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PARÁ QUE ORGULHA E TRANSFORMA

Um ato de heroísmo para salvar uma vida

Ao ver a rodovia interditada, Rebeka Fonseca não pensou duas vezes: caminhou dois quilômetros com uma maca para ajudar paciente de covid-19 no meio da lama. Ação rendeu elogios e méritos. Conheça sua história

domingo, 08/05/2022, 05:27 - Atualizado em 08/05/2022, 05:26 - Autor: Cinthia Magno/Diário do Pará

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Rebeka e Wadson foram condecorados por ato de bravura pelo governador Helder Barbalho
Rebeka e Wadson foram condecorados por ato de bravura pelo governador Helder Barbalho | Divulgação

Em busca de garantir o atendimento necessário à sua paciente, a enfermeira Rebeka Fonseca, 25 anos, jamais imaginou que o desafio enfrentado em mais um dia intenso de trabalho iria rodar o país inteiro através de um vídeo na internet. Na primeira quinzena de fevereiro de 2021, durante a transferência de uma paciente acometida pela Covid-19 do Hospital Municipal em Rurópolis para o Hospital Regional de Itaituba, Rebeka e o colega de trabalho, o motorista de ambulâncias Wadson Diniz, se depararam com a interdição da rodovia Transamazônica por um congestionamento de caminhões.

Diante do tempo limitado de oxigênio que ainda restava para a paciente na ambulância – o cilindro de oxigênio tinha pouco menos de uma hora de capacidade - Rebeka não viu outra saída que não empurrar a maca com a paciente por 2 quilômetros da rodovia, atitude que fez com que a paciente pudesse chegar a tempo a outra ambulância que lhe aguardava do outro lado da pista interditada, podendo seguir viagem em direção ao Hospital Regional de Itaituba. Um ano depois do ocorrido, o empenho da profissional de saúde continua sendo lembrado como motivo de orgulho não só para os paraenses, como para o país inteiro.

 

Gesto da enfermeira foi filmado e ganhou a internet, além de reportagens na imprensa nacional
Gesto da enfermeira foi filmado e ganhou a internet, além de reportagens na imprensa nacional | Reprodução
 

No momento em que se ocupava em transportar a maca pela rodovia, Rebeka lembra que só conseguia pensar em chegar com a paciente na ambulância que aguardava do outro lado da interdição na pista e que poderia, enfim, levar a paciente em segurança para o Hospital Regional de Itaituba. Neste meio tempo, porém, a sua ação acabou sendo filmada, sem que ela própria tomasse conhecimento.

Com a situação resolvida, no caminho de volta para Rurópolis, Rebeka teve uma amostra do reconhecimento que estaria por vir. Ainda na balsa, ela e Wadson receberam uma cartinha de agradecimento de duas crianças que estavam em um ônibus, paradas no bloqueio da rodovia, e que viram todo o ocorrido. A real proporção que o episódio havia tomado, porém, só foi conhecida quando eles chegaram ao Hospital Municipal de Rurópolis, onde trabalhavam. “Duas crianças que estavam nos ônibus atrás, que viram tudo, mandaram uma cartinha para gente que eu tenho até hoje. Naquela hora a gente ficou emocionado de ter vivido tudo aquilo e, logo em seguida, ainda receber a cartinha das crianças”, lembra Rebeka. “Na volta, a gente fica sem sinal de celular então eu não fiquei sabendo da repercussão. Quando eu cheguei no hospital de volta, com o Wadson, começaram a nos contar que o vídeo tinha viralizado. Os colegas já sabiam mais do nosso caso, do que a gente que tinha acabado de chegar em Rurópolis”.

MÉRITO

A surpresa com o vídeo que viralizou na internet foi inevitável. Em pouco tempo, Rebeka e Wadson começaram a ser procurados pela imprensa para falar sobre o ocorrido. Em seguida, os dois receberam do Governo do Estado a comenda Mérito Grão-Pará como forma de reconhecimento pelo trabalho realizado por eles e, ainda, em homenagem aos serviços prestados por todos os profissionais de saúde durante a pandemia de Covid-19. Mais recentemente, um ano após o ocorrido, Rebeka foi chamada para receber o troféu ‘Herói da Vida Real’ no programa Encontro, no Rio de Janeiro. “A gente acabou se espantando com tudo, as pessoas começaram a ligar pedindo entrevista e a gente nem sabia direito porque estava acontecendo tudo isso. Foi muito rápido. Na época eu tinha pouca experiência, agora que eu completei dois anos de formada em enfermagem, então, essa foi uma das minhas primeiras experiências na profissão mesmo. Eu fazia muitos transportes de pacientes de Covid-19 na época, mas passar por isso ninguém nunca espera”, lembra Rebeka. “Eu tinha que pensar na minha paciente naquele momento e foi oque fizemos”.

 

Hoje, Rebeka trabalha em uma unidade de saúde e faz mestrado na profissão
Hoje, Rebeka trabalha em uma unidade de saúde e faz mestrado na profissão | Divulgação
  

Atualmente, Rebeka já não trabalha mais com o transporte ou remoção de pacientes e nem no atendimento à Covid-19. Agora, ela atua em uma unidade básica e vivencia outras experiências na profissão que ela abraçou e para a qual continua buscando qualificação. Em abril de 2021 ela foi aprovada para o mestrado profissional em enfermagem na atenção primária em saúde no Sistema Único de Saúde (SUS) da Universidade de São Paulo (USP) e, desde então, vem fazendo o curso que, em decorrência da pandemia, tem realizado as aulas à distância.

“Eu não viajo mais, por conta de eu ter saído do hospital, mas tudo o que eu passei naquele momento acredito que a gente leva muito para a nossa vida profissional. Ainda estou aprendendo muito. Agora estou em um setor novo, eu nunca tinha atuado em unidade básica, então, estou aprendendo tudo de novo”, considera, ao contar que continua atuando profissionalmente no município de Rurópolis. “Apesar de ter passado um ano e esse ser um episódio que não estava mais tão presente na minha vida, ainda tem pacientes que falam, que reconhecem que eu era aquela enfermeira. Acho que foi algo que mostrou, realmente, o que nós profissionais de saúde estávamos vivendo naquele momento. Esse episódio todo que a gente viveu serviu muito para isso, para as pessoas verem o que os profissionais de saúde vivem nessa pandemia”.

 

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