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11 ANOS DO DOL

Jogo político do Pará remexe tabuleiro com novas lideranças

Em 11 anos, a política do Pará foi marcada pela ascensão de novas lideranças e saída de cena de nomes históricos. Os grandes destaques do período são a eleição de Helder Barbalho ao Governo do Estado e a volta de Edmilson Rodrigues à Prefeitura de Belém.

quarta-feira, 15/09/2021, 08:49 - Atualizado em 15/09/2021, 08:49 - Autor: Anderson Araújo


Helder: vitória em 2018 para o Governo do Pará.
Helder: vitória em 2018 para o Governo do Pará. | Rogério Uchoa/Diário do Pará

Na política, tudo muda muito rápido. Às vezes, em dias e até em horas, a depender das condições de pressão e temperatura e dos acordos de bastidores. Imagina em 11 anos com tantas tensões, ascensões, quedas e novos cenários no âmbito global, nacional e local? Como portal, o Dol acompanhou essas mudanças e registrou o vaivém do poder com a trocas de governadores, prefeitos, senadores, deputados e vereadores em todos os cantos do Pará.

Em 2010, a ex-governadora Ana Júlia Carepa, na época integrante do Partido dos Trabalhadores (PT), terminava um mandato conquistado na eleição de 2006, na boa onda gerada pela popularidade do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, do desgaste dos governos do PSDB e do surpreendente retorno do ex-governador Almir Gabriel para disputar o cargo, colocando de lado o então o governador Simão Jatene, no primeiro mandato na época e habilitado para uma reeleição.

Ana Júlia findou o governo com muitas críticas e isolada politicamente, derrotada por Simão Jatene, em 2010. Ele retomava, assim, o mando tucano, após o intervalo petista de quatro anos. Jatene ficaria como governador mais um mandato, reelegendo-se em 2014, ano em que o atual governador do Pará, Helder Barbalho, quase venceu e ficou em segundo lugar na disputa.

Nesse meio tempo, em 2013, morreu Almir. O tucano histórico partiu num dia 19 de fevereiro aos 80 anos. Deixou como história uma longa carreira, que incluiu dois mandatos como governador ( de 1994 a 1998 e de 1999 a 2002) e um como prefeito de Belém, de 1983 a 1986. Nessa trajetória, um episódio gravíssimo: o massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido em 1996, quando a Polícia Militar confrontou agricultores no Sul do Pará e o resultado foi  a morte de 19 pessoas. A tragédia ocorreu no segundo ano da primeira participação de Almir como chefe do Executivo estadual.

 

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Novos ventos, novas lideranças, novos cenários

Com dois mandatos de Almir e três de Jatene, o desgaste dos governos tucanos já era evidente em 2018. Um dos principais motivos eram os péssimos indicadores sociais, entre eles, os de segurança pública, visto e sentido nas ruas dos municípios paraenses. A jovem liderança de Helder Barbalho (MDB), balanceada com a experiência de quem começou cedo em uma carreira vitoriosa, definiu os novos ventos da política paraense e ele foi eleito naquele ano.

Helder construiu uma base e acumulou experiência desde 2001, quando foi eleito vereador por Ananindeua. Tornou-se deputado estadual e depois prefeito da cidade. Depois foi ministro da Pesca e Aquicultura, da Secretaria Nacional dos Portos e da Integração Nacional, entre os anos de 2015 a 2018.

Na disputa de 2018, ele venceu seu adversário, o ex-deputado estadual Márcio Miranda (DEM), com 55,43% dos votos. Com uma aliança ampla e uma campanha marcada pela palavra “trabalho” e atenção a todas as regiões.

A polêmica da divisão do território do Pará

Em 2011, o Pará parou para decidir sobre uma questão importante: o território do Estado deveria se manter unificado ou ser dividido em mais dois estados, o de Carajás e o do Tapajós? A pergunta foi respondida em 11 de dezembro 2011, quando a população disse não às duas unidades federativas e manteve o Pará na mesma configuração.

Em 24 de agosto daquele ano, foi decidido que todo o Estado do Pará seria consultado, depois de dúvidas se aplicação do plebiscito deveria ser ampla e em todas as regiões. Na prática, significou que devia haver apoio majoritário em todo o território paraense para o surgimento dos estados de Tapajós e Carajás.

Caso vencesse o projeto de separação para criar novos estados, o Tapajós ocuparia 58% do atual território e teria 27 municípios. Já Carajás teria 25% do território com 39 cidades. O Pará remanescente ficaria com 17% do território.

Nas urnas, nas duas consultas de divisão, o não venceu. Sobre Carajás, 66,6% da população recusou a proposta de criação contra 33,4% a favor.  Em relação ao Tapajós, o placar foi de 66,08% para não criar o Estado e 33,92% pela criação.

Belém: de Duciomar a Edmilson 2.0

No ano de criação do Dol, em 2010, o ex-prefeito Duciomar Costa estava no segundo ano do seu segundo mandato, eleito na época pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Com o acúmulo de processos e obras atrasadas, ele deixou a prefeitura em 2012 – para depois responder por graves acusações por desvio de recursos público, inclusive com condenações na Justiça.

No lugar de Dudu, entrou Zenaldo Coutinho (PSDB) com promessas de melhorar a gestão da cidade a partir de ações focadas nos chamados três S: Saúde, Segurança e Saneamento. Foi eleito, em 2012, com apoio do governador da época, Simão Jatene, e vencendo o ex-prefeito e então deputado federal Edmilson Rodrigues (PSOL), que voltava a uma disputa majoritária depois de longo hiato.

Na eleição seguinte, em 2016, marcada por uma pesada polarização entre esquerda e direita, seguida do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, os dois candidatos novamente se enfrentariam. De novo, o tucano levaria a melhor e se reelegeria prefeito, mesmo com uma popularidade em baixa e poucas ações para mostrar no comando da prefeitura.

No ano passado, Edmilson insistiu em mais uma eleição. Desta vez ele derrotou, no segundo turno, o candidato Everaldo Eguchi, do Patriotas. Ainda em um cenário polarizado e contaminado pelo debate nacional em torno do bolsonarismo, o atual prefeito de Belém teve uma vitória apertada com 51,76% dos votos, conquistados por uma militância fervorosa nas ruas apesar da pandemia de covid-19 e pela união com partidos com programas ideológicos diferentes do PSOL. A comemoração na Praça do Operário, velho espaço das vitórias esquerdistas, levou uma multidão às ruas, inaugurando a nova fase do professor e ex-sindicalista: “o Ed voltou!”.

 

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