O Terminal Rodoviário de Integração Vicente Rabelo, popularmente conhecido como "Terminal do Abacatão", está localizado no conjunto Cidade Nova 7, em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém. Ao lado da estrutura, circulam os ônibus que atendem a população da área. No entanto, o terminal propriamente dito encontra-se em completo estado de abandono, isolado por tapumes que delimitam a área desativada.
O DIÁRIO teve acesso à parte interna do terminal e constatou uma série de problemas estruturais e sanitários que ficam ocultos da visão de quem passa pelo local. Um dos aspectos mais evidentes é a presença excessiva de mato em diversos espaços que deveriam servir de abrigo para passageiros e ônibus.
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A vegetação não se limita ao crescimento rasteiro. Há plantas de médio e grande porte espalhadas pela área, conferindo ao ambiente um aspecto de abandono e precariedade.
Além disso, o interior do terminal apresenta grande acúmulo de lixo e entulhos em diferentes pontos.Há restos de madeira, resíduos de obras e outros tipos de detritos espalhados pelo chão. A área destinada aos pedestres, onde funcionaria a estação do terminal, apresenta o piso de concreto bastante deteriorado, com rachaduras e pontos de acúmulo de água.

A situação se agrava ainda mais devido às condições sanitárias observadas. Fezes humanas foram encontradas em diferentes áreas do terminal, assim como forte odor de urina em alguns pontos, indicando que o espaço passou a ser utilizado como banheiro improvisado por pessoas que acessam o local por meio das aberturas nos tapumes.

Outro fator preocupante é o uso do espaço por usuários de drogas, principalmente durante o período da noite, o que aumenta a sensação de insegurança na região.
No momento da reportagem, por volta das 15h30 da última sexta-feira (16), foi possível observar a presença de uma pessoa fazendo uso de entorpecentes no interior do terminal, evidenciando a falta de fiscalização e controle do espaço público.
Ao lado do terminal, a degradação é também visível. A antiga praça de alimentação, hoje também cercada por tapumes, encontra-se em total estado de decadência O galpão apresenta o teto com infiltrações, janelas basculantes com vidros quebrados, muitos deles espalhados pelo chão, e grande quantidade de entulho acumulado. O espaço que deveria servir como área de convivência e oferta de serviços à população está completamente inutilizado.

Em um dos compartimentos da antiga praça de alimentação, a reportagem encontrou plantas do projeto da obra abandonadas sobre uma mesa, sem qualquer tipo de proteção ou cuidado, reforçando a impressão de que os trabalhos foram interrompidos sem planejamento ou acompanhamento adequado.
No local, há uma placa da Prefeitura de Ananindeua, por meio da Secretaria Municipal de Saneamento e Infraestrutura, informando a execução de uma obra no valor de R$ 7,1 milhões. Segundo a placa, os trabalhos teriam início em 10 de agosto de 2023, com prazo de execução de 28 meses, encerrado em dezembro de 2025.

Apesar das informações sobre valores e cronograma, o material não especifica para a população qual obra estaria sendo realizada.
Conforme apurado no Diário Oficial de Ananindeua, de 7 de agosto de 2023, o contrato n° 034/2023 Sesan/PMA trata da contratação de serviços para a construção do Polo Criativo Digital, no espaço da antiga praça de alimentação, e da reforma do Terminal de Integração da Cidade Nova. O valor total destinado às duas obras é de R$ 7.129.777,42. Mais de dois anos após a publicação no Diário Oficial, nada de obras no local.
Um morador da região, que preferiu não se identificar, relatou que o terminal se transformou em um local perigoso, descrito por ele como um "reduto de usuários de drogas", o que gera medo principalmente para quem precisa transitar a pé pela área durante a noite. Segundo o morador, o espaço deveria receber manutenção adequada e oferecer condições dignas para os usuários do transporte público.

Sobre a praça de alimentação abandonada, o morador lamenta o desperdício de um equipamento público que poderia beneficiar a comunidade local. "É triste ver um espaço desse jeito. Um lugar que poderia servir à população, gerar renda e oferecer serviços, mas que hoje está completamente abandonado. O espaço público precisa ser bem cuidado para quem mora aqui", concluiu.
O DIÁRIO solicitou posicionamento da Prefeitura de Ananindeua sobre os problemas apresentados na reportagem, mas, até o fechamento desta edição, não obteve retorno.
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