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Tradição é atualizada com banho de cheiro "engarrafado"

As garrafinhas recheadas com o banho de cheiro são as mais procuradas diante da falta de tempo da vida moderna. Mas há quem ainda prefira adequirir erva por erva e preparar todo o ritual em casa,

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Imagem ilustrativa da notícia Tradição é atualizada com banho de cheiro "engarrafado" camera Tradição de junho em homenagem a São João está viva no banho de cheiro "engarrafado": praticidade para continuar atraindo boas energias | Thiago Sarame

Patrimônio Cultural do Pará, as erveiras e erveiros do Ver-o-Peso desempenham um papel importante na conservação das crenças e na religiosiodade popular no Estado. Durante o ano inteiro, elas e eles vendem os banhos à base de ervas, cada um destinada a efeito e objetivo específicos que o comprador deseja alcançar. Em junho, o carro-chefe é o banho de cheiro feito especialmente para pedir que São João traga bons fluídos.

Patchouli, catinga de mulata, oriza branca, oriza roxa, manjericão, chama, canela, alecrim, vindecá, pau de angola, japana, carrapatinho e priprioca são algumas das muitas ervas usadas para fazer a mistura, que pode curar e trazer alegrias ao longo do ano.

Com o tempo, a forma de consumo das ervas e banhos tiveram grande mudanças, externadas pelas próprias profissionais que trabalham há gerações na feira.

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A erveira Iracilda Siqueira admite que as pessoas optam pelo banho já pronto, que custa, em média, R$ 20. Pelos menos, na barraquinha dela, é essa a realidade. Mas nem sempre foi assim. Há algum tempo atrás, as pessoas preferiam comprar as ervas e levar para casa, onde desenvolviam todo o ritual que culmina com o banho aromático.


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Nós estamos vendendo agora mais o banho pronto do que as ervas. As pessoas hoje não querem ter trabalho. Por exemplo, há uns dez, oito anos atrás, a gente vendia mais as ervas.

Iracilda Siqueira, Erveira
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Na velocidade da vida urbana

Beth Cheirosinha concorda com a colega. Ela afirma que há muitos anos o banho na garrafa já é o queridinho dos fregueses, já que eles preferem a praticidade ao trabalho de fazer o trabalho “do zero”.

"As pessoas trabalham e não têm tempo. Antigamente não existiam os banhos prontos, então pegava-se uma bacia ou um camburão, ou uma banheira com água, levava as ervas, amacerava, cortava tudo miúdo e colocava cada uma delas, com seu aroma diferente", lembra.

Tem quem discorde das duas erveiras e diga que as ervas ainda "saem" bastante, como diz na feira. Ao contrário das duas erveiras, o erveiro Edmilson de Souza, de 40 anos, filho da famosa erveira Dona Coló, garante que os consumidores costumam comprar todas as ervas para fazer o banho, em vez do banho já pronto em garrafinhas PET.

"Sai tanto o banho pronto quanto as ervas, porém, eles ainda preferem, em sua maioria, comprar todas as ervas para fazer em casa. Inclusive, na véspera e antevéspera de São João, nós temos que trabalhar com muita quantidade de ervas, e temos que estar aqui pelo menos às 3h da manhã para pegar essas ervas", disse.

Seja em garrafas ou ervas separadas, a tradição segue viva e passando de geração para geração. Uns saem e outros ficam, mas as histórias de conquistas, objetivos e até mesmo milagres continuam. E as vendas vão muito bem, obrigado!

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  • Reportagem: Lucas Contente
  • Edição: Anderson Araújo
  • Imagens: Thiago Sarame

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