Quando viu o Mercado do Ver-o-Peso, em Belém, pela primeira vez, o comerciante José Luiz Freitas tinha apenas seis anos de idade. Foi quando os pais dele conseguiram permissão para trabalhar em um pequeno box, onde hoje ele comercializa gêneros alimentícios. O estabelecimento fica perto do mercado.
Agora, aos 65 anos, o empreendedor vai diariamente para o Ver-o-Peso, pois, com o falecimento dos pais, assumiu o negócio da família. José não tem filhos e abraçou a responsabilidade de cuidar dos oito irmãos. “Inclusive, uma das minhas irmãs trabalha aqui. Pago a ela como se fosse funcionária. O negócio é de família, mas eu tive de assumir o papel dechefe”, comentou.
Para ampliar a oferta de mercadorias, ele precisou fazer um financiamento. Conseguiu uma linha de microcrédito junto ao Banco da Amazônia. “Foi há cinco anos. Um assessor de crédito deixou aqui um folheto falando sobre um programa de microcrédito que me interessou porque eu precisava potencializar o meu negócio. Aquele anúncio que o rapaz deixou poderia me ajudar. Foi o que aconteceu”, lembrou.
“Eu conversei com outros colegas comerciantes que também estavam sem capital para investir nos seus boxes e nós agendamos a visita desse assessor de crédito, que explicou como funcionava. A ajuda financeira que o banco me ofereceu me permitiu comprar tanta mercadoria que precisei de mais um box. Ampliei meu comércio e as vendas”,comemorou.
O financiamento a que José Luiz se refere é o Amazônia Florescer Urbano, um dos programas de microcrédito pelo qual o Banco da Amazônia disponibiliza linhas de crédito que variam de R$ 300 a R$ 21 mil para empreendedores e também trabalhadores informais. As taxas de juros são de 2,4%. O programa completa, em 2021, 14 anos de existência e, neste período, realizou 407.447 operações de crédito em todo o território da Amazônia Legal, movimentando R$ 837 milhões em financiamentos e negócios.
PARÁ
Desde que foi criado, em 2007, o Amazônia Florescer Urbano já atendeu a mais de 330 mil empreendedores. A maioria deles no estado do Pará, onde existem mais de 36 mil empreendedores ativos beneficiados com as ações do programa.
O comerciante Paulo Monteiro, morador da cidade de Inhangapi, no Nordeste Paraense, também conseguiu expandir seu negócio depois de obter a linha de crédito Amazônia Florescer Urbano por duas vezes. Ele é proprietário de um mercadinho no centro da cidade e, há dez anos, percebeu que precisava diversificar o estabelecimento e tinha chances de ampliá-lo, porém, faltava capital. Foi então que buscou informações e conheceu a linha de microcrédito que o Banco da Amazônia disponibiliza para empreendedores como ele.

“Naquela ocasião, o Banco da Amazônia me concedeu um financiamento de R$ 1 mil, o suficiente para que eu pudesse adquirir novos produtos e diversificar as minhas vendas”, relatou.
Questionado sobre como foi o processo, Paulo explicou que recorreu a um escritório onde trabalham assessores de microcrédito que fazem a intermediação com o banco. “Um dos assessores me orientou a formar um grupo porque seria mais fácil. Reuni outros amigos e parentes que têm lojas aqui por perto e recebemos a visita do assessor. O rapaz conversou com a gente, deu orientações sobre como podíamos melhorar as nossas vendas e, quem estava com a documentação certinha, conseguiu o crédito”, relatou.
“Eu paguei o primeiro financiamento em 6 meses e o segundo em 10 meses. As taxas de juros foram favoráveis para que não ficasse uma dívida grande. Todo dia eu separava um percentual do caixa e guardava para pagar o financiamento, assim não pesava”, comentou. “Hoje tenho novas ideias para o meu empreendimento e certamente vou recorrer ao Banco da Amazônia para conseguir alavancar ainda mais meu negócio”, projetou.

José Luiz e Paulo são dois comerciantes paraenses que moram em cidades diferentes. Conseguiram o microcrédito com o mesmo propósito de investir em seus comércios e o recurso adquirido foi investido para o capital de giro. Eles formaram pequenos grupos com outros comerciantes para obter ofinanciamento.
Serviço
Para conseguir o microcrédito, o empreendedor precisa apresentar documentos como RG, CPF e comprovante de residência, além de provar a sua atividade econômica.
Linha beneficia diversas categorias de empreendedores
O coordenador de Agricultura Familiar, Microcrédito e Microempreendedor Individual (MEI) do Banco da Amazônia, Alexandre Trindade Ferreira, explica que o Amazônia Florescer Urbano alcança diversas categorias de empreendedores.
“O crédito é concedido para qualquer atividade econômica informal, desde que ela não seja ilegal. Não iremos conceder o financiamento para uma pessoa que vende produtos ‘piratas’, como CDs, por exemplo”, destacou. “Pelo programa, a gente consegue liberar crédito para aquele empreendedor, aquele trabalhador informal que gera emprego e gera rendapara o futuro”, afirmou.
As atividades que podem ser financiadas pelo Amazônia Florescer Urbano contemplam, pelo menos, três setores econômicos em que a atuação de pequenos empreendedores é bastante forte: Comércio, Serviços e Produção. No Comércio, o microcrédito é concedido para donos de armarinhos, pontos de venda de açaí, mercadinhos, sorveterias, fruteiras e pequenas lanchonetes.
Em Serviços, ele atende salões de beleza, barbearias, costureiras e oficinas mecânicas. No de Produção estão inseridos os empreendedores que têm lojas de confecções (roupas e acessórios), padariase lojas de artesanato.
Alexandre explica que para ter acesso ao microcrédito, o empreendedor não precisa ir a uma agência do Banco da Amazônia. Ele pode fazer isso acessando o aplicativo do programa, onde poderá obter mais informações sobre o microcrédito, solicitar a visita de um assessor de microcrédito e formular a proposta.
DIGITAL
“O Amazônia Florescer funciona dentro da metodologia do Programa de Microcrédito Produtivo Orientado (PNMPO), regularizado pela Lei nº 13.636/2018. Essa lei tem um dispositivo pelo qual se determina que as operações de crédito sejam 100% de forma digital”, disse Alexandre.
Para acessar o crédito do Programa, o interessado deve ter, no mínimo, seis meses na atividade, comprovante de residência, identidade e formar um grupo de acesso ao crédito de 3 a 10 pessoas em que cada um tenha uma atividade de empreendimento. Para mais informações, acesse o site www.bancoamazonia.com.br.

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