecedente, protocolada pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belém, o TRT8 estabelece que os representantes sindicais da classe dos rodoviários em Belém, Ananindeua e Marituba mantenham associados suficientes para garantir o oferecimento do serviço à população, mesmo com redução, sob pena de multa diária de R$150.000,00.
Segundo Everton Paixão, a determinação apresenta uma incoerência, pois, antes mesmo da pandemia, a frota em circulação já havia sido reduzida para 60%, por determinação dos empresários do setor. O sindicalista afirmou, ainda, que não estão sendo realizadas obstruções nas portas das garagens.
O que dizem os empresários do setor?
De acordo com Paulo Gomes, presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de Belém (Setransbel), a afirmação feita pelo representante sindical de que apenas 60% dos ônibus disponíveis na capital são mantidos em circulação pelos empresários do setor é “totalmente descabida”.
“A frota é reprogramada dia a dia, momento a momento, mês a mês. Dia de semana é uma frota. Aos sábados e domingos, o número é outro. A cada período da pandemia, tivemos uma programação de frota com base no número de passageiros transportados, para que se evite ao máximo qualquer exposição dos passageiros [ao contágio pelo novo coronavírus]. Pedimos 100% da frota circulante e foi provido 80%”, afirma Paulo Gomes, referindo-se à decisão do TRT8. Segundo o presidente do Setransbel, 80% dos ônibus em circulação na Região Metropolitana representariam 1400 veículos – na manhã desta quinta-feira (27), 31 ônibus estão em circulação.
Sobre as reivindicações dos trabalhadores da categoria, que reclamam de salários e tíquete alimentação atrasados, defasagem salarial, além de falta de repasses para a clínica que realiza atendimentos de saúde a rodoviários e familiares, Paulo Gomes afirma que os empresários do transporte passam por crise.
“O cenário que está acontecendo não é uma particularidade de Belém. Está acontecendo em todos os sistemas de transporte do Brasil essa crise provocada pela pandemia. Existem empresas que já fecharam e algumas que estão em dificuldade para fazer os pagamentos. Estamos há 24 meses sem nenhuma recomposição. Neste período, tivemos uma alta de mais de 25% nos combustíveis, o que representa mais da metade de nossas despesas”.
O que diz a Prefeitura de Belém?
Em nota, a Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de Belém (Semob) informa que, em relação à greve dos rodoviários de Belém, as pautas apresentadas referem-se a questões trabalhistas que dizem respeito à relação empregador e empregado, e são diretamente acompanhadas pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belém (Setransbel) e Sindicato dos Rodoviários. A Semob acompanha o caso, mas determina às empresas que seja mantida a circulação da frota exigida pela Justiça do Trabalho, para não deixar os usuários do transporte público desassistidos.
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