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LUTA CONTRA O PRECONCEITO

Dois milhões de brasileiros estão dentro do espectro autista

As crianças diagnosticadas com autismo podem ter uma curva de aprendizado diferente, mas nada impede que elas sejam inseridas em atividades sociais e estimuladas com o acompanhamento de profissionais.

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Imagem ilustrativa da notícia Dois milhões de brasileiros estão dentro do espectro autista camera Vanessa Amado é mãe de Fernanda (lado direito) que foi diagnosticado com autismo aos 2 anos e 3 meses. | Vanessa Amado / arquivo pessoal

“É necessário quebrar paradigmas, paradigmas de que autista não é afetuoso, que não consegue demonstrar carinho...É importante que a atitude das pessoas mude e que elas tenham mais empatia e respeito pelo outro”.

Esse é o relato de Vanessa Amado, mãe da Fernanda, de 7 anos, uma criança que como muitas outras adora brincar, correr, dançar e se divertir. Sua única diferença é que ela tem Transtorno do Espectro Autista (TEA).

As crianças dentro do (TEA) podem ter uma curva de aprendizado diferente, mas nada impede que elas sejam inseridas em atividades sociais e estimuladas com o acompanhamento de profissionais que vão auxiliar em seu desenvolvimento.

O autismo pode ser caracterizado por um transtorno de neurodesenvolvimento, que é acompanhado por déficits na comunicação, interação social, cognição e até desenvolvimento motor. De acordo com um levantamento feito pelo Center of Diseases Control and Prevention (Centro de Controle Doenças e Prevenção) nos EUA estima-se que a prevalência de autismo entre crianças de 8 anos é de 1 a cada 44. Se estes dados de 2018 forem extrapolados para o Brasil, é possível dizer que aproximadamente 2 milhões de pessoas vivem com TEA em nosso país.

Como o espectro é percebido logo na infância, uma gama de profissionais vêm se especializando para dar acompanhamento à essas crianças, com o objetivo de auxiliá-las em seu desenvolvimento.

É o caso de Gabriela Rocha, que é fisioterapeuta especializada em desenvolvimento infantil. Atuando em Belém, ela explica ao DOL como os pais podem identificar sinais do TEA nos filhos.

“Hoje os critérios diagnósticos já evoluíram muito e, talvez por isso, existem muitos mais casos de pessoas ao nosso redor. Os pais podem identificar sinais em seus filhos desde bebê, como por exemplo na dificuldade de comunicação verbal e não verbal, na restrição de algumas atividades típicas na infância, dificuldade na interação com outras crianças, movimentos repetitivos (esteriotipias). Quanto maior o entendimento da família sobre esses sinais, mais precocemente pode ser feito o diagnóstico”.

Gabriela Rocha é fisioterapeuta especializada em desenvolvimento infantil.
📷 Gabriela Rocha é fisioterapeuta especializada em desenvolvimento infantil. |Gabriela Rocha / arquivo pessoal

Gabriela explica que não há uma “cura” para o autismo, mas sim, acompanhamentos multidisciplinares essenciais ao desenvolvimento das crianças. Em seu trabalho especializado na fisioterapia, ela auxilia os pacientes em suas dificuldades motoras.

“A fisioterapia contribui muito para o ganho de independência funcional, agindo na melhora da coordenação motora, equilíbrio, autocontrole corporal e até controle dos movimentos atípicos, podendo assim ajudar a inserir essas pessoas no contexto social. Por isso não se deve negligenciar a questão motora no Autismo”, explica a profissional.

Com o aumento da procura por informações sobre o TEA, muitos pais se perguntam sobre quais os principais sinais que uma criança pode apresentar. Gabriela Rocha explica que muitos pais ficam hipervigilantes sobre o comportamento dos filhos, e não estão errados, pois toda dúvida é válida e a família deve sempre ser ouvida pelos profissionais.

“As principais dúvidas surgem no período de idade escolar das crianças, quando elas iniciam a ida à escola e acontece de terem dificuldade de interagir com os coleguinhas, seja por atraso na linguagem ou por simplesmente não se sentirem à vontade no ambiente. E se tratando da fisioterapia, o principal motivo de procura é o andar nas pontas dos pés e consequente dificuldade no equilíbrio”, explica a fisioterapeuta.

Vanessa Amado conta que logo aos 1 ano e 8 meses de vida sua filha, Fernanda, apresentou sinais de TEA, mas o diagnóstico só foi fechado quando ela completou mais de 2 anos.

“Eu já atuava com o público TEA na época como professora e atualmente estou como musicoterapeuta, então, já conhecia as características apresentadas por esse público. Com isso, foi mais fácil de perceber que minha filha estava dentro do espectro”, conta Fernanda.

Fernanda afirma que é necessário quebrar certos preconceitos, principalmente de pessoas que não compreendem o TEA e acabam deixando de ter empatia por crianças que são cheias de potenciais.

“Antes da Fernanda ser a criança com TEA, ela é a Fernanda. Ela tem os seus gostos, suas particularidades, suas potencialidades, e a gente necessita que as pessoas olhem o que é potencial e não só o que é a dificuldade de nossos filhos. Entender que sim, o espectro traz muitas estereotipias, mas se formos olhar para a gente, também temos. Um balançar de pernas, um bater de caneta, mas não evidenciamos isso”, afirma a musicoterapeuta.

No dia 2 de abril é celebrado o dia mundial de Conscientização do Autismo, uma data que coloca em evidência a necessidade de apresentar informações sobre o TEA às pessoas, com o objetivo de reduzir a discriminação e o preconceito. Em alusão a esta data, em Belém será realizada uma caminhada de conscientização, na Praça Batista Campos, no horário de 10h30 às 12h, uma iniciativa do Centro de Fisioterapia Reabilitar.

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