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BOAS IDEIAS

Eles estão pelas esquinas para pegar, ler e sonhar

Projetos ajudam a democratizar o acesso à leitura espalhando livros pelas ruas dos municípios, onde a regra é “emprestar”, devolver e doar exemplares. Os novos leitores agradecem

domingo, 08/05/2022, 05:23 - Atualizado em 08/05/2022, 05:21 - Autor: Irlaine Nóbrega / Diário do Pará

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Marcela Castro (dir.) levou o projeto de casinha literária para a frente das escolas de Belém
Marcela Castro (dir.) levou o projeto de casinha literária para a frente das escolas de Belém | Irene Almeida/Diário do Pará

Já pensou em conhecer novas histórias de graça? É o que tem sido proporcionado por projetos que objetivam a democratização da leitura. Em espaços inusitados e próximos ao público, os livros chegam a lugares inéditos e conquistam a prateleira de novos leitores. No centro da cidade e na periferia, a literatura convida crianças, jovens, adultos e idosos para um encontro com os exemplares nacionais, internacionais e os clássicos paraenses.

O projeto “Casinhas Literárias” é uma iniciativa que visa fomentar a leitura no interior do estado. Trata-se de pequenas estruturas de madeira em formato de casa com uma portinhola que, ao abrir, dispõe de vários livros no interior. Idealizado pela professora de língua portuguesa Bruna Bellini, o projeto iniciou as atividades entre 2019 e 2020, na cidade de Castanhal, através da Lei Aldir Blanc. Hoje, o Casinhas Literárias conta com três pontos de leitura no município, localizados na praça do Apeú, praça do Estrela e no bairro do Milagre, que funcionam 24 horas por dia. Com um acervo diversificado, o projeto permite que a comunidade possa emprestar os livros, podendo ser devolvidos ou não.

Segundo a idealizadora Bruna Bellini, professora de língua portuguesa, a iniciativa de implementação das casinhas partiu de um desejo pessoal de suprir com a carência de bibliotecas no município de Castanhal. A partir dessa primeira ideia, os bairros foram escolhidos estrategicamente para alcançar o maior número de pessoas com o intuito de promover um encontro com os livros. Atualmente mais de 500 livros já foram levados por passantes e estudantes das escolas da cidade.

“A ideia surgiu não só para empréstimo de livros, mas para pegar sentar, ler e levar para casa. Quando eu pensei em colocar a casinha foi na intenção desse acesso gratuito ao livro, o desejo de democratizar a leitura. As casinhas viraram pontos de leituras que as escolas usam para incentivar a leitura com a criançada, afinal o projeto tem em vista que tudo começa com elas. Então, as pessoas que esperam o ônibus para ir ao trabalho se deparam com um livro disponível que podem pegar e levar para casa”, diz. Elas proliferam proliferar esse acesso gratuito ao livro para que as pessoas leiam mais. “Já foram feitos muitos encontros literários nelas, encontros de mais de 100 pessoas, em que as escolas levam as suas turmas”, relata Bruna Bellini.

Para manter o projeto, a professora tem contado com a doação de livros para as casinhas já existentes, além de um financiamento coletivo pelo Catarse para expandir a iniciativa com novas estruturas, que devem chegar à Região Metropolitana de Belém e outros municípios do interior do estado do Pará se bater a meta de arrecadação.

Na fronteira entre o bairro de São Brás com o Guamá, mais uma Casinha Literária está presente. Dessa vez, a iniciativa partiu da professora de redação Marcela Castro, que acreditou que poderia concretizar em Belém um projeto semelhante já visto em São Paulo. A estrutura cheia de livros ganha espaço em frente à Casa da Redação, na travessa Castelo Branco, próximo aos colégios da rede pública e particular. Por isso, o público assíduo dos livros são os estudantes, mas os exemplares não deixam de chegar às mãos de crianças, jovens e idosos que costumam visitar o local.

 

A biblioteca Bombomler tem mais de dois mil exemplares para o público infantojuvenil
A biblioteca Bombomler tem mais de dois mil exemplares para o público infantojuvenil | Divulgação
 

MOBILIZAÇÃO

Segundo Marcela, a presença da casinha tem mobilizado a comunidade do entorno, estudantes do cursinho de redação e os respectivos responsáveis que doam, emprestam e leem os livros. A influência da leitura e a responsabilidade em cadeia para disponibilizar exemplares novos tem sido uma forma de difusão do acesso à literatura.

“Eu penso que o livro tem o valor muito alto para pessoas que tem o poder aquisitivo muito menor e tem pessoas que tem alto poder aquisitivo que não investem no ato de ler. A gente precisa de ações de fomento a leitura, que vão desde demonstrações de que ir à livraria é um ato fantástico, quanto conhecer o escritor. Eu vejo que há essa necessidade de fomento, de conhecer, de tentar o contato e normalizar que o livro seja acessível para todos. Se você fica vendo aquele livro sempre ali talvez você se interesse para ler. Quanto mais próximo o livro está fisicamente e tematicamente para o leitor, mais leitores a gente vai conseguir formar. Vê-los mexendo nas casinhas, levando os livros para casa tem disso um presente”, afirma a professora Marcela Castro.

As Bibliotecas Comunitárias também têm um papel importante de acesso à leitura. É o caso da Biblioteca Comunitária Itinerante BombomLER, que iniciou as atividades há 5 anos na Marambaia com o lema “Toda vez a ver que eu leio um livro, o mundo saí do lugar”. O projeto surgiu a partir da compra de um carrinho ambulante de bombons que foi restaurando para transportar os livros pelas ruas do bairro. A biblioteca conta com mais de 2 mil exemplares voltados para literatura infantil, juvenil e adulta com destaque principal para a literatura paraense, além de LGBTQIA+ e indígena.

De acordo com Rita Melén, uma das fundadoras da BCI BombomLER, a biblioteca é formada por vários projetos. Um deles é o “Bom é ler de Porta em Porta”, uma ação líteromusical que tem o objetivo de aproximar a literatura do público leitor. A iniciativa foi construída em meados de 2020, durante a pandemia, como forma de levar a literatura à casa da população que estava em distanciamento social. Com a presença de um personagem articulador chamado “Mundico”, um cortejo é que conduzido pelas vias, praças e feiras com momentos de declamação de poemas, cantoria e distribuição de cerca de 40 livros.

“Compreendemos que a literatura é um direito humano fundamental. Os livros são passaporte para o universo do imaginário literário e fundamental na formação e desenvolvimento humano. O acesso ao livro contribui na formação humana já que desenvolve as subjetividades através do exercício do imaginário. Democratizar o acesso ao livro é o primeiro passo. Mas os livros não saem sozinhos das estantes é preciso ter um convite a literatura, um convite a ler a partir da mediação da leitura”, conclui Rita Melén.

SERVIÇO:

Todos os projetos aceitam doações de livros. Para doar os exemplares é preciso entrar em contato pelas redes sociais das idealizadoras.

CASINHAS LITERÁRIAS: @casinhasliterarias (Instagram)

MARCELA CASTRO: @marcelacastrocn (Instagram)/ @marcelafrida (Twitter)

BIBLIOTECA COMUNITÁRIA ITINERANTE BOMBOMLER: @bibliotecabombomler (Instagram)/ Biblioteca Comunitária Itinerante BombomLER (Facebook)

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