A escalada da crise política na Venezuela, agravada pelo ataque dos Estados Unidos (EUA) a Caracas, repercutiu fortemente no cenário sul-americano. O episódio reacende debates sensíveis sobre soberania, limites da atuação internacional e o respeito a princípios históricos do direito internacional. Em seu Instagram, o governador do Pará, Helder Barbalho, se manifestou neste sábado (3) e afirmou que a América do Sul vive "um retrocesso histórico!".
Ao lembrar que a comunidade internacional levou séculos para construir regras mínimas de convivência entre nações soberanas. Para ele, embora a permanência de Nicolás Maduro no poder represente um grave problema democrático, isso não legitima ações unilaterais de força.
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"A permanência inadmissível de Nicolás Maduro, e sobretudo sua última ratificação autoritária no poder, levantou todos os piores sinais de aversão e repulsa daqueles que cultuam a democracia plena na Venezuela e no mundo. Que Maduro não deveria nem poderia mais permanecer como ditador, não há dúvida. A questão não é essa", declarou.
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Helder destacou que o ponto central do episódio está nos meios utilizados. "A questão é se os fins justificam os meios e se somos, na América Latina, meras colônias como quando os primeiros europeus chegaram por aqui. A resposta é não", afirmou.
Por fim, o governador manifestou solidariedade ao povo venezuelano e defendeu que a saída para a crise passe pelo respeito aos princípios democráticos e não apenas pela força.
Confira na íntegra o posicionamento do governador do Pará
A América do Sul vive um retrocesso histórico no dia de hoje. Demoramos, como civilização, séculos para construir um arcabouço chamado direito internacional, cuja premissa é a autodeterminação dos povos e o multilateralismo.
A permanência inadmissível de Nicolas Maduro – e sobretudo sua última ratificação autoritária no poder – levantou todos os piores sinais de aversão e repulsa daqueles que cultuam a democracia plena na Venezuela e no mundo.
Que Maduro não deveria nem poderia mais permanecer, como ditador, não há dúvida. A questão não é essa. A questão é se os fins justificam os meios e se somos na América Latina meras colônias como quando os primeiros europeus chegaram por aqui.
A resposta é não!
Quando uma potência estrangeira – qualquer uma! – captura e sequestra o chefe de Estado de um país soberano estamos diante de uma agressão à toda ordem internacional.
A violência extrema de uma nação estrangeira nas fronteiras de nosso continente é também uma agressão sobre outra agressão, a da ditadura de Maduro, mais uma na histórica da sofrida América do Sul.
Um erro não justifica outro e dois erros não fazem um acerto. Esperemos que a evolução dos acontecimentos permita que uma solução baseada no respeito a princípios, e não só à força, prevaleça no final.
Nossa solidariedade ao povo venezuelano e nossa firme esperança de que nestas horas de agonia e preocupação as palavras do grande humanista e educador venezuelano Andrés Bello, estejam mais presentes do que nunca:
"Só a unidade do povo e a solidariedade de seus dirigentes garantem a grandeza das nações".
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