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Prevenção geral: é preciso estar ciente dos riscos

Treinamento junto aos trabalhadores ajuda a manter a rotina em segurança

segunda-feira, 20/09/2021, 13:59 - Atualizado em 20/09/2021, 13:59 - Autor: Cintia Magno


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A adoção de medidas que visem a prevenção a acidentes do trabalho com exposição a materiais biológicos passa, primordialmente, pela conscientização e capacitação dos profissionais que podem estar expostos a esse risco ocupacional. Mais do que disponibilizar os devidos equipamentos e recursos de proteção, é fundamental que os trabalhadores envolvidos estejam cientes dos riscos que a não adoção de determinado protocolo de segurança pode envolver, na medida em que torna mais suscetível a ocorrência de acidentes.

Professor da pós-graduação em Medicina do Trabalho da Universidade Estácio de Sá, o médico do trabalho Alexandre Carloni destaca que o que se observa, na maioria das vezes, é a ocorrência de acidentes a partir de lesões de pele decorrentes do contato com objetos perfurocortantes, como no contato com um tubo de ensaio quebrado ou de agulhas que estão com sangue em um laboratório, por exemplo, caso esse material não tenha sido devidamente descartado em recipiente próprio, de preferência que seja rígido e que não deixe a agulha transfixar essa parede para que a pessoa não se machuque.

O médico aponta que, para evitar tal risco, é possível usar recipientes de descarte destes materiais como os do tipo descarpark, que podem acondicionar as agulhas que, após o uso, não são reencapadas manualmente. Apesar disso, hoje já existem dispositivos de segurança que protegem a ponta da agulha para que a pessoa não se machuque, aumentando as medidas de proteção e prevenção a acidentes com esse tipo de equipamento.

Independente disso, porém, Alexandre Carloni destaca que a distribuição de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) pouco adianta se os trabalhadores que atuam em ambiente com risco de contato com materiais biológicos não estejam conscientes da necessidade do uso correto de tais equipamentos.

“A prevenção, acima de tudo, está na conscientização desses trabalhadores. Não adianta a gente distribuir EPI para esse trabalhador, não adianta a gente distribuir recipientes específicos para transporte, se a gente não conscientiza dos riscos que esse trabalhador corre ao manusear material biológico ou objetos perfurocortantes, objetos que possam causar lesões na pele”, acredita. “O EPI é importante, sim, mas o mais importante de tudo é a conscientização do trabalhador, para que ele saiba manipular a agulha e descartá-la de forma racional, atenta e correta”.

Calendário de imunização deve ser respeitado

A conscientização e o devido treinamento do trabalhador permitirá que ele se mantenha mais atento às medidas preventivas mesmo em situações em que, pela própria natureza da atividade, ele pode acabar ficando mais exposto.

“Muitas vezes um profissional de emergência necessita de muita agilidade no manuseio do paciente grave e, com isso, fica mais susceptível a se acidentar com material perfurante ou perfurocortante. Em um trabalho de emergência em via pública, devido a necessidade de agilidade no atendimento, o profissional fica também muito suscetível de ser submetido a acidentes biológicos”, destaca o médico do trabalho Alexandre Carloni.

Do mesmo modo, a sobrecarga de trabalho e a sobrecarga emocional também podem aumentar o grau de suscetibilidade desses trabalhadores ao risco de acidentes envolvendo materiais biológicos. Situação que acabou acentuada no contexto atual da pandemia da Covid-19, conforme aponta Carloni. “Agora, na época da pandemia, os profissionais que estão na linha de frente estão muito assoberbados de trabalho, com uma carga de estresse emocional elevada. Nesse caso, os riscos com acidentes biológicos aumentam. Já passamos a ter o risco de acidente biológico, mais o risco de contaminação pela doença e ainda o estresse que é gerado por uma situação de excesso de demanda, excesso de atendimentos dentro de unidades de emergência, de unidades de terapia intensiva a que eles estão sujeitos”, considera. “Então, tudo isso é um somatório de fatores que fazem com que o trabalhador de saúde, no caso, fique mais suscetível a acidentes pelo estresse emocional que eles estão vivendo. Esse é um aspecto que também precisa ser levado em consideração”.

DOENÇAS

Entre as doenças que podem ser ocasionadas em decorrência de acidentes biológicos, o médico do trabalho Alexandre Carloni destaca que três são mais comuns, a infecção pelo vírus HIV, a Hepatite B e a Hepatite C. Para uma delas, a Hepatite B, há vacina disponível no sistema de saúde, o que reforça mais essa medida preventiva que os profissionais de saúde precisam adotar para exercer suas funções com segurança.

“A Hepatite B é uma doença totalmente prevenível porque você pode e deve fazer a vacinação do profissional. As orientações do Ministério da Saúde e das Normas Regulamentadoras do trabalho são de que se faça a vacinação contra a Hepatite B, além de outras vacinas do calendário de vacinação que esse profissional possa trabalhar com segurança nesses ambientes”, esclarece. “Essas três doenças, o HIV, Hepatites B e C, normalmente são doenças que podem ser transmitidas por lesão perfurocortantes também”.

No caso de contaminação, por exemplo, com uma suspeita de HIV ou de uma doença infecciosa qualquer, a orientação é de que o profissional procure o departamento médico com a máxima urgência, já que as providências têm que ser tomadas de imediato. “O que é importante ter consciência que nenhum trabalhador de saúde está livre de um acidente de trabalho como esse, com risco biológico”, alerta Alexandre Carloni.

 

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