O Pará apresentou crescimento de empregos formais outra vez. O setor do comércio foi o que mais empregou no início deste ano. Somente em janeiro, foram 91 novos postos de trabalho. No Pará, o resultado foi o maior verificado no setor em relação aos demais estados da região Norte, de acordo com a última pesquisa realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA) com base nos dados do Ministério de Trabalho e em parceria com o Governo do Estado do Pará por meio da Secretaria de Estado de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda (Seaster).
Conforme o balanço do Dieese, em janeiro de 2022, o setor do comércio teve um saldo negativo na maioria dos estados da região Norte. O Estado do Pará, por sua vez, ganhou destaque. Foram 8.406 admissões contra 8.315 desligamentos, gerando um saldo positivo de 91 postos de trabalho com carteira assinada, ficando atrás apenas do estado do Amapá com saldo positivo de 160 postos de trabalho. Em toda região Norte, foram feitas 22.660 admissões contra 24.004 desligamentos, um saldo negativo de menos 1.344 postos.
O estudo ainda apontou que, no mesmo mês de 2021, o saldo da flutuação entre admitidos e demitidos no setor do comércio em todo o Estado foi de 2.471 postos de carteira assinada, um quantitativo bem maior do que 2022.
Segundo Eduardo Yamamoto, presidente do Sindicato do Comércio Varejista e dos Lojistas de Belém (Sindilojas), o volume de contratações foi direcionado ao comércio tradicional, como o setor varejista de roupas, calçados e presentes.
“No Estado do Pará e, principalmente, região Metropolitana, nós vimos que o comércio seja de empresa para empresa, seja atacarejo, abastecimento, venda para revendedores ou para o consumidor final, está aquecido. A gente vê um entusiasmo no consumo retornando, principalmente, na segunda quinzena de fevereiro e na primeira quinzena de março”, afirma. “A gente vê um reaquecimento e uma recuperação da economia, isso mostra muita positividade, diferente, inclusive, de outras regiões do país, como a região Sudeste, em São Paulo, especificamente”.
De acordo com o representante do Sindilojas, atualmente o setor do comércio tem recebido maiores investimentos para a criação de mais postos de trabalho. A expectativa é que as contratações aumentem ainda mais no segundo trimestre do ano, quando ocorrem os períodos festivos de Páscoa, em abril, e Dia das Mães, em maio.
“A gente começa a ver o setor da construção civil com muitos lançamentos, na parte do comércio varejista está havendo uma maior oferta por parte dos fornecedores. Isso é o primeiro sinal que a economia começa a reaquecer, quando a indústria começa a apostar em produção, coleções e isso permite com que nós, lojistas, possamos nos abastecer”.
CENTRO COMERCIAL
No Centro Comercial de Belém, o setor de vestuário foi um dos que mais contrataram entre o fim do ano passado, com a Black Friday e o Natal, e o início deste ano. Em uma loja de moda feminina, na rua João Alfredo, foram contratadas duas colaboradoras no início deste ano. A atendente Leidemara Pereira, de 27 anos, foi uma das novas funcionária. Depois de cinco anos morando em Santa Catarina, ela decidiu voltar para Belém e logo encontrou espaço no mercado de trabalho.
“Eu não fiquei nem um mês desempregada. Eu estava pra Santa Catarina e achava que aqui ia ser mais difícil pra encontrar um trabalho. Fui deixando os currículos e a gerente me chamou para fazer uma entrevista”, diz Leidemara.
Thayanne Santos, de 22 anos, foi contratada no início do ano, ainda em janeiro, após o período do trabalho temporário de fim de ano. Depois de quatro anos desempregada, dependendo somente do dinheiro da atividade informal, a atendente está empregada em uma loja de vestuários. “Melhorou bastante. Eu tenho três filhos e agora eu consigo pagar meu aluguel, pago escola, a creche do meu bebezinho. Antes eu ficava só no trabalho informal, fazia uns bicos quando aparecia. Agora eu estou mais aliviada, mais tranquila com as contas do mês”, conta.
Depois de quase dois meses desempregado, Alexandre Pinheiro, 24 anos, também foi um dos contratados recentes de uma loja de moda masculina, na travessa Padre Eutíquio
“Eu vendia coisas pela internet, cheguei a trabalhar duas semanas em um pet shop, só tirando bico, quando abriu a oportunidade. Estar com carteira assinada é um benefício maior pra mim e pro meu futuro porque eu tenho uma estabilidade. É uma tranquilidade estar estabilizado, é até um alívio”, conclui.
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