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ECONOMIA

61% das famílias estão endividadas no Pará; como se livrar?

Segundo a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Pará, de maio para junho deste ano o percentual de famílias com dívidas subiu de 59,3% para 61,1%

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Imagem ilustrativa da notícia 61% das famílias estão endividadas no Pará; como se livrar? camera O taxista Paulo Beltrão, espera uma oportunidade para trocar o carro para um modelo mais novo. | Wagner Almeida

O primeiro semestre de 2021 encerrou com mais da metade da população endividada, segundo os números da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Pará (Fecomercio).

A pesquisa mensal que avalia as taxas de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) apontou que de maio para junho deste ano o percentual de famílias com dívidas subiu de 59,3% para 61,1%. Os dados apontaram ainda o crescimento da inadimplência no Estado.

Em maio, foi de 28,1% e no mês passado beirou os 30% (29,3%). Em resumo, os índices mostram que a cada dez paraenses, seis estão endividados; e três em cada dez paraenses estão com as dívidas atrasadas.

A nível nacional, o cenário também não está bom. Isso porque junho encerrou com 69,7% das famílias brasileiras endividadas e 25,1% delas na inadimplência (dívidas em atraso), segundo a CNC.

A assessora econômica da Fecomércio/PA, Lucia Cristina Lisboa, destacou que, mesmo os índices sendo elevados, a quantidade de famílias que fecharam o 1º semestre de 2021 com dívidas foi menor, em comparação com o mesmo período do ano passado, quando 74,3% dos paraenses estavam endividados e 34,7% com dívidas atrasadas (inadimplentes).

Um dos fatores que explica essa redução no comparativo entre os primeiros semestres de 2020 e 2021 foi que muitos consumidores reduziram o volume de compras parceladas. Isso se deve ao cenário de incertezas e crises que a pandemia tem gerado. Esse é o caso, por exemplo, do taxista Paulo Beltrão, 54, que precisa trocar o carro para um modelo mais novo, porém, ainda não fez isso porque teme não poder quitar a dívida.

“Já estou no tempo de trocar o carro, mas não dá ainda. Além do valor estar muito elevado, os juros estão ‘exorbitantes’, então se eu for comprar agora não irei conseguir arcar com as parcelas”, destacou. “Já aumentei a minha jornada de trabalho para poder conseguir fechar as despesas de casa, mas está difícil fazer qualquer outra conta, mesmo que seja a de um carro novo que vai ser o meu instrumento de trabalho”, diz.

Em junho, 14,4% das famílias endividadas alegaram que não têm condições de quitar os débitos. O percentual é o dobro do que foi registrado em junho de 2020, quando 7,1% dos endividados alegavam não ter recursos para pagar as contas. “Isto revela impactos da crise econômica sobre a renda das famílias”, disse Lúcia Cristina.

O empreendedor Apolidoro Corrêa, 30, faz parte das estatísticas dos endividados e precisou mudar de ramo para conseguir pagar o que deve. “As minhas dívidas chegaram a R$ 25 mil, isto mesmo depois de eu ter vendido o meu carro para pagar outras. O que tem me salvado foi que abri uma pizzaria artesanal e o negócio tem me salvado. Tudo o que ganho é para pagar as dívidas, estou há dois meses sem dizer que tenho um salário”, afirma.

Apolidoro Corrêa, empreendedor
📷 Apolidoro Corrêa, empreendedor |Wagner Almeida

“Eu tenho duas barbearias e a pandemia, principalmente no período de lockdown, trouxe prejuízos financeiros que viraram uma bola de neve. Fiz empréstimos, renegociei dívidas e aos poucos estou me reerguendo porque consegui me reinventar no meio da crise”, destacou Apolidoro.

CARTÃO

Os dados da pesquisa CNC/Fecomércio-PA mostram que o cartão de crédito, mesmo sendo uma ferramenta importante para determinadas compras, é o principal vilão dos consumidores. Isso porque 76,9% das famílias que estão endividadas chegaram a este estágio em decorrência das compras no cartão de crédito.

Lucia Cristina Lisboa recomenda que os inadimplentes façam uma pesquisa junto aos órgãos de proteção ao crédito (SPC e Serasa) e comecem a negociar as dívidas que estão atrasadas. “Quem está endividado precisa conhecer o tamanho da dívida”, orienta. “Daí buscar as melhores formas para negociar”.

SERVIÇO

Taxas de endividamento no Pará

- 61,1% das famílias endividadas

- 29,3% dos endividados então inadimplentes (pagamentos atrasados)

FONTE: Fecomércio/PA

Como se livrar das dívidas

- Saiba quanto deve

Quem já está endividado, precisa conhecer o tamanho da dívida e para isso se deve fazer um levantamento de todas as compras parceladas, boletos e faturas, checar prazos de pagamentos e por quanto tempo ainda terá contas a pagar.

- Ordenar o orçamento

Levantar despesas e receitas a fim de verificar quantos por cento da renda mensal já está comprometida com dívidas e por quanto tempo. Ter o cuidado para não ultrapassar 30% do salário ou da remuneração mensal.

- Checar se nome está limpo

Pesquisar se o nome registrado em Serasa e SPC em função de alguma dívida não paga e qual dívida é esta.

- Pague primeiro as com maior atraso e juros

Ao levantar as informações e fazer um planejamento para pagar as dívidas, foque nas mais atrasadas, sobretudo as com mais juros e multas.

- Não perder tempo

Se antecipar para quitar débitos, ou seja, antes mesmo do registro, já buscar os pagamentos. Se possível e houver condições, pague à vista e busque redução de juros. Se não puder pagar de uma vez, renegocie as parcelas e procure melhores condições de pagamento.

-Mutirões

Aproveitar os mutirões de renegociação de dívidas com redução de encargos, quando houver um serviço do tipo.

Fonte: Lucia Cristina Lisboa

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