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De atestado, Gilberto Martins é flagrado nas compras em SP

Documento onde constam problemas como angina, hipertensão e dor toráxica , ao que tudo indica, foi usado para delongar a notificação do processo administrativo instaurado pela Corregedoria do CNMP

terça-feira, 07/09/2021, 20:33 - Atualizado em 08/09/2021, 07:44 - Autor: DOL


Atestado de 15 dias foi apresentado por Gilberto Martins no último dia 1º
Atestado de 15 dias foi apresentado por Gilberto Martins no último dia 1º | Arquivo

Ex-procurador do Ministério Público do Pará foi visto circulando num dos shoppings mais caros de São Paulo depois de apresentar atestado médico para evitar ser notificado em processo de quebra de sigilo judicial

Naquilo que pode ser considerada uma tentativa de procrastinar a citação feita  a Corregedoria do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) para se defender dos dois Processos Administrativos Disciplinares (PADs) abertos contra ele, o ex-Procurador Geral de Justiça (PGJ) do Pará, Gilberto Martins Valente, que segundo a denúncia ao CNMP teria divulgado documentos sigilosos em processos que correm em segredo de Justiça, apresentou um atestado médico assinado no dia 1 de setembro pelo cirurgião Dionísio Bentes Carvalho, da Clínica Cárdio-Cirúrgica do Pará, de licença médica de 15 dias por estar com angina, hipertensão e dor toráxica. No entanto, a reportagem do DOL flagrou, com exclusividade, Gilberto Valente passeando no final da tarde desta terça-feira, 7, no Shopping JK Iguatemi, um dos mais luxuosos de São Paulo.

Na imagem, é possível ver que o ex-procurador conversa descontraidamente com alguns conhecidos carregando sacolas de compras, sem aparentar nenhum problema médico grave.

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Corregedoria do CNMP instaura PADs contra Gilberto Martins

Com o atestado, depois de passar um longo período de férias Portugal, Gilberto ganhou mais 15 dias de prazo para apresentar defesa dos PADs que foram abertos a partir das Reclamações Disciplinares 1.00582/2021-57 e 1.00768/2021-60.

Neles, o CNMP constatou indícios de que Gilberto descumpriu deveres funcionais previstos na Lei Orgânica do Ministério Público do Pará (MP-PA). As investigações se encontram sob sigilo e o DIÁRIO não conseguiu acesso ao conteúdo, mas confirmou de que se trata de Gilberto. Os fatos estariam relacionados à divulgação à imprensa do conteúdo de processos que se encontravam sob segredo de Justiça.

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Improbidade administrativa

As penas sugeridas pelo corregedor nacional, Rinaldo Reis Lima, são de três sanções de Censura, nos dois processos. Mas advogados ouvidos pelo DIÁRIO dizem que Gilberto pode acabar também processado por improbidade administrativa e até na esfera criminal, por causa da divulgação dos documentos.

Gilberto foi nomeado PGJ, por duas vezes, pelo ex-governador Simão Jatene, do PSDB. A primeira, em março de 2017. Cinco meses depois, em agosto, ele afastou o procurador Nelson Medrado das investigações sobre o escândalo do Betocard: o abastecimento de viaturas da Polícia Militar em postos de gasolina de Beto Jatene, filho de Jatene, que teriam lucrado mais de R$ 5 milhões com a transação. Medrado e o promotor Armando Brasil haviam denunciado pai e filho à Justiça, por improbidade administrativa. E acabariam respondendo a mais de uma dezena de PADs, na administração de Gilberto.

A recondução dele ao cargo ocorreu no final de 2018. Desde 2019 e até abril deste ano, quando terminou o seu segundo mandato, Gilberto travou uma guerra de acusações contra Helder Barbalho, o governador eleito, em 2018, pelo MDB. Uma postura oposta àquela que manteve durante o governo de Jatene, quando pouco ou nada fez diante de uma montanha de escândalos, esses sim verdadeiros.

Um exemplo é o Asfalto na Cidade, que teria lesado os cofres públicos em mais de R$ 1 bilhão. Outro, o “dinheirinho” de Izabela Jatene, filha de Jatene: em um diálogo grampeado pela polícia, Izabela pediu ao então subsecretário de Receitas da Secretaria da Fazenda (Sefa), Nilo Noronha, a lista dos 300 maiores contribuintes do Pará, para “começar a buscar esse dinheirinho deles”.

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