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Exposição à pandemia: proteção desafia trabalhadores

Urgência imposta pela Covid-19 gerou impacto na segurança dos trabalhadores da saúde

domingo, 19/09/2021, 10:21 - Atualizado em 19/09/2021, 10:21 - Autor: Cintia Magno/Diário do Pará


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Em meio a tantas técnicas de controle e cuidado que já fazem parte da rotina dos profissionais de saúde, a pandemia da Covid-19 reforçou uma série de urgências e novos protocolos de segurança. Ainda que a dimensão da epidemia tenha gerado efeitos nas rotinas de todos os trabalhadores, os profissionais de saúde, sem dúvida, foram os mais impactados pelos riscos de contaminação pelo novo coronavírus durante a execução de suas atividades laborais.

As dimensões da pandemia e a sobrecarga provocada aos sistemas de saúde foram um fato novo para os profissionais dessa área, mesmo que já estivessem habituados a lidar com agentes biológicos em função de suas atividades laborais.

O diretor do Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa), Wilson Machado, lembra que foi necessário estruturar os hospitais com a pandemia já em curso. “Uma pandemia com essas dimensões nos pegou a todos da área de saúde com certa surpresa. Não se pensava que a dimensão fosse tão grande, consequentemente, nem os hospitais e nem o sistema público de saúde e nem o privado estavam preparados para atender a contento a proteção do trabalhador de saúde”, considera.

“Então, nós tivemos vários casos de óbito entre os médicos, perdemos mais de 80 médicos no Pará, o que mostra que os médicos ficaram muito mais expostos aos agentes biológicos da pandemia e, por conseguinte, os resultados foram desastrosos não só para aqueles que perderam a vida, como também para uma infinidade de outros profissionais que adoeceram”.

O diretor do sindicato aponta que, logo no início, faltaram os equipamentos de proteção individual específicos para a pandemia, que vão desde aventais apropriados, luvas apropriadas para a pandemia, máscaras N95, que são diferentes das máscaras usualmente adotadas. Ainda que a situação já perdure a mais de um ano, Wilson Machado aponta que, no caso das máscaras N95, até hoje não existem em quantidade suficiente e necessária para garantir a proteção dos profissionais de saúde.

“Aqueles trabalhadores de terapia intensiva, UTI, precisam de muito mais equipamentos de proteção individual, inclusive material para intubação do paciente que são específicos para impedir a contaminação do operador do procedimento”, aponta.

Alta demanda de trabalho gera prejuízos à saúde emocional

 

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Não apenas o risco de contaminação pela Covid-19, como também o grande volume de trabalho demandado acabou por gerar, ainda, um grande impacto à saúde psicológica e emocional dos profissionais da área da saúde.

“Tivemos, portanto, o aumento estatístico de médicos e profissionais de saúde com problemas de desequilíbrio emocional em função dessa circunstância toda. Soma-se a tudo isso a quantidade de horas trabalhadas superior ao habitual, até porque, naturalmente, houve uma diminuição importante de profissionais disponíveis e treinados para fazer frente à pandemia”, considera o diretor do Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa), Wilson Machado.

“Foi um ponto fora da curva que surpreendeu a todos e que deixa uma lição e um aprendizado para todos nós, não só para os profissionais de saúde, como principalmente para os gestores da saúde que precisam estar preparados para essas circunstâncias com equipamentos adequados nos hospitais, clínicas, ambulatórios, todos os profissionais com treinamento regular e a disponibilização de condições adequadas de proteção para que o profissional possa trabalhar”.


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