Às vésperas do Carnaval de 2021, a reportagem do DIÁRIO entrevistou uma esperançosa Priscila Risuenho, gerente comercial e apaixonada pelo Reinado de Momo. Naquela época, a vacinação contra a Covid-19 ainda estava em estágio inicial e nem se cogitava festas que não fossem apenas com os de casa e turbinadas pelas inúmeras lives, que tentavam manter o espírito de alegria que contagia esse período.
“Eu ia viajar nessa época e desisti. Não tem clima por causa desse auge da pandemia. Vamos nos organizar para 2022. Já começamos a comprar abadá, pagar hospedagem. Temos a perspectiva da vacina, todos vacinados até lá”, contava Priscila naquela edição de 14 de janeiro de 2021, pontuando que, mesmo assim, havia organizado uma festa para cerca de dez amigos para curtir a live de Bell Marques, naquele domingo gordo. “Mandamos fazer uma camisa personalizada, tipo abadá, e vamos curtir em casa”, contava.
Um ano depois, Priscila Risuenho voltou a conversar com a reportagem e, novamente sem Carnaval de rua, relata que continua a adiar planos e aproveitar os dias de confete e serpentina do jeito que dá. “Desde criança tenho uma forte relação com o Carnaval. Minha mãe foi passista de escola de samba de Belém, sempre participei de bailes de Carnaval na infância, concursos de fantasia. Curto muito esse período do pré-carnaval de Belém e micaretas do Brasil”, justifica.
Vacinada, conforme previa, mas sem ter bloco na rua para ir atrás, a festa será novamente alternativa. “Não esperava passar por isso novamente, achava que com o avanço da vacinação poderíamos ter liberação dos eventos de rua, mas infelizmente isso não aconteceu devido a nova variante da Covid-19 e pessoas que não acreditam no método da vacina”, ressalta. “Nós investimos em passagem e blocos de Carnaval em Salvador que ficarão guardados para 2023”, lamenta. “Ficamos bem desanimados, pois desejamos que tudo volte ao normal, que todos se vacinem, que a gente possa reviver momentos de alegria e festa, além de tudo que o Carnaval envolve na geração de renda, turismo etc”, continua.
A tristeza de Priscila promete desaparecer neste domingo gordo, com uma nova “social” para cerca de 15 amigos mais próximos, novamente em casa. “Vamos compensar essa ausência reunindo os amigos em casa. Também estamos planejando participar de alguns bloquinhos fechados que terão em Belém”, admite.
O baile em casa, diz ela, promete seguir os cuidados possíveis para evitar a Covid-19. “Todos são vacinados com, no mínimo, duas doses. Temos um grupo de WhatsApp onde todos mandam seus comprovantes de vacina”, revela sobre os convidados. “Se eu te disser que usaremos máscaras, vou estar mentindo, mas álcool tem sempre. Virou item de necessidade”, afirma.
SAUDADE
Enquanto festeja de forma “indoor”, Priscila renova as esperanças para o Carnaval do ano que vem. “Para 2023, espero que todos entendam que vacinas salvam vidas, que todos que ainda não tomaram precisam quebrar esse tabu”, clama. “Que possamos voltar a ter uma vida normal, com tudo que um evento do nível do Carnaval traz para uma cidade - emprego, renda, turismo, além de toda alegria, amor, felicidade que os apaixonados por Carnaval, para quem vive do Carnaval, entende perfeitamente esse sentimento”, completa.
Um dos convidados da gerente comercial é o contador e assessor parlamentar Diego Costa, 36 anos. “Nosso encontro será na casa de nossos amigos, organizando vídeos e músicas de Carnaval, vestidos com abadás dos carnavais passados”, pontua. “A falta de overdose de folia fez com que a gente procurasse algo onde poderemos pelo menos ouvir nossos grandes axés e matar a saudade”, explica. “Infelizmente nunca será a mesma ‘vibe’ das ruas, mas, como não temos opção, temos que curtir, fechar os olhos e imaginar que estamos nas ruas”, conta aos risos. “Meu Carnaval, por 10 anos consecutivos, foi em Salvador. Acaba um Carnaval e já estava programando e pagando o do ano seguinte”, admite. “Tudo mudou, não poder sair nas ruas atrás do trio elétrico e pular o Carnaval é inexplicável”, diz.
PAIXÃO
Para o decorador de eventos e designer Beto Leal, 50 anos, o ronco da cuíca emite uma nota triste pelo desfile adiado das escolas de samba da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, onde costuma ser presença confirmada todos os anos. “Com a pandemia ficou impossível de viajar, até porque a gente precisa se cuidar primeiro”, se conforma.
Por gostar de Carnaval e já ter inclusive desfilado no Quem São Eles, em Belém, Beto também deu um jeito de garantir a folia de Momo deste ano, mas na própria casa, para um grupo de cerca de 40 amigos. “Por mexer com decoração, gostar de decorar ambiente e festa, tenho na veia essa vontade de reunir, decorar minha casa, me dar essa alegria de satisfazer meus amigos”, justifica.

O baile de máscaras do Beto entra, portanto, para sua segunda edição, tempo que a pandemia também persiste, mas o casarão do Umarizal, onde reside, está de portas fechadas para qualquer tristeza. “A decoração já está ornamentada. Tivemos toda essa preocupação com o protocolo exigido pela ciência, pela medicina. Todos nós já nos vacinamos. Alguns convidados têm 60, 65 anos e estão até com a quarta dose da vacina. Perguntei para todos”, garante ele, sobre a proteção contra o novo coronavírus.
Segundo Beto, o festão que começaria na noite de sábado, só termina neste domingo e com animação garantida até por uma drag queen, contratada especialmente para divertir a todos. “A minha fantasia, vou estar com o rosto com pingos coloridos no rosto, cabelo no gel, bem anos 60. A roupa é uma nova tendência, um sapatênis, bermudão branco, camisa branca para aparecer o peitoral e um blazer aberto pra ficar bonito”, se empolga.
PLANEJAMENTO
Sobre a festa pra uma quantidade considerável de foliões, o decorador destaca que tudo foi muito bem planejado e dividido. “Combinamos assim, vai haver a festa, então vamos preparar comidinhas leves, tipo massas, risotos, salgadinhos, sobremesas, sorvetes”, detalha. “Alguns convidados vão trazer as bebidas, como refrigerantes, cervejas. A música é de um DJ, o Vagner, que está sempre presente com a gente. Fiz assim no São João. Ele vai trazer os jogos de luzes, tocar músicas de escolas de samba. Também pedi que viessem todos fantasiados, para entrarem no clima”, antecipa. “Essa é uma festa de grupo, Grupo Leal, de amigos, eu que criei e lidero. Fico em cima, nos detalhes, já ofereço a casa bonita, ar condicionado, luz, decoração, ambiente agradável. Quando digo que vai ter festa, todo mundo se empolga. Vai ser um negócio!”, relata. E quem duvida?
“Acredito que o Carnaval é a maior manifestação folclórica brasileira. A identidade do nosso País é bossa nova e samba, então é uma pena a gente não poder dançar aquele Carnaval de antes, nas ruas nas esquinas, ver a escola se preparando, correr atrás do trio elétrico”, considera.
Uma das convidadas do “CarnaBeto” é a funcionária pública Élida Campos. “Eu adoro Carnaval, é para mim, uma das festas mais bonitas, as fantasias, a alegria que o Carnaval traz. É um momento de reencontro com pessoas, isso é maravilhoso”, analisa. “As festas de Carnaval privadas, com pessoas que se gostam, é muito legal porque a gente conversa, dança, se diverte e lembra dos momentos em que a gente podia ter Carnaval na rua, se encontrar, como os que participamos no Rio de Janeiro, assistindo as escolas de samba”.
Pela fala de Élida, a folia na casa do amigo ainda deve ter canja e sessão nostalgia. “Sou cantora há mais de 40 anos, já cantei em várias bandas, em muitos carnavais. Fiz muitos bailes de Carnaval e antes não havia tanto na rua, eram fechados, as festas de salão. Eu acho maravilhoso”, afirma.
ENTREVISTA
“O Carnaval nos permite fazer algo mais informal”
Deu vontade de entrar na folia? Até a terça-feira gorda dá tempo, garante a cerimonialista e decoradora Marília Ferreira, que bateu um papo sobre organização de festinhas de Carnaval entre amigos. Confira!
P - Como fazer esse planejamento com os convidados para que seja tudo compartilhado?
R - Parece ser complexo, mas em se tratando de Carnaval, onde o mais importante é a alegria e a brincadeira, torna-se algo mais fácil. Basta fazer uma festa descontraída, com uma ambientação temática, com elementos que remetem às festas de Carnaval. Apostar em comidinhas leves e fáceis de servir também são interessantes, além de umas bebidinhas e uma boa música para animar. Daí é só pedir para os convidados irem caracterizados e curtir a festa!

P - Qual seria o passo a passo?
R - Escolher um local para fazer a festa; criar um clima de Carnaval nesse ambiente – e isso pode ser facilmente organizado com muito confete, serpentina, máscaras e elementos carnavalescos; procurar servir comidas leves e práticas, de fácil acesso para uma festa realizada em casa, de forma intimista; caprichar nos drinques, em uma música animada e o principal: receber com alegria. O Carnaval nos permite fazer algo mais informal, sem todos os protocolos de uma festa “convencional”, portanto, é possível apostar na leveza da organização. Comemorar em casa pode ser algo muito prazeroso e divertido!
P - E como compartilhar?
R - Dividindo com amigos através de videochamada, algo muito usado nos grupos e nas redes sociais, desse modo todos vivenciam a atmosfera do Carnaval.
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