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REPORTAGEM ESPECIAL

Pandemia: o dia em que tudo mudou de repente

O dia 18 de março de 2020 marcou, oficialmente, o início da pandemia no Estado do Pará. De lá pra cá, vidas foram perdidas, desafios encarados e a esperança chegou na forma de vacina.

domingo, 13/03/2022, 08:14 - Atualizado em 13/03/2022, 15:33 - Autor: Cintia Magno/ Diário do Pará

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Antônio Fernando Neves da Silva e Natércia Ferreira, dois sobreviventes
Antônio Fernando Neves da Silva e Natércia Ferreira, dois sobreviventes | FOTO: CELSO RODRIGUES

Quando o mundo ainda começava a ter a real dimensão do que viria a enfrentar com o novo coronavírus em circulação, dias após a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarar situação de pandemia, o Estado do Pará teve a confirmação do que seria inevitável. No dia 18 de março de 2020 foi anunciada a confirmação do primeiro caso de Covid-19 em território paraense. Dois anos depois do dia histórico, depois de enfrentar enormes desafios, a população ainda convive com a pandemia, mas já conta com a esperança nutrida pelo avanço da vacinação.

No intervalo de apenas dois anos, as mudanças ocorridas na rotina de toda a população foram tão grandes que é até difícil enumerar. Sem que nada parecido tivesse sido vivenciado anteriormente pela geração atual, de um dia para o outro a rotina de todos foi entrecortada por medidas restritivas de circulação, pela necessidade de uso da máscara e do álcool em gel e, sobretudo, pela preocupação constante não apenas com a própria vida, mas também com a de familiares e pessoas próximas. Desde que o primeiro caso de Covid-19 foi confirmado no Pará até o último dia 10 de março, o Estado viu os casos confirmados de Covid-19 passarem de um para mais de 733 mil. No mesmo período, os familiares de 17.961 pessoas choraram a perda de seus entes para a doença. Ao mesmo tempo, outras 693 mil pessoas vivenciaram a bênção de se recuperar, muitas delas enfrentando todas as adversidades possíveis para vencer a doença.

O desafio de vencer a doença e as sequelas deixadas

A sensação de vencer a Covid-19 é conhecida pelo comerciante aposentado Antônio Fernando Neves da Silva, hoje com 66 anos. Quando ainda não havia vacinas disponíveis contra a Covid-19 no mundo, em dezembro de 2020, ele se viu acometido pelo vírus que o fez enfrentar 40 dias de internação, sendo 21 na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e 12 dias entubado. Vencido o quadro delicado, em que os pulmões de Fernando chegaram a ficar 80% comprometidos, ele recebeu alta já na última semana de janeiro de 2021.

Apesar da batalha vencida no hospital, ele lembra até hoje que os desafios continuaram depois que ele pôde, enfim, retornar para casa, no município de Castanhal. “Eu saí do hospital no dia 25 janeiro e fiquei ainda até princípio de maio na cadeira de rodas, em casa. Eu não conseguia levantar os braços e nem as pernas, então foram três meses de fisioterapia em casa e na clínica”, lembra, ao contar como se sente hoje, totalmente recuperado. “O sentimento, primeiramente, é o de vitória. Estou aqui pela Graça de Deus”.

   

Já vacinado com as três doses da vacina, coisa que era apenas um sonho no período em que ele e a família foram acometidos pela doença, Antônio Fernando se sente um pouco mais aliviado, mas não deixa de manter os cuidados com a pandemia ainda em curso. “A vacina acendeu uma luz no final do túnel, uma esperança. Me sinto mais aliviado depois de quase toda a minha família já ter tomado a terceira dose da vacina”, considera. “Logo que me recuperei eu tinha um medo muito grande de sair na rua, ficava assustado. Hoje já estou mais aliviado, mas ainda não perdi o medo de estar em meio à multidão, ainda acho que o vírus não acabou. Então, é preciso ter uma cautela ainda. Embora estejamos protegidos, eu tenho medo de pegar esse troço de novo. Quando a pessoa fala que não tomou e não vai tomar a vacina, fico meio apavorado”.

Vacina foi o ponto de virada em todo mundo

O papel fundamental da vacinação no maior controle da doença e, sobretudo, na redução do número de óbitos pela doença é evidenciado não apenas nas estatísticas oficiais da pandemia, mas também nas histórias e relatos vivenciados cotidianamente nos postos de vacinação. Fruto do trabalho incansável de pesquisadores e cientistas do mundo todo, a vacina contra o novo coronavírus chegou à população paraense no dia 19 de janeiro de 2021, quando técnica em enfermagem Shirley Maia foi a primeira a ser vacinada contra a Covid-19 no Pará.

 

Vacinação no Pará iniciou em 19/01/21
Vacinação no Pará iniciou em 19/01/21 | FOTO: WAGNER SANTANA.
 


Atualmente, segundo dados atualizados pelo Vacinômetro da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) no último dia 11 de março, o Pará já conseguiu atingir uma cobertura de 84,20% da população vacinada com a primeira e a segunda dose ou a dose única e 15,55% com a terceira dose. A técnica em enfermagem Anna Lúcia Correia de Farias tem participação nessa conquista que é de toda a população. Desde o início de março de 2021, ela integra a equipe que atua na vacinação contra a Covid-19 na capital do Estado. “Ligaram e perguntaram se eu tinha disponibilidade para ser voluntária. A minha família estava com muito medo, as pessoas estavam desesperadas de pegar o vírus e passar para todo mundo porque, naquela época, a gente ainda estava naquela situação de desespero total. Mas me falaram que estavam precisando muito mesmo e foi quando eu senti que eu precisava ir ajudar”.

No primeiro dia de apresentação no posto de vacinação, Anna lembra que, assim que chegou, encontrou a unidade tranquila e sem grande movimento. Passados cerca de 10 minutos, porém, ela presenciou a enorme fila de pessoas que procuraram o serviço em busca da vacina. “Eu nunca tinha tido experiência com um público assim tão grande e era uma loucura porque era um mundo de gente”, lembra, ao falar do cenário que a cidade ainda vivenciava naquele momento. “O hospital de campanha do Hangar ainda estava montado, os postos de internação exclusivos para a Covid-19 estavam todos lotados, os profissionais de saúde que estavam na linha de frente estavam todos adoecendo também e era por isso que eles estavam na urgência de pedir apoio voluntário dos profissionais da enfermagem para ajudar”.

O trabalho desempenhado, inicialmente, como voluntária segue até hoje, já como contratada. Ao longo de todo esse período de dedicação à vacinação contra a Covid-19, foram muitas as histórias que marcaram a técnica de enfermagem para toda a vida. “Tinha situações de famílias que chegavam chorando por algum ente querido deles não ter tido a oportunidade de vacinar. Eu lembro de uma senhora que tinha levado os dois filhos para vacinar e, de repente, ela saiu do carro em prantos e me abraçou”, lembra Anna, emocionada. “Eu fiquei estática, tentei alertar sobre o distanciamento social, mas ela chorava muito. Depois os filhos dela explicaram que ela estava daquela forma porque a mãe dela havia pegado Covid e não tinha resistido, e, desde então, toda vez que ela levava alguém da família para vacinar, tinha essa reação”.

Apesar do cansaço causado pela rotina pesada, Anna Lúcia lembra que um motivo garantiu e continua garantindo a energia necessária para continuar na luta contra a pandemia. “Nós, da equipe de enfermagem, estamos muito cansados. Mas o que nos fortalece é saber que a cada aplicação de dose de vacina em cada pessoa é a esperança que se renova para cada um”, aponta. “O que nos dá força, todos os dias, é saber que a gente está lutando junto com as pessoas que se disponibilizam a ir se imunizar não pensando somente neles, mas em todo mundo também”.

Aos 102 anos de idade, a aposentada Natércia Ferreira renovou a esperança por dias melhores pela quarta vez. No último dia 11 de março ela aproveitou o mutirão organizado pelo Governo do Estado e a Prefeitura de Belém para completar o cartão de vacinação contra a Covid-19. Acompanhada pelos filhos Francisco dos Passos, 68 anos, e Sebastiana dos Passos, 69 anos, Natércia comemorava o fato de, desde o início da pandemia, nem ela e nem os seus filhos terem contraído a doença. A adesão à vacina, inclusive, é a esperança de que tal feito permaneça até o final da pandemia. “A gente ficou muito preocupado. Eu estava cabreiro mesmo porque essa doença não é brincadeira, mas graças a Deus, ninguém lá em casa pegou. Quantas vacinas a gente tiver que tomar, vamos tomar”, resumiu Francisco.

Principais fatos desde o primeiro caso confirmado no Pará

18 de março 2020

l Primeiro caso de coronavírus confirmado no Pará é anunciado. O paciente foi um homem de 37 anos, que teria viajado ao Rio de Janeiro.

20 de março de 2020

l Ministério da Saúde reconhece a existência de transmissão comunitária do novo coronavírus

em todo o país.

l O segundo caso é registrado no Estado do Pará. Mulher de 36 anos com histórico de viagem para o Rio de Janeiro e São Paulo.

l A Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa) reconhece o estado de calamidade pública em decorrência da pandemia do novo coronavírus.

22 de março de 2020

l Todos os Estados brasileiros possuem casos confirmados de Covid-19.

25 de março de 2020

l É registrado o primeiro caso de transmissão local da doença no Estado do Pará.

27 de março de 2020

l Decreto proíbe reuniões acima de 100 pessoas no Pará.

31 de março de 2020

l É declarado oficialmente que o Pará passou a ter transmissão comunitária do coronavírus.

l Decreto do Governo Estadual reforça o fechamento de todos os shoppings, academias, casas noturnas, bares e restaurantes do Estado. Serviços essenciais como farmácias, supermercados e laboratórios continuam funcionando normalmente.

01 de abril de 2020

l É comunicada a primeira morte por Covid-19 no Pará. A vítima foi uma mulher de 87 anos, moradora do município de Santarém.

02 de abril de 2020

l Brasil recomenda uso de máscaras de proteção por todos os cidadãos.

03 de abril de 2020

l No Pará já são registrados casos da doença no interior do Estado, como nos municípios de Itaituba, Marabá, Novo Progresso, Altamira, São Geraldo do Araguaia, Goianésia do Pará, Oeiras do Pará e Benevides.

06 de abril de 2020

l Ficam restritas as reuniões, eventos, carreatas e passeatas que envolvam mais de 10 pessoas no Pará.

10 de abril de 2020

l O Hospital de Campanha localizado no Hangar, em Belém, é entregue.

 

Hospital de Campanha do Hangar, primeiro entregue no Pará.
Hospital de Campanha do Hangar, primeiro entregue no Pará. | Agência Pará
 

12 de abril de 2020

l Belém começa a registrar colapso nos serviços de urgência e emergência em decorrência da grande demanda de pacientes. O Pronto Socorro Municipal Humberto Maradei, no Guamá, e a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Terra Firme registram superlotação.

14 de abril de 2020

l Hospital de Campanha instalado no Carajás Centro de Convenções, na sede municipal de Marabá é entregue.

22 de abril de 2020

l É entregue o Hospital de Campanha localizado no espaço Pérola do Tapajós, em Santarém, no Pará.

24 de abril de 2020

l A Prefeitura Municipal de Belém estabelece o uso obrigatório de máscaras para quem precisar sair às ruas.

05 de maio de 2020

l Brasil registra recorde de 600 novas mortes por Covid-19 registradas no período de 24 horas.

07 de maio de 2020

l É decretado lockdown em Belém, Ananindeua, Marituba, Benevides, Santa Bárbara do Pará, Santa Izabel do Pará, Castanhal, Santo Antônio do Tauá, Vigia de Nazaré e Breves.

 

Lockdown em Belém
Lockdown em Belém | FOTO: MAURO ÂNGELO
 

11 de maio de 2020

l Hospital de Campanha do município de Breves, na Ilha do Marajó, no Pará, é entregue.

29 de maio de 2020

l O Governo do Pará apresenta o programa de retomada das atividades econômicas no Estado, o “Retoma Pará”, que previa a reabertura gradual e segura, com protocolos.

19 de junho de 2020

l Brasil ultrapassa a marca de 1 milhão de casos confirmados do novo coronavírus.

09 de julho de 2020

l O Pará registra a maior redução no número de mortes por Covid-19 no Brasil, segundo dados divulgados pelo consórcio de veículos de imprensa, com redução de 45% no número de óbitos pela doença.

17 de julho de 2020

l É entregue o Hospital de Campanha de Altamira, no sudoeste paraense.

11 de agosto de 2020

l Primeira vacina contra o novo coronavírus é registrada no mundo, a vacina Sputnik 5, da Rússia.

*Número de óbitos pela doença no Brasil ultrapassa a marca de 100 mil registros.

16 de setembro de 2020

l Governo do Pará autoriza bandeira verde para 32 municípios paraenses que integram as regiões Metropolitana de Belém, do Marajó Oriental e do Baixo Tocantins.

10 de dezembro de 2020

l Ministério da Saúde e Fundação Oswaldo Cruz confirmam o primeiro caso de reinfecção pelo novo coronavírus, o SARS-CoV-2, no Brasil.

14 de janeiro de 2021

l Novas medidas de combate à Covid-19 são adotadas no Pará, dentre elas a proibição, pelo Decreto Estadual 1.273/2020, da entrada no Pará de embarcações de passageiros vindos do Amazonas.

15 de janeiro de 2021

l Novas variantes do vírus causador da Covid-19 são identificadas no Reio Unido e África do Sul.

l No Brasil, nova variante é encontrada em Manaus, no Amazonas.

l Manaus enfrenta grave crise por falta de oxigênio para atendimento de pacientes internados.

17 de janeiro de 2021

l Anvisa anuncia aprovação para uso emergencial de duas vacinas no Brasil, a CoronaVac e a Vacina de Oxford.

l Enfermeira intensivista de São Paulo é a primeira pessoa vacinada no Brasil contra a Covid-19, recebendo a primeira dose da vacina CoronaVac (Sinovac/ Butantan).

19 de janeiro de 2021

l Técnica de Enfermagem que atua no Hospital de Campanha do Hangar é a primeira a ser vacinada contra a Covid-19 no Pará.

 

30 de janeiro de 2021

l Governo do Pará decreta lockdown na região do Baixo Amazonas.

03 de fevereiro de 2021

l Tem início a vacinação contra a Covid-19 para os idosos no Pará. A primeira faixa etária atingida foi a de pessoas acima de 85 anos.

05 de fevereiro de 2021

l É confirmada, pela Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma), a transmissão de uma nova cepa do coronavírus na capital paraense, a variante brasileira batizada como Gamma.

04 de abril de 2021

l A variante Delta, documentada inicialmente na Índia em outubro de 2020, é designada como Variante de Preocupação pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

19 de junho de 2021

l Brasil ultrapassa a triste marca de 500 mil mortos por Covid-19.

23 de agosto de 2021

l Tem início a vacinação contra a Covid-19 em pessoas com idade entre 12 e 17 anos no Pará, começando pelos adolescentes com deficiência permanente, comorbidades ou privados de liberdade.

11 de setembro de 2021

l Belém ultrapassa o número de 500 mil pessoas vacinadas com duas doses contra a Covid-19.

19 de outubro de 2021

l Brasil registra menor média móvel de mortes por Covid-19 desde o início da pandemia, com queda de 90%, segundo o Ministério da Saúde.

16 de novembro de 2021

l A Campanha de Vacinação Contra a Covid-19 entra em uma nova fase em Belém, com doses disponibilizadas nas salas de vacinação das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Estratégia da Saúde da Família (USF) da capital e distritos.

22 de novembro de 2021

l Israel inicia vacinação contra a Covid-19 em crianças entre 5 e 11 anos.

24 de novembro de 2021

l A variante Ômicron, documentada inicialmente em diferentes países em novembro de 2021, é designada como Variante de Preocupação pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

02 de dezembro de 2021

l Ministério da Saúde confirma cinco casos da variante Ômicron no Brasil.

15 de dezembro de 2021

l O Supremo Tribunal Federal (STF) valida a decisão que determina a exigência de comprovante de vacinação contra a Covid-19 para viajantes vindos do exterior para o Brasil.

16 de dezembro de 2021

l A capital paraense vivencia o aumento de casos de síndrome gripal, com duplicação do número de atendimentos a esses casos nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) dentro de um intervalo de apenas 72 horas.

l A Anvisa autoriza a aplicação da vacina da Pfizer contra a Covid-19 em pessoas com idade entre 05 e 11 anos.

22 de dezembro

l Mesmo com autorização da Anvisa para o início da vacinação contra a Covid-19 em crianças com idade entre 5 e 11 anos, o Governo Federal inicia consulta pública sobre a vacinação nesta faixa etária.

27 de dezembro de 2021

l Belém é listada pelo Programa Nacional de Imunização (PIN) do Ministério da Saúde entre as nove capitais brasileiras que mais vacinaram com as duas doses da vacina contra a Covid-19, tendo vacinado, até este dia, 73.1% da população geral e 85.7% da população vacinável com as duas doses.

15 de janeiro de 2022

l É iniciada a vacinação de crianças com idade entre 5 e 11 anos. Em Belém, a indígena da etnia Warao, Eliana Maria Perez Nunes, de 7 anos, foi a primeira criança vacinada contra a Covid-19.

26 de janeiro de 2022

l O Governo do Pará dá início à estratégia de testagem em massa, com mutirões de testagem espalhados por todas as regiões do estado.

l Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) alerta que o Pará passa pela terceira onda da Covid-19.

03 de março de 2022

l É iniciada a aplicação da 4ª dose da vacina contra a Covid-19 em idosos com 85 anos ou mais em Belém.

10 de março de 2022

l O Pará acumula 733.128 casos confirmados de Covid-19 desde o início da pandemia. O número de recuperados soma 693.000 pessoas e os óbitos em decorrência da doença chegam a 17.961.

l No Brasil, o total de casos conhecidos confirmados é de 29.247.838 e os óbitos pela doença chegam a 654.147.

Fontes: Agência Brasil; Agência Pará; Agência Belém; Organização Mundial de Saúde (OMS); Painel Covid19; Ministério da Saúde; Sanar Saúde; Vacinômetro; Consórcio de Veículos de Imprensa.

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