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Gás de cozinha: preço aumentou mais de 20% em um ano

O aumento registrado no preço do botijão de gás de cozinha no intervalo de um ano é sentido sobretudo por quem trabalha com venda de comidas. Produto já foi encontrado custando até R$ 107

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Imagem ilustrativa da notícia Gás de cozinha: preço aumentou mais de 20% em um ano camera A vendedora de comidas típicas Mariana Silva diz que tem sido difícil arcar com os custos do botijão de gás | Wagner Almeida

O preço do botijão de gás de cozinha (gás liquefeito de petróleo - GLP) tem pesado no bolso das famílias no período de pandemia. No intervalo de um ano, o preço médio do botijão de 13 quilos sofreu reajuste de quase 21%. Em maio do ano passado custava, em média, R$ 76,79, com o valor mínimo de R$ 65 e o máximo R$ 108. Em levantamento recente feito pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), entre 30 de maio e 5 de junho deste ano, em 97 postos pesquisados no Estado, o valor médio saltou para R$ 92,87, com o mais barato custando R$ 82 e o mais caro R$ 107.

Segundo o presidente do Sindicato das Empresas Revendedoras de Gás Liquefeito de Petróleo do Estado do Pará (Sergap), Francinaldo Oliveira, a série de aumentos iniciou no ano passado, quando a Petrobras colocou em prática a política de paridade com o preço internacional. “Nesse período o preço só subiu, pois desde maio de 2020 até o momento atual o gás aumentou na refinaria mais de 95%. Atualmente, era para estarmos com o gás em torno de R$ 140, mas está variando entre R$ 95 e R$ 100, pois o preço total ainda não chegou ao consumidor final”, diz ele.

As consequências disso, ainda de acordo com o presidente, é que as empresas estão comprando o gás mais caro, não estão repassando o preço total para o consumidor final e amargando prejuízos. “Nas ruas você encontra trabalhadores entregando botijão sem uniformes, sem equipamentos de proteção individual, ou seja, está havendo uma precarização das empresas, seguindo para uma informalidade maior”, avalia. Por outro lado, do ponto de vista social, ele diz que pesquisas recentes apontam que o Pará é o quarto estado do país no qual a população mais migrou do gás de cozinha para o fogão a lenha, em um período de um ano.

O oligopólio presente no segmento também é fator determinante em relação aos custos e competição no mercado. “A Petrobras importa ou produz o gás de cozinha, vende para as distribuidoras que, posteriormente, vendem para os postos revendedores. Existem quase 70 mil revendas no país e 17 distribuidoras, sendo que, destas, quatro dominam mais de 92% do mercado. Ou seja, não tem competição neste segmento. Então, é importante que o governo federal quebre este oligopólio”, acredita Oliveira.

Em Belém, com o valor do gás próximo aos R$ 100, o custo de quem depende do produto para trabalhar e se alimentar acaba comprometendo o orçamento. A vendedora de comidas típicas Mariana Silva, 40 anos, que possui uma barraca no bairro de Nazaré, diz que tem sido difícil arcar com os custos do gás, mesmo ganhando um pequeno desconto do entregador. “Compro a R$ 93, mas esse valor já é com desconto, pois o preço está R$ 97,00. Para a minha venda, um botijão dura apenas cinco dias. É um custo muito alto, sai pesado e ainda temos que ter o nosso de casa, para uso doméstico. Ainda tem a questão da pandemia, com tudo ainda muito parado. Isso afeta demais o orçamento. Ano passado, nessa época de junho estaria vendendo muito mais, e este ano percebo que as vendas já caíram bastante”. A perspectiva em relação aos preços é que, se continuar com a política de paridade, provavelmente haverá novos reajustes este ano, de acordo com Oliveira.

Vendas

Vendedor de lanches Clayton Nascimento.
📷 Vendedor de lanches Clayton Nascimento. |Wagner Almeida

No bairro do Marco, o vendedor de lanches Clayton Nascimento, 35 anos, conta que usa três botijões por semana, mesmo com o desconto do entregador. “Comprava a R$ 68 e agora está custando mais de R$ 80. E ainda consigo desconto, senão seria muito mais caro. Para compensar tive que aumentar os preços de alguns lanches, senão saio no prejuízo”, relatou.

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