Entre rios caudalosos, marés imprevisíveis e praias de água doce, o litoral amazônico guarda encontros improváveis que desafiam a lógica da natureza conhecida. Quando um animal típico do alto-mar cruza esse limite invisível entre o oceano profundo e os estuários amazônicos, o fato deixa de ser apenas curioso e passa a exigir atenção científica.
Foi o que ocorreu na praia do Ariramba, em Mosqueiro, distrito de Belém, onde um golfinho-listrado (Stenella coeruleoalba) foi encontrado morto na última segunda-feira (2). A espécie, conhecida por viver longe da costa e em grandes profundidades, nunca havia sido registrada em encalhes no estado do Pará, segundo especialistas.
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O caso levou à atuação conjunta do Instituto Bicho D’água e do Instituto de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Pará (UFPA), campus de Castanhal. Técnicos realizaram a remoção do animal e procederam com a necropsia, etapa essencial para identificar possíveis causas da morte, que seguem sob análise.
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ENCONTRO DE ÁGUAS FLUVIAIS E MARINHAS
De acordo com os pesquisadores, o local do encalhe apresenta características estuarinas, com variação constante de salinidade devido ao encontro entre águas fluviais e marinhas. Esse tipo de ambiente não corresponde ao habitat natural do golfinho-listrado, espécie adaptada a regiões oceânicas com profundidades superiores a 100 metros.
Apesar da raridade do registro, os técnicos explicam que a ocorrência não é considerada impossível. A faixa oceânica do Pará integra a área de distribuição da espécie, o que torna eventuais deslocamentos para áreas mais próximas da costa um fenômeno esperado, ainda que incomum.
MONITORAMENTO E CARACTERIZAÇÃO DE CETÁCEOS
O Instituto Bicho D’água atua na região por meio do Projeto de Monitoramento e Caracterização de Cetáceos (PCMC), vinculado às exigências ambientais do licenciamento conduzido pelo Ibama para pesquisas na Margem Equatorial Brasileira. O acompanhamento sistemático de encalhes é uma das principais ferramentas para avaliar alterações nos ecossistemas marinhos.
Segundo os especialistas, episódios como esse contribuem para a compreensão dos impactos ambientais e reforçam a importância da vigilância científica contínua sobre a fauna marinha amazônica, especialmente em um cenário de crescente pressão humana sobre o oceano.
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