Quando o sol se põe e a brisa do rio encontra as árvores e ruas de Belém, a cidade parece se preparar para um momento de comunhão silenciosa e coletiva. Entre moradores que caminham pelas avenidas, turistas curiosos e crianças que correm entre calçadas, a presença de Iemanjá se faz sentir antes mesmo de qualquer ritual começar. É um instante em que história, memória e religiosidade se entrelaçam, lembrando que a fé não se restringe a templos ou terreiros, mas circula nos gestos, nas cores, nos cânticos e nas flores lançadas ao vento e à água.
Nesse contexto, o Dia de Iemanjá se apresenta não apenas como celebração religiosa, mas como afirmação da presença afro-brasileira na cultura da cidade. Nesta segunda-feira (2), a homenagem à Rainha do Mar em Belém ganha um caráter coletivo e ritualístico na avenida Augusto Montenegro, onde mais de cem pais de santo da Umbanda, do Candomblé e do Tambor de Mina se reunirão no Terreiro de Rei Sebastião e Toyá Jarina.
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A cerimônia envolve tambores, velas, champanhe e flores, símbolos que traduzem devoção, proteção e gratidão à Mãe de Todas as Cabeças. A estátua de Iemanjá, com 12 metros de altura, é o ponto focal da homenagem, reforçando a força simbólica do orixá que protege pescadores, marinheiros, lares, crianças, gestantes e celebrações familiares.
SINCREETISMO E RESISTÊNCIA
A história de Iemanjá em Belém reflete séculos de sincretismo e resistência cultural. A Rainha do Mar, conhecida como Yemọja na tradição iorubá, carrega características maternas, de acolhimento e força feminina, associadas à proteção das águas e de quem delas depende. Ao longo da história, os povos africanos escravizados no Brasil tiveram que adaptar seus rituais às imposições do cristianismo português, criando uma rede de significados que associa Iemanjá à Nossa Senhora dos Navegantes. Esse entrelaçamento permite que a celebração transcenda as casas religiosas, alcançando a vida cotidiana de muitos brasileiros, que praticam tradições sem, muitas vezes, reconhecer sua origem afro-brasileira.
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Embora o maior festival em Belém aconteça em 8 de dezembro, no distrito de Outeiro, o Dia de Iemanjá em 2 de fevereiro reforça a união entre as religiões afro-brasileiras e mantém viva a memória cultural de um orixá que atravessa gerações. Cantos, orações e oferendas compõem o ritual, enquanto famílias e praticantes se aproximam da água, renovando preces e agradecimentos. É um momento que mistura fé, história e celebração, lembrando que, em Belém, como em outras regiões do Brasil, Iemanjá permanece como figura materna, protetora e símbolo de resistência.
Entre cânticos, tambores e flores lançadas ao rio, a homenagem em Belém transforma-se em experiência coletiva de devoção e cultura, reafirmando a presença viva das tradições afro-brasileiras na vida da cidade, ao mesmo tempo em que conecta passado e presente em um diálogo contínuo entre fé, memória e celebração.
PROGRAMAÇÃO EM BELÉM
A partir das 19h desta segunda-feira (2), o Terreiro de Rei Sebastião e Toyá Jarina, na avenida Augusto Montenegro, se tornará o ponto central das homenagens à Mãe dos Orixás em Belém.
Durante a cerimônia, orações e pedidos serão encaminhados à Mãe de Todas as Cabeças, enquanto a Rainha das Águas, padroeira dos pescadores, jangadeiros e marinheiros, é celebrada também como protetora dos lares, das crianças, das gestantes, dos partos e dos casamentos. A reunião não é apenas um ritual religioso: é um momento de reforço da identidade cultural, da memória histórica afro-brasileira e da convivência entre diferentes tradições, reafirmando o papel da fé como elemento de coesão social e espiritualidade compartilhada.
Entre o som dos tambores, o aroma das velas e a simbologia das flores lançadas, a homenagem à Iemanjá em Belém reafirma o valor de rituais que atravessam séculos e a importância da união entre diferentes expressões religiosas, mostrando que fé, história e cultura podem caminhar lado a lado em celebrações que envolvem toda a cidade.
SERVIÇO
- DIA DE IEMANJÁ EM BELÉM
- Data: 2 de fevereiro de 2026
- Horário: a partir das 19h
- Local: Terreiro de Rei Sebastião e Toyá Jarina – Avenida Augusto Montenegro, Belém (PA)
- Programação:
- Reunião de mais de 100 pais de santo da Umbanda, Candomblé e Tambor de Mina
- Homenagem à Rainha do Mar com cânticos, orações, tambores, velas, champanhe e flores
- Ritual em frente à estátua de Iemanjá, com 12 metros de altura
- Celebração da padroeira de pescadores, marinheiros, lares, crianças, gestantes, partos e casamentos.
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