O açaí faz parte da identidade cultural e alimentar do paraense, presente diariamente na mesa de milhares de famílias e também como fonte de renda para inúmeros trabalhadores. Mas, em meio ao consumo crescente e à valorização do fruto, cresce também a preocupação com a qualidade sanitária e a segurança alimentar.
Em um cenário que exige atenção redobrada, consumidores e batedores passam a buscar informações sobre onde encontrar estabelecimentos licenciados e quais cuidados garantem que o produto chegue seguro ao prato.
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O debate ganhou ainda mais força após a confirmação de um surto de doença de Chagas em Ananindeua, em janeiro de 2026, com mortes e aumento expressivo de casos associados à transmissão oral. Diante desse contexto, iniciativas de vigilância sanitária e programas de qualificação profissional voltados ao processamento do açaí passaram a ganhar destaque como ferramentas essenciais para proteger a saúde coletiva e fortalecer a cadeia produtiva.
Qualidade vai além do sabor
A produção segura do açaí começa muito antes do consumo. O processo envolve etapas fundamentais como recepção, catação manual e peneiramento dos frutos, práticas indispensáveis para remover impurezas, insetos e o besouro transmissor da doença de Chagas. Especialistas reforçam que apenas peneirar ou utilizar cloro não é suficiente: a combinação de procedimentos é o que reduz efetivamente os riscos ao consumidor.
Após a seleção, o fruto passa pela lavagem com água potável e sanitização. Em seguida, ocorre o tratamento térmico, conhecido como branqueamento, que consiste em mergulhar o açaí por cerca de 10 segundos em água quente e depois em água gelada. O processo segue para o despolpamento — etapa que exige atenção rigorosa ao tempo de batimento — até chegar ao consumo final.
Em Belém, a Casa do Açaí integra a estrutura da Vigilância Sanitária e atua com foco educativo, orientativo e preventivo. O setor desenvolve capacitações teóricas e práticas para manipuladores, realiza inspeções sanitárias, coleta amostras para análise no Laboratório Central (Lacen) e acompanha denúncias e investigações em caso de surtos.
Além disso, promove ações em feiras e mercados, realiza monitoramento nas ilhas do município e analisa rotulagens de produtos artesanais. O objetivo é garantir que os estabelecimentos sigam as boas práticas de manipulação e cumpram as exigências sanitárias vigentes, reduzindo o risco de doenças transmitidas por alimentos.
Surto de Chagas acende alerta
O cenário recente em Ananindeua reforçou a importância do controle sanitário e da informação ao consumidor. O Ministério da Saúde classificou como surto o aumento de casos da doença de Chagas no município, com mortes e dezenas de notificações suspeitas em investigação. Segundo autoridades de saúde, a principal preocupação está na ingestão de alimentos contaminados, especialmente o açaí produzido sem as devidas medidas de segurança.
Como resposta, equipes de saúde intensificaram visitas domiciliares, ações educativas e fiscalização de estabelecimentos. A qualificação de manipuladores e a orientação sobre boas práticas também ganharam destaque como medidas fundamentais para prevenir novas ocorrências.
Programas de apoio ao batedor artesanal
Tanto em Belém quanto em Ananindeua, iniciativas públicas oferecem suporte direto aos produtores. Em Ananindeua, a Casa do Açaí funciona como ponto de atendimento gratuito para batedores, com serviços que incluem abertura e regularização de MEI, orientações da Sala do Empreendedor em parceria com o Sebrae, capacitações profissionais e apoio para venda segura do produto.
Já no âmbito legal, o município também instituiu o selo “Açaí Bom que Só”, concedido a estabelecimentos que atendem critérios sanitários e estruturais, incluindo licenciamento, capacitação anual, análises laboratoriais e cumprimento do Decreto Estadual nº 326/2012, que regula o processamento do fruto.
Como identificar pontos de açaí licenciados
Em Belém, a lista oficial de pontos licenciados reúne estabelecimentos distribuídos em diversos bairros, como Jurunas, Pedreira, Guamá, Umarizal, Marambaia, Marco, Cidade Velha e Condor, entre outros. Esses locais passaram por processos de regularização e inspeção, atendendo às exigências sanitárias para a comercialização segura do produto. Em Belém, há mais de 2 mil pontos de venda mapeados pela prefeitura.
Para identificar um ponto licenciado, o consumidor pode buscar informações junto à Vigilância Sanitária municipal ou consultar listas divulgadas por órgãos oficiais, que apresentam o nome do estabelecimento, endereço e bairro. Já em Ananindeua, os consumidores podem verificar se o local possui o selo municipal de qualidade ou procurar orientações na Casa do Açaí e nos canais de atendimento da Secretaria de Saúde.
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Informação e prevenção
Com o aumento das ações de fiscalização e a divulgação de listas de estabelecimentos licenciados, autoridades reforçam que a participação da população é essencial. Denúncias de irregularidades, busca por locais regularizados e atenção às condições de higiene do ambiente são atitudes que contribuem para reduzir riscos e fortalecer a cultura de consumo seguro.
Em um estado onde o açaí é símbolo de identidade e tradição, garantir a qualidade do produto é um compromisso coletivo que envolve poder público, produtores e consumidores. Afinal, mais do que sabor e tradição, segurança alimentar também precisa fazer parte da rotina de quem produz e de quem consome o fruto amazônico.
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