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Paraense gasta 56% do salário mínimo só com a cesta básica

Segundo o Dieese, a alimentação mínima já consome R$ 632 do trabalhador. Somente nos seis primeiros meses desse ano, os produtos aumentaram 13% na capital. Consumidor já não sabe o que fazer para dar conta

quinta-feira, 07/07/2022, 07:48 - Atualizado em 07/07/2022, 12:51 - Autor: Diego Monteiro/Diário do Pará

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Consumidores precisam pesquisar bastante para conseguir equilibrar orçamento com alimentação.
Consumidores precisam pesquisar bastante para conseguir equilibrar orçamento com alimentação. | Wagner Almeida/Diário do Pará

Uma pesquisa nacional realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA) coloca a capital paraense em 11ª na lista das capitais com a cesta básica mais cara do Brasil. Com os valores atuais, o morador de Belém precisa desembolsar R$ 632,26 para adquirir os itens básicos da alimentação. O valor para uma família padrão paraense, composta de dois adultos e duas crianças, ficou em R$ 1.896,78 sendo necessários, portanto, aproximadamente 1,56 salários mínimos para garantir as necessidades.

Assim, o trabalhador teve que gastar 114 horas e 46 minutos das 220 horas previstas em lei da jornada mensal só para se alimentar. Esse custo elevado ocorre pelos sucessivos aumentos nos itens que compõem a cesta, com destaque para o pão que apresentou uma alta de 10,29% no último mês, seguido do leite que aumentou 7,07%; óleo de cozinha que encareceu 6,73%. Nesta sequência, apenas o tomate apresentou recuo de 10,18% no preço. Os constantes aumentos encontrados nos supermercados da capital em relação aos itens básicos geraram uma alta de 13,54% no primeiro semestre de 2022, percentual bem superior à inflação estimada para este período, em torno de 4,50% segundo informações do Índice de Preços no Consumidor (INPC).

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Para garantir o sustento durante um mês, o trabalhador paraense é obrigado a comprometer 56,40% do atual salário mínimo de R$ 1.212 reais. De acordo com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), a alta da cesta básica é decorrente dos elevados custos de produção nas cadeias produtivas do setor. Outros fatores como a guerra na Ucrânia e os lockdowns na China contribuíram para o aumento do preço das commodities, além do transporte dos insumos ante a alta do diesel.

CONSUMIDORES

Na casa da farmacêutica Eliane Lima, 35 anos, a realidade é a mesma, já que ela mora com o esposo e os dois filhos. Entre um corredor e outro, a estratégia da farmacêutica é ficar atenta aos menores preços na hora de fazer o supermercado. Outro detalhe é que para fechar as contas no final do mês é preciso cortar no lazer. “Infelizmente é preciso optar por programações gratuitas, como as praças ou os espaços recreativos”, detalha. “Quando chega o final de semana as crianças começam a querer passear, ir ao cinema, comer uma besteira e presentes. É neste momento que precisamos ter um jogo de cintura, conversar, fazer com que elas entendam que: se sairmos para determinados locais, vai faltar na mesa”, completa Eliane.

A radiologista Paula Rocha, 54, contou que olha cada etiqueta em busca do item mais em conta. “Eu sempre gasto uma média de R$ 400 reais, valor estabelecido para dar conta de outros compromissos. Mas, não é fácil, e na maioria das vezes abrimos mão de algo melhor pelo mais barato”, pontuou.

No início de 2022, o aposentado José Maria, 84, gastava em média R$ 500 nas compras. Seis meses depois, a mesma quantidade de produtos passou a custar em torno de R$ 700 a R$ 800 reais. “Eu não costumo pesquisar preços, pois já vou certo nas marcas que estou acostumado. Percebo que as coisas estão mais salgadas ao chegar no caixa”, explicou.

 

DOL
DOL | ( Reprodução )
  
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