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 Iphan tomba avião Catalina como Patrimônio do Brasil

O Conselho Consultivo reconheceu a importância histórica, tecnológica e cultural das aeronaves.

quarta-feira, 10/11/2021, 16:55 - Atualizado em 10/11/2021, 16:55 - Autor: Iphan


Avião modelo Catalina situado na Base Aérea de Belém.
Avião modelo Catalina situado na Base Aérea de Belém. | Acervo/Iphan-PA

História e memória se entrelaçam quando se trata de um dos principais símbolos de um dos momentos mais conturbados da humanidade. E um deles está na cidade de Belém.

Parte da defesa brasileira durante a 2ª Guerra Mundial, dois aviões modelo Catalina foram tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) nesta quarta-feira, 10. A decisão foi tomada durante a 98ª Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, que ressaltou a importância histórica, tecnológica e cultural dos modelos. Com uma aeronave situada na Base Aérea de Belém (PA) e outra no Museu Aeroespacial, no Rio de Janeiro (RJ), os hidroaviões são marcas do início da aviação na região amazônica.

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Os membros do Conselho Consultivo também apreciaram o tombamento definitivo de outros dois bens: o edifício-sede da Cruz Vermelha, situado à praça da Cruz Vermelha, no Rio de Janeiro (RJ), e o conjunto Tecelagem Parahyba, que fica em São José dos Campos (SP). Ambos os bens já haviam sido tombados provisoriamente, mas a decisão do Conselho reconhece oficialmente a importância das duas edificações. O prédio da Cruz Vermelha demarca a presença da instituição no Brasil, que data do início do século XX; já a Tecelagem Parahyba, o início da industrialização do país. 

"As decisões do Conselho Consultivo de hoje percorrem diferentes regiões e capítulos da história do Brasil. A cooperação internacional por meio da Cruz Vermelha e a industrialização de São Paulo são dois deles. São momentos fundamentais da história nacional”, avalia a presidente do Iphan, Larissa Peixoto. “Já as aeronaves Catalina são exemplares da nossa participação durante a 2ª Guerra Mundial, especialmente na proteção da costa brasileira. Além disso, esses hidroaviões são o testemunho da formação da aviação civil no Brasil, especialmente na região amazônica.”

Aviões Catalina

Avião de reconhecimento, bombardeiro, caça anti-submarino, de transporte e socorro marítimo, o modelo Catalina tem sua história diretamente associada à 2ª Guerra Mundial. Criado em 1936, pela Consolidated Vutee Aircraft Co., foi o hidroavião mais produzido, totalizando 3.290 unidades fabricadas nos Estados Unidos, Canadá e União Soviética. Com o acirramento do conflito mundial, unidades do Catalina incorporadas à Real Força Aérea da Grã-Bretanha estiveram em combate na Europa Oriental. 

A partir de 1943, as primeiras unidades do Catalina foram entregues à Força Aérea Brasileira como parte de acordos firmados entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos. Das sete primeiras unidades enviadas, uma ficou baseada em Florianópolis (SC), três no Rio de Janeiro (RJ) e três em Belém (PA). À época, o Catalina foi utilizado no patrulhamento da costa brasileira, então sob ataque alemão. Em 31 de julho de 1943, um dos Catalinas entrou em combate e afundou o submarino alemão U-199 nas proximidades da costa carioca. 

Ao término do conflito, esses modelos passaram a ter usos diversos na aviação civil, em operações de busca e salvamento. Na região amazônica, teve papel destacado devido às características técnicas da aeronave, que se adequava às condições geográficas da bacia amazônica e à ausência de aeroportos. A aeronave PBY-6A que se encontra na Base Aérea de Belém, tombada pelo Iphan, equipou a FAB e também foi utilizada pela Companhia Cruzeiro. Popularmente conhecidos como Cat ou Pata Choca, o Catalina esteve em todos os mares, em tempos de guerra e paz. 

“Saliento que todos os técnicos e pareceristas que participaram desse longo processo foram unânimes em afirmar a importância desses aviões para a memória nacional e se manifestaram, de um modo geral, em favor de sua preservação, tendo em vista a grande relevância histórica de sua participação”, concluiu o parecer do conselheiro José Carlos Mathias, que foi relator do processo de tombamento dos Catalinas. 

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