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EPIs são fundamentais na prevenção de acidentes

Uso de botas, por exemplo, ajuda a evitar acidentes por botes de serpentes

segunda-feira, 27/09/2021, 16:24 - Atualizado em 27/09/2021, 16:24 - Autor: Cintia Magno


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Ao considerar que um acidente envolvendo animais peçonhentos ocorre quando o homem tem contato com tais animais, não é difícil compreender que a melhor maneira de prevenir tais acidentes é se manter afastado de ambientes nos quais eles costumam habitar. Em algumas ocasiões, porém, a própria atividade profissional do trabalhador envolve o acesso a espaços em que pode haver tal contato. Nesses casos, alguns equipamentos de proteção podem contribuir, e muito, para a prevenção. Em caso de ocorrência de acidentes, algumas medidas também devem ser tomadas, de imediato, para evitar maiores danos à saúde do trabalhador acidentado.

O médico Pedro Pereira de Oliveira Pardal, coordenador emérito do Centro de Informações Toxicológicas (CIT), explica que nos casos em que o trabalhador precisa ir para uma área de mata, deve fazer uso de botas de cano longo, que proteja até o joelho. Essa medida previne grande parte dos acidentes com serpentes. “A maioria dos acidentes por serpentes ocorrem nos membros inferiores porque a serpente é rasteira e o homem vai andando e ela ataca”, considera. “Como a serpente dá um salto, o chamado bote, ela sobe até um terço do seu tamanho, do seu comprimento. Então, se ela mede um metro, ela geralmente ‘salta’ 30 cm, por isso que a maioria dos acidentes com serpente ocorrem nos pés e pernas. Por isso, também, que uma bota resolve o problema. Outro cuidado para o trabalhador é ficar atento ao ambiente que ele anda”.

ESCORPIÕES E ARANHAS

No caso dos escorpiões e as aranhas, a maioria dos acidentes ocorre nos membros superiores. Pedro Pardal explica que, geralmente, os acidentes acontecem quando a pessoa vai manusear algum pedaço de pau, folhas ou arbustos, onde esses animais podem estar escondidos. “Para evitar isso, deve-se usar a luva de apara de couro que evita esse tipo de acidente”, aponta. “Essas proteções como bota e luvas evitam grande parte dos acidentes, mas não evitam totalmente porque outra parte do corpo também pode ser acidentado, como a coxa, o abdômen, o rosto”.

Ação rápida e atenção aos sinais evitam quadros graves

Caso as medidas preventivas não tenham sido suficientes e o trabalhador acabe se acidentando com algum desses animais, é preciso agir rápido e ficar atento a algumas orientações para não agravar o quadro, recomenda o médico Pedro Pereira de Oliveira Pardal. “Se a pessoa for acidentada, a primeira coisa a se fazer é não se apavorar. Ele deve se acalmar, observar que animal foi o responsável, lavar o local com água e sabão e, se tiver com algum companheiro, ele deve levar a pessoa acidentada para o posto de saúde o mais rápido possível para fazer o antiveneno”.

O médico orienta, ainda, que as pessoas acidentadas por cobra nunca devem cortar o local para tentar tirar o veneno. Ele explica que a presa funciona como uma agulha que injeta o veneno, então, o veneno não sai. Também não se deve aspirar, colocar a boca no local e tentar chupar o veneno porque também não resolve. Outra orientação dada pelo coordenador emérito do Centro de Informações Toxicológicas (CIT) é de que não se deve amarrar o local, já que tal prática piora a situação nos casos de acidentes com serpentes, principalmente se a serpente em questão for a jararaca. “Também não deve colocar nada estranho em cima, como folhas, tabaco. Às vezes as pessoas colocam até mesmo esterco. Isso não deve ser colocado”, alerta Pedro Pardal. “O que tem que fazer mesmo é acalmar o paciente, lavar o local e levar o paciente o mais rapidamente possível para um atendimento de emergência em um posto médico onde tenha o antiveneno, o soro contra o veneno daquele animal”.

No posto de saúde ou no pronto socorro, o médico poderá avaliar qual foi o animal envolvido e qual a gravidade do acidente. Dependendo da gravidade - leve, moderado ou grave -, no caso dos acidentes com serpentes, a quantidade de soro utilizada deve variar. “Se é acidente leve são menos ampolas e acidentes moderados e graves mais ampolas. Além do soro, a pessoa tem que ficar internada para ser avaliada pelo menos por 24 horas, para que se verifique se o quadro vai piorar ou não”.

ESCORPIÕES E ARANHAS

Com escorpiões e aranhas o procedimento é o mesmo, só que com a utilização de soros diferentes. O médico explica que cada animal tem o seu soro específico. “Por exemplo, se a pessoa for picada por jararaca, o soro tem que ser de jararaca, não pode ser de surucucu, de cascavel ou de coral. O soro só neutraliza o veneno no sangue se for específico contra aquela serpente que ocasionou o acidente”.

Dessa forma, a identificação exata do animal causador do acidente é fundamental para a determinação do tratamento. Pedro Pardal explica que, para tal, o profissional médico que realizará o atendimento deve estar treinado para identificar o animal envolvido através dos sintomas apresentados pelo paciente. “Dificilmente as pessoas conseguem capturar e levar o animal que o acidentou, então o médico vai precisar identificar através dos sintomas. Os acidentes por jararaca e surucucu, por exemplo, costumam gerar dor e inchaço no local. As outras serpentes não causam dor e inchaço”, exemplifica. “A procedência do acidente também é uma informação importante. A surucucu só habita mata primária, já a jararaca é a mais frequente e dá em qualquer mata, então o acidente pode ocorrer no quintal da pessoa. Então, o médico tem que estar preparado para identificar qual foi o animal envolvido no acidente”.

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