Diante do investimento financeiro e afetivo empregado por quem mantém o hábito de cultivar plantas ornamentais dentro de casa, a necessidade de se afastar por um período prolongado da residência é, muitas vezes, acompanhada por uma dúvida: quem vai cuidar das plantas? Foi a partir dessa demanda que um novo serviço começou a ser oferecido pelo mercado e já vem sendo utilizado em Belém, o de plant sitter.
O próprio aumento do interesse pelo cultivo de plantas dentro de casa a partir da pandemia da Covid-19 gerou um impacto positivo na procura por serviços voltados para a área. Esse cenário foi percebido pelo engenheiro agrônomo Rômulo Almeida, que já trabalhava com serviços de manutenção de plantas ornamentais e oficinas de jardinagem. Hoje, com a retomada das atividades presenciais e, sobretudo, das viagens, ele percebeu a necessidade de oferecer um novo serviço. “O plant sitter é um serviço bem recente, mesmo a nível de Brasil, que é voltado para pessoas que, quando viajam, não têm quem possa cuidar das suas plantas, então elas contratam um profissional que vai até a casa da pessoa para cuidar, fazer a rega e também já fazer algum serviço de manutenção”, explica ele, que também é mestrando em agronomia. “Eu observei isso, pesquisei como o serviço já funcionava em outros Estados e resolvi aliar um trabalho que eu já fazia, de manutenção, a esse de plant sitter, ou ‘babá de plantas’, em uma tradução mais simples”.

Rômulo conta que começou a ofertar o serviço, em Belém, há um mês e desde então tem recebido uma boa procura, principalmente de pessoas curiosas em entender como funciona. O engenheiro agrônomo explica que um dos pontos de partida é saber quanto tempo a pessoa vai passar fora de casa, quantas plantas ela tem e quais são as principais espécies. A partir dessa análise é possível fazer um planejamento, identificando quantos dias o profissional precisará ir até o local para fazer a rega e a manutenção.
A partir daí, quando o cliente viaja, deixa a chave da casa ou do apartamento com o profissional, que fica responsável por ir até a residência nos dias previstos para fazer o serviço. “O principal é a rega, mas eu também já faço uma manutenção geral até porque as plantas são seres vivos que têm necessidades que não só água. Quando necessário, faço a adubação, poda, limpeza e quando a pessoa chega, as plantas estão até mais saudáveis e bonitas do que antes”, conta. “A cada visita eu faço fotos e envio para o cliente para atualizar sobre o andamento e, após a conclusão do serviço, também tem um relatório final apontando tudo o que foi feito e as necessidades. Com isso, a pessoa consegue observar pequenas mudanças que já ocorrem mesmo em uma semana”.
Essa mudança foi sentida pela professora universitária Cyntia Meireles Martins, 43 anos, assim que ela chegou em casa, após a viagem de uma semana. Ela conta que sempre gostou de plantas e que, atualmente, mantém cerca de 50 vasos de plantas em casa. “Eu sempre tive plantas em casa, mas com a pandemia acho que aumentei em cerca de 20% a quantidade que eu tinha. Quando eu viajei, precisei de uma pessoa para olhar as plantas enquanto eu estivesse fora, mas também para fazer um trato cultural, poda, verificar se elas estavam bem posicionadas em relação ao sol, adubação. Então, eu contratei o serviço de plant sitter, com duas visitas em uma semana”, conta. “Quando eu cheguei em casa (na volta da viagem) eis a grata surpresa: as minhas plantas estavam todas florando e com as folhas mais vistosas, então, fiquei super feliz”.

Cyntia explica que também é agrônoma, mas que atua em outra área da agronomia, que não a de plantas ornamentais, e que ficou satisfeita ao perceber que algumas plantas que estavam doentes, ficaram saudáveis após o serviço de plant sitter. “Eu comprei um hibisco que, desde que eu comprei, veio lotado de cochonilha (inseto minúsculo que suga a seiva das plantas) e que eu vinha lutando para eliminar, mas era sempre paliativo. Em duas visitas, enquanto eu estava viajando, ela ficou curada”, conta. “É como um animal de estimação mesmo, precisa de cuidado. A planta é um ser vivo e é um investimento que traz bem-estar, qualidade de vida, saúde mental. Não dá para viajar e deixar elas de qualquer jeito, então, esse é um tipo de serviço muito bom mesmo”.
SAUDÁVEIS
Diante da necessidade de passar mais de um mês fora de casa, a agrônoma Michelle Borges, 31 anos, também encontrou no serviço de plant sitter a solução para a manutenção de suas plantas. Ela conta que também sempre gostou de cultivar plantas em casa, hábito que foi mantido mesmo quando ela se mudou para um apartamento. “Eu sempre gostei muito de plantas e sempre tive. Antes eu morava em casa, então dava para ter mais variedade. Hoje, morando em apartamento, sem varanda, acaba sendo um pouco limitado, mas tentamos sempre introduzir uma plantinha nova”, aponta. “Decidimos contratar o serviço porque precisaríamos passar mais de um mês fora e seria inviável deixar as plantas sem cuidado e foi maravilhoso. Não perdemos nenhuma, estavam super saudáveis e florindo”.
PLANT SITTER
Como funciona?
- Diante da necessidade de viajar ou se ausentar de casa por um período prolongado, a pessoa contrata o serviço de um profissional que fica responsável por ir até a residência, enquanto os moradores estiverem fora, para fazer a rega e a manutenção das plantas.
- Após o levantamento e a identificação de quantos dias será necessário o profissional ir até o local, o cliente viaja e deixa as chaves do imóvel com o plant sitter.
- Durante as visitas, o profissional pode fotografar como estão as plantas e as manutenções realizadas para manter o cliente atualizado do andamento do serviço.
- Quando os moradores chegam de viagem, encontram as plantas cuidadas, evitando perdas por falta de rega, por exemplo, durante o período em que estiveram fora.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar