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MUDANÇAS SUSTENTÁVEIS

Desafios de mobilidade urbana em Belém até a COP 30

Belém, que será sede da COP 30 em 2025, tem grandes desafios a vencer na mobilidade urbana até o evento. O Diretor Técnico-Operacional do Departamento de Trânsito do Pará (Detran-PA), José Bento Gouveia Junior, falou sobre o assunto.

Imagem ilustrativa da notícia Desafios de mobilidade urbana em Belém até a COP 30 camera Com a vinda da COP 30 para a cidade em novembro de 2025, a cidade tem alguns desafios para superar. | Alex Ribeiro/Ag.Pará

O engenheiro civil José Bento Gouveia Junior está no comando da Diretoria Técnica-Operacional do Departamento de Trânsito do Pará (Detran-PA) desde janeiro de 2019.

Funcionário de origem da Semob, a Superintendência de Mobilidade Urbana de Belém (Semob), de onde entrou via concurso público em 1993, o diretor é conhecedor profundo da mobilidade urbana da capital paraense e do Estado.

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Com a vinda da COP-30 para a cidade em novembro de 2025, o profissional conversou com a reportagem sobre vários temas que envolvem o ir e vir de pedestres, ciclistas e condutores de veículos motorizados, entre avanços e desafios. Confira na entrevista a seguir!

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O que é um transporte sustentável?

  • É um transporte que emite menos CO2 na natureza ou não emite nenhum. Como é o caso de você andar de bicicleta, andar a pé ou ônibus elétrico. Esses aí são os transportes sustentáveis. Nossas cidades têm que estar preparadas para isso. Por exemplo, você tem que ter mais espaço para o ciclista. Hoje tem a mobilidade também da patinete, que você pode utilizar para se deslocar. As calçadas em Belém estão muito ruins. Então como é que você vai poder incentivar o uso de calçadas, se você não tem um espaço para o pedestre adequado? Se você não tem rampa para quem é cadeirante, espaço pro deficiente visual, que é a linha dele dentro da calçada?

Como resolver isso?

  • Essa questão da mobilidade, a cidade tem que oferecer dentro dos bairros. Tem todo um sistema: ter escola, ter supermercado, ter farmácia. Então, o governo municipal precisa ordenar os seus espaços urbanos. Você não pode achar que o usuário se desloca de carro jogando CO2 na natureza porque ele quer. Muitas vezes, porque não tem proximidade aos serviços. Ele precisa ir num determinado lugar usar um determinado serviço e não tem ali próximo. Então, se você tiver uma bicicleta, vai resolver, se for um pouquinho mais longe. Mas você tem que ter um espaço seguro para o ciclista. Às vezes eu vejo as nossas ciclofaixas, eu fico um pouco preocupado. Será que eles têm segurança suficiente? Será que têm um respeito por parte do motorista porque eles têm a área compartilhada junto ao transporte individual?
José Bento Gouveia Junior está no comando da Diretoria Técnica-Operacional do Departamento de Trânsito do Pará (Detran-PA) desde
📷 José Bento Gouveia Junior está no comando da Diretoria Técnica-Operacional do Departamento de Trânsito do Pará (Detran-PA) desde |Divulgação

Então falar de transporte sustentável é falar de pedestre e ciclista…

  • Principalmente pedestre. Hoje, pouca gente anda a pé, prefere se deslocar de veículo individual. É claro que esses veículos que não liberam CO2 vão colaborar diretamente contra o efeito estufa. A favor de um ar mais limpo, de um ambiente mais saudável, de um povo mais saudável, porque daí você começa a caminhar, você começa a se movimentar, você começa a andar de bicicleta, você cria de fato um hábito de se deslocar dessa forma. Você também fica mais saudável. Isso é muito importante. Agora você tem que ter o olhar do gestor para isso, melhorando as calçadas, fazendo ciclofaixa, fazendo bicicletários, coisa que eu não vejo na nossa cidade, para que a gente possa de fato ter um transporte mais sustentável. E vamos falar do ônibus elétrico. Ônibus elétrico é muito bom, tem tecnologia mais moderna, mas vamos lá, nós temos que aparelhar as empresas para isso, não é só comprar ônibus elétrico. Você tem que comprar os abastecedores disso, você tem que fazer um trabalho, porque hoje a tecnologia ainda não está tão evoluída que carregue tão rápido a bateria de um veículo deste. Então isso tudo é uma questão de adaptação. Ainda está se passando do convencional, com o diesel, para o ônibus elétrico, então a gente vai ter que ter um pouquinho de paciência, essa é a realidade, mas a gente vai conseguir chegar lá. O governo do Estado e o governo municipal se juntaram e ajudaram, liberando impostos, ajudando para que as empresas passem a comprar, adquirir esse tipo de veículo, para que possa, de fato, ser usado agora, nas vias do estado, da cidade de Belém.

No Pará, em especial Belém, que medidas o poder público tem tomado a favor disso?

  • O incentivo com essa questão de desonerar o imposto para se adquirir esse tipo de veículo e facilitar que o preço fique mais baixo e possa se oferecer para quem usa esse veículo com ar condicionado, wi fi.

Os veículos com GNV são considerados sustentáveis?

  • Ele polui menos, é mais econômico, mas tem a característica de ser um tipo de combustível fóssil.

Mobilidade segura também significa condução responsável?

  • Temos que qualificar nossos motoristas, mototaxistas, fazendo cursos. Temos observado uma responsabilidade maior das empresas. Tenho conversado com os empresários e me dizem que estão com dificuldade de repor seus motoristas. Isso é uma certa dificuldade, o salário não é atrativo, é uma profissão que deixa sequelas. O jovem hoje tem outras opções de serviços.

Como têm sido promovidas ações de educação nesse sentido?

  • A Semob aumentou o número de ciclofaixas, mas acho que os governos municipais precisam investir mais nas calçadas. Temos uma das capitais com menor número de veículos motorizados por habitante, ainda bem, senão as vias não davam conta. Tem muita gente andando de bicicleta. Belém tem hoje 40% da frota sendo motos, cresceu muito, avançou porque o transporte coletivo deixou a desejar e ela também é poluente. O veículo já começa a emitir CO2 a partir de sua fabricação, e quando acaba a vida útil ele fica ‘morto’ em cima do solo, isso precisa mudar. Se conseguirmos melhorar o espaço pro ciclista, as calçadas para o pedestre, melhorar as infraestruturas dos bairros, conseguiremos ter um transporte sustentável, fazendo bicicletário, dando condições para esse tipo de transporte.

Cidades do Pará com maior concentração de veículos (2022)

  • 1º Belém - 511.753
  • 2º Ananindeua - 168.129
  • 3º Marabá - 141.727
  • 4º Parauapebas - 129.365
  • 5º Santarém - 126.866

Fonte: IBGE

Desafios de mobilidade urbana em Belém até a COP 30
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