plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 26°
cotação atual R$


home
AMBIENTE

Pará já registrou mais de 15  milhões de raios este ano

Esse número foi registrado no período de janeiro a outubro deste ano, o que ultrapassa o total de raios registrados ao longo de todo o ano de 2020, que foi de 15,3 milhões

twitter Google News
Imagem ilustrativa da notícia Pará já registrou mais de 15  milhões de raios este ano camera Carlos Alberto Campos/ Inep

O Brasil é o país mais atingido por raios em todo o mundo. A cada ano, uma média de 70 milhões de raios chegam ao território brasileiro e a projeção é de que esse número pode se tornar ainda maior no futuro. Um estudo realizado pelo Grupo de Eletricidade Atmosférica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (ELAT/INPE) estima que, até o final do século, por volta de 2090, a incidência de raios no Brasil chegue a uma média de 100 milhões de raios por ano. Somente no Estado do Pará, já foram registrados 16,3 milhões de raios no período de janeiro a outubro deste ano, número que ultrapassa o total de raios registrados ao longo de todo o ano de 2020, que foi de 15,3 milhões.

Entre as condições que influenciam o aumento da incidência de raios está, fundamentalmente, o aquecimento global, o aumento da temperatura na terra. À medida que o planeta vai aquecendo, uma maior quantidade de vapor d’água é liberado para a atmosfera e, com isso, se formam nuvens mais facilmente e mais intensas. Coordenador do Grupo de Eletricidade Atmosférica do INPE (ELAT/INPE), o Dr. Osmar Pinto Jr. alerta que, tal qual o próprio aquecimento global, o aumento da incidência de tempestades com raios não ocorre de forma homogênea, o que faz com que algumas regiões sejam mais atingidas por essa elevação.

Pará já registrou mais de 15  milhões de raios este ano
📷 |Diário

“Existem regiões aquecendo mais e outras regiões aquecendo menos. Em função disso, os raios também vão sofrer variações no seu aumento”, aponta. “No Brasil, o que o estudo mostrou é que a Região Norte, incluindo aí o Pará, o Amazonas e os outros estados do Norte, vai ser a região onde deve ocorrer o maior aumento da quantidade de raios”.

Osmar aponta que no final do século, para a Região Norte, é esperado um aumento em torno de 50% em relação à atual média de raios. Em compensação, na Região Nordeste, o aumento deve ser praticamente imperceptível, o que significa que, no final do século, a média de raios registrados na Região Nordeste deverá ser a mesma observada hoje. As outras regiões do país, Centro-Oeste, Sul e Sudeste, deverão enfrentar um cenário intermediário: terão aumento, mas os aumentos vão ser menores do que a Região Norte.

Metodologia

O pesquisador explica que essas projeções são realizadas através de modelos climáticos. Para que se chegasse a esses números, os pesquisadores envolvidos no estudo utilizaram, na verdade, 12 diferentes modelos climáticos para fazer o cálculo. “Existem, obviamente, muitas incertezas nas projeções do clima no futuro, então, para que a gente minimizasse essas incertezas, usamos diferentes modelos e fizemos a média do resultado, verificando as tendências que os modelos apresentavam em comum”, explica. “Então, esse resultado de aumento na Região Norte é uma tendência em todos os modelos que nós analisamos. É claro que o aumento varia um pouco de um modelo para outro, mas todos têm essa mesma tendência de aumento e esse valor de quase 50% é a média desses modelos todos”.

As incertezas em relação às projeções do clima para o futuro se dão, em grande parte, por variáveis que também são incertas, como, por exemplo, o desmatamento no Brasil. “A gente sabe que o desmatamento altera o clima, altera a floresta e isso, obviamente, vai ter impacto na incidência de tempestades e raios no futuro. Agora, como vai estar o desmatamento no futuro? É uma incógnita o que vai acontecer nos próximos 50 anos e que, obviamente, depende de decisões políticas globais”, considera o coordenador do ELAT.

“A gente considerou um cenário intermediário onde as emissões que existem hoje se manteriam no ritmo atual, não aumentariam e não reduziriam drasticamente. Obviamente, o que vai acontecer daqui a 50 ou 60 anos depende, de certa forma, do que for acontecer ao longo desses 50 ou 60 anos, mas essas projeções dão uma visão de um possível e até provável futuro no Brasil”.

O pesquisador lembra que todos os esforços globais que vêm sendo realizados, como a própria Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26) que encerrou nesta semana em Glasgow, têm o objetivo de reduzir as emissões, mas o que se tem visto é que desde a COP de Paris, ao invés das emissões reduzirem, elas já aumentaram. Nesse sentido, mesmo considerando uma situação em que as emissões conseguissem se manter no ritmo atual, as consequências já seriam graves no final do século.

VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

tags

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em Notícias Pará

    Leia mais notícias de Notícias Pará. Clique aqui!

    Últimas Notícias